quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Comendador José Antônio de Azevedo (de Minas Gerais para o Rio Grande)

O Comendador JOSÉ ANTÔNIO DE AZEVEDO
- de Minas Gerais para o Rio Grande: um pouco de sua história e genealogia -
(à amiga e prima Suzana Dihl)

autoria de Diego de Leão Pufal

José Antônio de Azevedo nasceu no ano de 1774 na freguesia de Campanha da Princesa em Minas Gerais, era filho de João Antônio de Azevedo (natural da freguesia de Vila Chã do Monte, Vizeu, Portugal e falecido por volta de 1805 na Campanha da Princesa/MG) e de Inácia Antônia da Silveira (natural de São João de El-Rei/MG), neto pelo lado paterno de Francisco de Azevedo (n. freg. de Vila do Chã e filho de Domingos Fernandes e Domingas de Azevedo) e de Maria Antônia Lourença (n. da mesma freg. do marido e filha de João Lourenço e Maria João) e, pelo lado materno de Christóvão de Faria (nat. de Alpiarça, Santarém, Portugal, casado em 19-02-1739 na freg. de N. Sra. do Pilar/MG e filho de João de Faria e Maria Álvares) e de Esperança Josefa da Silveira (nat. freg. de N. Sra. do Rosário da Vila Nova do Topo, ilha de São Jorge, Açores e filha de Manuel Teixeira da Cunha e Maria do Rosário Teixeira).
José Antônio foi forte comerciante e comendador, tendo vindo para o Rio Grande do Sul por volta de 1800/1810, mas antes passado pela Corte do Rio de Janeiro. Lá, conheceu D. Ana Maria de Jesus, cuja filiação se desconhece, com quem não casou, apenas teve com ela as filhas naturais: Emerenciana Antônia de Azevedo e Teresa Antônia de Azevedo.
Em 15 de outubro de 1825 José Antônio ingressou como irmão da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, tendo sido o 73 irmão na ordem dos 200 primeiros, cujo "posto" era privilégio da aristocracia gaúcha. Por ocasião de seu juramento perante a Mesa da Santa Casa, assim fez constar o registro respectivo: "No mesmo dia, mês e anno e Cidade retro declarado entrou de Irmam da Santa Caza desta Cid., digo de Irmam da Santa Caza de Mizericordia desta Cidade, o Snr. Capitam Jozé Antonio de Azevedo, solteiro, de idade de 51 annos, natural da Villa da Campanha da Princesa na Província de Minas Geraes do Imperio do Brazil, Filho Filho legitimo de Joam Antonio de Azevedo e D. Ignacia Antonia da Silveira, aquelle natural de Portugal, esta da mesma villa da Campanha da Princesa. Neto pela parte materna de Cristovão de tal, e Esperança Josefa da Silveira, e pela parte paterna ignora os nomes de seus avós, por ter sahido da dita sua Patria de tenra idade. Declarou o mesmo irmão viver do seu negócio e dos rendimentos dessas fazendas ...". (Fonte: livro 1 da Irmandade da Santa Casa, pp. 8 verso/9, n. 73, CHC Santa Casa).
Pelo que as pesquisas apontam, o Comendador José Antônio de Azevedo foi muito bem sucedido comerciante, muito provavelmente em razão do tráfico de escravos que exercia. E isso se constata facilmente de seu inventário, no qual arrolados como bens, além de outros, exatos 132 (cento e trinta e dois) escravos, além dos seguintes:
- uma casa com dois sobrados e cinco portas na frente situada em frente da Praça da Alfândega (em Porto Alegre);
- outro sobrado com três portas na frente, defronte a mesma praça;
- uma dita térrea na Rua da Bragança, com uma porta e duas janelas, fundos para a Rua do Rosário;
- uma dita térrea no largo do Paraíso;- um terreno na rua da Ponte, dividida por um lado com casa de José Antônio Machado Ourique;
- um terreno na rua da Praia;
- um dito no Riacho;
- um dito na Rua da Bragança;
- uma chácara com uma casa de morar e arvoredos em São Domingos da Vila Real da Praia Grande, Rio de Janeiro;
- uma sesmaria de meia légua quadrada nas margens do Rio Paraíba, na parage de São João do Mar de Espanha, freguesia de Inhomirim Serra acima, no caminho de Minas (MG), na província do RJ, indevidamente na partilha de Maximiano Antônio de Azevedo;
- umas terras na ilha da Ponta Rosa, no Rio Guaíba;
- terras e águas minerais, terras de cultura e campos de criar, e partes em diversas casas que coube ao falecido por herança de seus pais e seu irmão Faustino José de Azevedo, em MG;
- uma fazenda de cultura denominada N. Sra. da Conceição com um potreiro intitulado do Fraga, com animas, alambiques, casas, senzala, moinho de água, atafona; - uma chácara sita na margem do Rio Gravataí com casas de morar, olaria, forno, senzala, animais;
- uma estância denominada de São José de "Corral' de Pedras, sita entre o Rio Santa Maria e Ibicuí, em Cachoeira, com animais (é a conhecida Fazenda de Curral de Pedras no Rio Grande do Sul);
 - outra dita denominada Grapuá ou Erapuá, em Cachoeira, com animais.
O inventário foi autuado em 15 de janeiro de 1833, alguns anos depois da morte de José Antônio, que se deu em 10 de junho de 1830, quando contava 57 anos de idade, tendo sido sepultado no cemitério da Catedral de Porto Alegre. As únicas herdeiras foram as filhas Emerenciana e Teresa Antônia, tendo sido a partilha feita de modo amigável.
A primeira filha, Teresa Antônia de Azevedo nasceu por volta de 1807 em Porto Alegre, onde se casou a 13 de agosto de 1828 com José Luiz de Azevedo, tendo sido "dispensados do impedimento no segundo grau igual e terceiro desigual por linhas colaterais". José Luiz nasceu em 1799 na Campanha da Princesa ou na freg. de Santo Antônio do Valle/MG, filho de Luiz Antônio de Azevedo (tio de José Antônio de Azevedo, eis que irmão de João Antônio de Azevedo) e de Ana Josefa Dias da Silveira, neto materno de Domingos Dias Chaves e de Inácia Antônia da Silveira (esta mãe do comendador José Antônio da Silveira). Do casamento de Teresa e José Luiz houve: José, Luiz, Ana, Maria, Teresa e Josefa de Azevedo, nascidas em Porto Alegre.
Assim como seu cunhado e sogro, José Luiz também ingressou na Irmandade da Santa Casa em 14 de março de 1841, quando declarou ser natural de Minas Gerais, de profissão proprietário e fazendeiro, filho de Luiz Antônio de Azevedo e Ana Josefa Dias da Silveiera, 42 anos, c/c Teresa Antônia de Azevedo, n. RS, com 34 anos. (Fonte: livro 1 de Irmãos, p. 131v, n. 279 - CHC Santa Casa).
A segunda filha, Emerenciana Antônia de Azevedo, nasceu por volta de 1810 na Corte do Rio de Janeiro e faleceu em Porto Alegre a 22 de setembro de 1858. Aqui também se casou com o Capitão Manuel Faustino José Martins, natural da mesma vila do Chã, Vizeu, Portugal, onde nasceu por volta de 1799 e faleceu em 1856 em Porto Alegre, sendo filho de Custódio José Martins e Ana Maria Simões.
A respeito do capitão Manuel Faustino José Martins, descobriu-se no site do Arquivo Nacional ("Movimentação de Portugueses no Brasil - 1808-1842") as informações seguintes: Manuel Faustino José Martins, estatura ordinária, rosto comprido, barba bastante, sobrancelhas delgadas, naturalidade: Porto, 31 anos; destino: Rio Grande, por Santa Catarina, data do registro: 15/11/1821, códice 422, vol. 3- p. 216: Obs: acompanhado de sua mulher Emerenciana Pulquéria de Azevedo. Além disso, assim como seu sogro, o Capitão Manuel Faustino José Martins também foi irmão da Santa Casa de Porto Alegre, ingressando em 16 de novembro de 1831, quando declarou sua naturalidade, filiação, assim como de sua esposa, contava com mais de 40 anos e vivia de seus negócios. (Fonte: livro 1 de Irmãos da Santa Casa, p. 76, CHC da Santa Casa)
Sete foram os filhos do Cap. Manuel Faustino José Martins e Emerenciana Antônia de Azevedo, os quais deixaram larga e conhecida descendência. Seguem-se seus nomes:
1. Ana de Azevedo Martins, nascida em 08-10-1823 em Porto Alegre e falecida em 29-12-1886 na Estância do Curral de Pedra em Rosário do Sul. Foi casada com o seu primo José Luiz Cardoso de Salles, mais tarde Barão do Irapuã, nascido em 1815 na Campanha da Princesa/MG e falecido a 29-04-1888 no Rio de Janeiro, filho do Cap. Antônio Luís Cardoso e Escolástica Vitória Rodrigues da Silveira.
2. Dionísio de Azevedo Martins, nascido em 02-09-1831 em Porto Alegre, onde casou-se a 28-07-1856 com Ana Gonçalves Pires, filha de Eduardo Pires da Silveira Casado e de Maria Helena Gonçalves da Silva. Deste casal houve cinco filhos: Philomena Pires Martins (c/c Arnond Gauland), Eduardo Pires Martins (c/c Francisca Ataliba Gonçalves Pires), Dionísio Pires Martins (c/c Carlota Salazar de Andrade), José Pires Martins (c/c Mercedes de Oliveira Lessa) e Maria da Glória Pires Martins (c/c Antônio Joaquim Gonçalves Pires e, depois, com Júlio Pereira de Faria).
3. Manuel de Azevedo Martins, nascido a 07-11-1834 em Porto Alegre, onde faleceu no mesmo ano.
4. Lucinda de Azevedo Martins, nascida em 1841 na freg. de São João do Rio de Janeiro/RJ, e falecida em 27-04-1897 em Porto Alegre, onde casou-se em 24-07-1856 com Antônio Rodrigues de Carvalho, natural de Baependi, MG, e pais de Antônio Rodrigues de Carvalho Júnior (que dá nome à rua Antônio de Carvalho em Porto Alegre, e avó, por sua vez, de Sarah Carvalho c/c Glauco Laureano Brasil, meus tios avós).
5. Mariana de Azevedo Martins, em 1858 era viúva.
6. Emerenciana de Azevedo Martins casada com Bento José de Lima.

7. José Antônio de Azevedo Martins casado com Sabina Ribeiro Martins de Lima.

Fontes:
- Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA);
- Arquivo Nacional do Rio de Janeiro;
- Arquivo particular de Jorge Godofredo Felizardo (AHCMPA);
- Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APRS);
- Centro Histórico Cultural Santa Casa de Porto Alegre (CHC);
- Arquivo pessoal de Marta Amato (in Povoadores dos Caminhos do Ouro, vol. II - SP), Sílvia Bruttos (Gen-Minas), Maria Ângela Lagoa (Gen-Minas), João Simões Lopes Filho (RJ) e Suzana Dihl.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Poesias de Mário da Silva Brasil


Caridade



A noite era fria,
Lá fóra chovia
E o vento gemia
Em ancias de horror,
E quedo eu estava
Porque meditava
Porque contemplava
Da noite o negror.

Passado um momento
Rugia inda o vento
Com furia e no intento
De tudo arrazar;
Coriscos luziam,
Mil raios cahiam
E as nuvens corriam
Como ondas no mar.

Porem, de repente,
Rajada potente
Lançava, fremente,
Por terra e sem dó
Alguém, desgraçado,
Que o misero fado
Havia arrojado
No mundo tão só.

De garras tyrannas,
Crueis, deshumanas,
De furias insanas
O triste arranquei,
Fugindo aos castigos
Dos raios imigos,
E exposto aos perigos
Que muito affrontei,

Embora a temer
E exposto a soffrer.
Mas manda o dever
Aos pobres livrar
Dos males da vida
Cruel e renhida
Pra doce gurida
E amparo lhes dar.


Santa Maria, 11-12-1909.

domingo, 16 de novembro de 2008

Poesias de Mário da Silva Brasil

Vingança

Tormento infindo já me abala a mente
Cansado apenas pela magoa audaz
Que me apavora, sem me ser clemente,
A ingrata jovem que meus males traz!

E que tortura, que soffrer patente
Meus curtos dias num minuto faz!
Mas tu, ingrata, do amor meu descrente
Mais do que eu inda padecer irás!

Esta é a vingança que só espero um dia
Ver preparada pelas mãos de Deus,
Porque baixando a uma campa fria

Verei extinctos todos males meus;
Si embora goses a paz e alegria,
Teus males inda vir-te-ão dos céos.


Publicado em 13-06-1909, Jornal Popular.
***

A Natureza


No mundo existe um ser que nos domina,
Existe um ser, um ser puro e potente
Que a terra rege, e rege o mar fremente,
O mar airoso que a ninguém se inclina.

O sol doviado que nos illumina,
Os homens todos a esse ser ou ente
Devem sua origem, si dareis somente
Credito á Historia dessa mão divina.

Poder supremo que nos é invisível
Móra por certo nesses altos céos,
Mas a obra sua que nós é visivel

Crêr-nos faz nelle com real certeza;
Pois que o invisivel é o bondoso Deus
E o ser visivel se diz – Natureza!


Santa Maria, 25-07-1909, publicado no Jornal Popular.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Oficina de Genealogia: Noções básicas de Genealogia e Paleografia

Oficina de Genealogia: Noções básicas de Genealogia e Paleografia
O Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul - INGERS - em parceria com a Oficina das Origens realizará a: Oficina - Noções básicas de Genealogia e Paleografia, a fim de proporcionar elementos técnicos que auxiliem a coleta, leitura, análise e interpretação de dados na elaboração da genealogia familiar.
A oficina terá como público alvo os iniciantes em genealogia, pois se demonstrará como e onde pesquisar, além de analisar alguns dos diversos documentos que dão base à pesquisa, explorando as informações que um registro de batismo, casamento ou um inventário, por exemplo, oferecem, abordando-se também a questão da paleografia.


Oficina - Noções básicas de Genealogia e Paleografia
Data: 29/11/2008, das 9:00 às 17:00 horas (sábado)
Local: Rua Vigário José Inácio, n.º 371 (Galeria do Rosário)
Sala 1420 - Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul
Investimento: R$ 40,00 e R$ 35,00 (para os sócios do INGERS)
Vagas limitadas.
Maiores informações e inscrições escreva para
oficinadasorigens@gmail.com

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Alemães no RS: Os Fischer (3ª parte)

Alemães no RS: os Fischer (3ª parte)
João Guilherme Fischer um arqueólogo e diplomata

autoria de Diego de Leão Pufal

***
João Guilherme Fischer, conhecido como Jango Fischer, nasceu no dia 09 de setembro de 1876 na cidade de Santa Maria no Estado do Rio Grande do Sul e faleceu aos 02 de fevereiro de 1952 no Rio de Janeiro. Era filho de Guilherme Fischer e Christina Holzbach, tratados nas postagens anteriores (Os Fischer I e II).

Pelos anos de 1902 e 1903 "Jango Fischer recolhe num dos jazigos da Alemoa, atualmente quilômetro 3, restos do primeiro réptil terrestre fóssil da América do Sul, o Scaphonyx Fischeri, determinado por Artur Woodwward, do Museu Britânico. O material foi enviado a von Ihering, diretor do Museu Paulista, que o remeteu a Woodward. Jango Fischer era filho do boticário Guilherme Fischer. Nasceu em S. Maria a 09.09.1876. Técnico-rural pela Escola de Agricultura e Vitivinicultura de Taquari em 1894 e engenheiro-agrônomo pela mesma em 1898. Essa escola foi fundada pelo médico baiano Aurélio Benigno de Castilho e instalada em 29.10.1891. Teve pouca duração. Depois formou-se em farmácia e medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Não seguiu nenhuma dessas carreiras, ingressando na diplomacia. Foi vice-cônsul em Cobija, Chile, em 1909; serviu no gabinete do Barão do Rio Branco até 1911; em Paris de 1911 a 1934 e no Itamarati de 1934 a 1944. Morreu no Rio de Janeiro, no Hospital dos Servidores do Estado, em 02.02.1952. Foi mais um dos santa-marienses que, galgando posições, esqueceu a terra natal", conforme escreveu Romeu Beltrão (in Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto Município de São Martinho, Canoas: La Salle. 2. ed, 1979, p. 432).
***
O Dr. João Fischer casou-se com D. Jeanne Marie Leónce Dufor, nascida em 1903 possivelmente na França e falecida no ano de 1993, com quem teve a única filha: D. Cristina Rose Marie Dufor Fischer, casada que foi com o Desembargador (do TJDF) Geraldo Irinêo Joffily (natural de João Pessoa e falecido em 1985 no Distrito Federal, filho do também Desembargador José Irinêo Joffily e de D. Sara Paes Barreto, cujas genealogias podem ser encontradas no sítio http://joffily.free.fr/~cariri/arvorefr.htm). Do casamento de D. Cristina e do Dr. Geraldo não houve descendência.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Alemães no RS: Os Fischer (2ª parte)

Alemães no RS: os Fischer (2ª parte)

autoria de Diego de Leão Pufal

Conforme referido na postagem anterior sobre os Fischer, um dos ramos da família, de "Wilhelm", estabeleceu-se em Santa Maria da Boca do Monte. Nesta cidade, Guilherme teria sido proprietário da primeira botica, denominada: Pharmacia e Drogaria Fischer, localizada na Rua do Acampamento. O historiador Romeu Beltrão em sua obra (Cronologia Histórica de Santa Maria e do Extinto Município de São Martinho - 1787-1930. Canoas: Lasalle, 1979, 2. ed., pp. 221/222) contou mais detalhes e "estórias" de nosso personagem:
(***)
"Maio, 07 ou 27 - Guilherme Fischer obtém da Câmara de Vereadores licença para abrir farmácia na esquina sudoeste da Acampamento com a Pacífica, depois rua do Comércio e hoje Dr. Bozano. Passará à história santa-mariense com o nome de `Farmácia do Fischer` e funcionará no mesmo local até 1915.
Fischer apresentou à Camara uma licença da Diretoria da Saúde Pública de Porto Alegre para poder negociar com produtos farmacêuticos. Estava estabelecido no local com selaria e correaria e resolveu também vender remédios. Sua farmácia e drogaria tinha de tudo, até remédios ... Certo dia, alguém foi à sua farmácia em procura de anzóis de vidro, para dar um trote no Fischer. Este não se perturbou. Foi a uma prateleira e voltou com uma caixa de anzóis de vidro de vários tamanhos ...
Era muito espirituoso e tinha resposta pronta para tudo. Tinha fama de careiro e, quando alguém reclamava, costumava dizer: - O que é bom é caro. Remédio legítimo custa mais caro do que o falsificado. Se prefere o mais barato vá comprar no Felipe.
Felipe Borgna era seu concorrente e os dois boticários da vila andavam sempre de ponta.
Também aviava receitas, mas a seu modo, impingindo qualquer sucedâneo, quando não possuia o ingrediente pedido só para não deixar de vender.
Não acreditava em homeopatia e atendia a qualquer pedido de remédios homeopáticos, enchendo os vidrinhos na mesma torneira do depósito d'água, porque, para ele, `homeopatia era simpatia`.
Vendia até água benta e água milagrosa da Fonte de Santo Antão, também tirados do mesmo depósito.
Tirava dentes, vendia cangalhas, livros e revistas, tendo sido, segundo creio, o primeiro livreiro que teve Santa Maria. Também vendia ovos frescos e manteiga ...
Deixou o `velho Fischer`vasto anedotário, como se poderá ler em DAUDT FILHO, Memórias, 3 edição, pág. 261 e seguintes.
Costumava fazer viagens freqüentes a Porto Alegre, conduzindo carretas e cargueiros constituídos por mulas e cavalos. Levava produtos locais, aceitava encomendas de comerciantes e de lá trazia mercadoria para si e outros negociantes. Foi um precursor do transporte de cargas entre a vila e a capital.
Era protestante, chegando a ocupar a presidência da comunidade luterana local, mas não deixava de emprestar colaboração às obras católicas, tendo sido até presidente da comissão construtora da Capela ou Império do Divino, segunda matriz que teve S. Maria, localizada à esquina sudoeste da avenida Rio Branco e rua dos Andradas de hoje. Isso aconteceu no ano em que foi festeiro ou ìmperador da Festa do Divino. Foi assim, também, um precursor do ecumenismo.
Morreu quando em viagem de recreio à Alemanha. Então sua farmácia e `empório` passou à propriedade de sua filha Concórdia, casada com o jornalista Garibaldi Felizola, pouco durando após a morte do inefável boticário, sobre cuja vida se poderia escrever um vidro."
(***)
Como se vê de uma nota fiscal passada pelo estabelecimento comercial de Guilherme a Frederico Schmidt, em 1881, Fischer efetivamente aviava receitas, além de vender vinho do porto - ou para tratamento médico ou como produto de seu "empório" -, dentre outras mercadorias. Como curiosidade, sua farmácia estava: "Aberta de dia e de noite a qualquer hora", onde "Aprompta-se receitas com aceio, exactidão e por modico preço".


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Poesias de Mário Brasil

Porque Padeço

Si no mundo gozei doces venturas,
Porque soffro, meu Deus, nesse momento?
Não terei refrigerio em meu tormento,
Nem consolo nas minhas amarguras?

Aonde foram prazeres e doçuras.
Que na vida gozei, da mágoa isento?
Qual a causa de tanto soffrimento
E o motivo de minhas desventuras?

Soffrimentos, prazeres, dores, tudo,
Atormenta-me a vida e eu, sempre mudo,
Sem nada do que soffro confessar ...

Mas vejo que esta magua não minória,
E por isto, sim direi, me, sem demora;
E’ porque não me queres mais amar!

Santa Maria, 14-3-1909.
***

Em Nossa Ausência
(À Senhorita M.Z.B.)

Teus olhares são tão fascinadores
E tua bocca é tão meiga e formosa,
Que en tua face tens a côr da rosa
E no teu coração os meus amores.

E no meu triste peito eu tenho dores,
Por não te poder vêr oh flôr mimosa!
E na hora em que te vi, oh vez ditosa!
Que em nossos corações nasceram flôres.

E agora que ellas crescem e vicejam,
Nunca mais eu as deixarei morrer
E ainda que meus olhos não te vejam,

Meu coração está sempre a te ver,
Pois nosso amor tem chammas que fiammejam
Que em meu peito não há de perecer.

Santa Maria, -1907- Publicado no jornal O DIA.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Alemães no RS: Os Fischer (1ª parte)

Alemães no RS: os Fischer (1ª parte)

autoria de Diego de Leão Pufal

Vários foram os ramos da família Fischer emigrados para o Rio Grande do Sul, mas aqui apenas cuidarei daqueles vindos de Birkenfeld e Kusel Pfalz no Reno Palatinado, Alemanha, a iniciar por Guilherme Fischer.
Wilhelm Fischer (no Brasil: Guilherme Fischer) nasceu a 16 de julho de 1835 na cidade de Wolfersweiler, Birkenfeld, Alemanha e faleceu a 24 de maio de 1918 em Petrópolis no Rio de Janeiro. Era filho de Johann Isaac Fischer, nascido em Kusel-Pfalz, Alemanha e de Sophia Frederica Mayer, nascida em Nohfelden, que ao que parece não emigraram para o Brasil, mas apenas Guilherme após o ano de 1853. Aqui se estabeleceu primeiramente em Porto Alegre, tendo depois se radicado na cidade de Santa Maria (da Boca do Monte), onde no ano de 1865 já estava com uma botica, denominada Pharmácia e Drogaria Fischer. Desta mencionada cidade foi o seu primeiro farmacêutico, tendo também sido presidente da Primeira Diretoria da Comunidade Evangélica de Santa Maria em 13 de abril de 1866, fundador da Sociedade Deutscher Hilsfvereim (SA de Socorro ou Assistência) no mesmo ano de 1866, além de agente consular da Alemanha.

Guilherme Fischer por volta do ano de 1910/1915,
foto passada por sua descendente Perla Delambert Filizzola.
***
Guilherme casou-se duas vezes, a primeira em 22 de novembro de 1868 em Santa Maria com Augusta Guilhermina Nessnass, nascida em 1835 na Alemanha e falecida a 05 de agosto de 1870 em Santa Maria, filha de Johann Gottlieb Nessmass e Wilhelmine Schneider, com quem teve a filha: Adelhaide Fischer, nascida em 1856 em Porto Alegre e casada a 11-01-1875 em Santa Maria com Wilhelm Luiz Richard Keunecke, ou apenas Ricardo Keunecke, nascido em 1831 em Offleben, Niedersachsen, Alemanha, filho de Anton K. e Laura Meyer. Em segundas núpcias Guilherme casou a 06 de setembro de 1873 em Santa Maria com Christina Holzbach, nascida em 1849 em Santa Maria, onde faleceu a 29 de abril de 1900, filha de Johann Holzbach e Christina Feldmann. Deste casamento houve:
F1- Concórdia Christina Fischer, n. 02-09-1874, Santa Maria e fal. 07-08-1958, Curitiba/PR. Casou-se com José Garibaldi Filizzola, tendo apenas um filho: Mânlio Garibaldi Fischer Filizzola.
F2- João Guilherme Fischer (Jango), n. 09-09-1876, Santa Maria e fal. 02-02-1952 na cidade do Rio de Janeiro. Ali casou-se com Jeanne Marie Leónce Dufor, com quem teve a única filha: Cristina Rose Marie Dufor Fischer.
F3- Celina Setembrina Fischer, n. 21-09-1878, Santa Maria, onde casou em 1902 com o seu primo Ludwig Friedrich Wilhelm Presser, n. 27-12-1871, São Leopoldo, filho de Wilhelm Ludwig Presser e Amalie Christiane Panitz, com quem teve um único filho: Guilherme Fischer Presser.
F4- Glória Leopoldina Fischer, n. 21-05-1883, Santa Maria, onde casou a primeira vez com Joaquim José de Souza Breves Filho, n. 28-07-1878, Rio de Janeiro, filho de outro do mesmo nome e de Justina de Oliveira Belo, com quem teve três filhos: Romy, Ainda e Paulo Breves. Após, Glória casou-se com Guilherme Occurtt.
F5- Guilherme Fischer, n. 25-04-1891, Santa Maria. Sem mais notícias.

A "Pharmacia e Drogaria Fischer" em Santa Maria, postal
repassado pelo pesquisador José Antônio Brenner de Santa Maria.
***
Alguns irmãos de Guilherme Fischer também emigraram para o Brasil, como: Sophie Carolina Antonieta Fischer e Christian Fischer (o conhecido Cristiano Fischer), todos seguindo os passos do tio Friedrich Philipp Fischer, emigrado em 1846 para o Brasil e estabelecido com a mulher e filhos na região de Taquara e Três Coroas no Rio Grande do Sul. O último é meu ancestral, cuja biografia será tratada oportunamente.
***
Agradecimentos: Perla Delambert Filizzola e Prof. José Antônio Brenner.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sites Genealógicos

SITES GENEALÓGICOS

Com o crescente interesse na busca das origens, a internet tornou-se uma ótima fonte de pesquisas. Muitos são os sites que cuidam da matéria, alguns com a história e genealogia de determinadas famílias, outros com genealogias completas de locais, afora os bancos de dados que sempre e muito auxiliam no encontro dos nossos. Hoje, muito diferente de dez anos atrás, é possível pesquisar, por exemplo, vários documentos franceses originais on line ou encontrar índices e transcrições de registros católicos e evangélicos realizados na Rússia ou Portugal a partir do século XVIII. Já as listas de discussão em genealogia, classificadas geralmente pela região do país ou pela etnia, podem também ser bem proveitosas, não só pelo contato com outros interessados no assunto, mas também pela troca de informações e experiências. Em razão disso, relaciono alguns sítios interessantes que podem, eventualmente, trazer subsídios à pesquisa:



INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS

http://catalog.crl.edu/search/ (site de universidade americana, no qual é possível pesquisar diversos documentos antigos brasileiros, a exemplo dos Relatórios das Províncias).
http://www.apers.rs.gov.br/portal/index.php (do Arquivo Público do RS; permite a pesquisa on line de habilitações de casamento de alguns dos municípios do Estado, bem como documentos de escravidão, afora outros documentos).
http://www.cbg.org.br/ (Colégio Brasileiro de Genealogia, além de algumas genealogias apresentadas, conta com acervo genealógico e biblioteca)
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do (do Governo Federal, onde disponibilizadas várias obras literárias que caíram em domínio público, sendo permitido baixar na íntegra o documento original).
http://www.familysearch.com/ (site da igreja mórmon; além do banco de dados existente, é possível verificar números de microfilmes para pesquisa nos CHF respectivos, bem como baixar o programa exclusivo de genealogia “PAF – Personal Ancestral File”).
http://www.gencircles.com/ (busca de sobrenomes em geral).
http://www.genealogy.euweb.cz/ (genealogias reais do mundo).
http://www.geneanet.org/ (buscas de sobrenome em geral, mas com predominância de linhas francesas e alemãs).
http://www.ingers.org.br/ (Instituto Genealógico do RS – conta com uma biblioteca específica e/ou relacionada com assuntos genealógicos, além de ter um considerável banco de dados).
http://www.ingesc.org.br/ (Instituto Genealógico de SC).
http://www.kuijsten.de/navigator/brazil/ (busca automática em vários sites de sobrenomes)
http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/servicos/pesquisa/pesquisa.asp (possibilita ao pesquisador a busca de sobrenomes dos imigrantes ingressos na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo).
http://www.museuhistoricosl.com.br/index.cfm (Museu Histórico de São Leopoldo)
http://www.rootsweb.com/ (busca em geral de sobrenomes).
http://www.mj.gov.br/CartorioInterConsulta/index.html (possibilita a pesquisa dos endereços e cartórios de todo o Brasil).

LISTAS DE DISCUSSÃO

http://br.groups.yahoo.com/group/RS-Gen (RS-Gen – lista com a proposta de discutir genealogia e assuntos relacionados ao Rio Grande do Sul, com muita atividade).
http://br.groups.yahoo.com/group/sc_gen (SC_Gen – lista com a proposta de discutir genealogia e assuntos relacionados a Santa Catarina, com muita atividade).
http://br.groups.yahoo.com/group/poloneses (grupo de discussão relacionado à genealogia/história e costumes dos poloneses).
http://br.groups.yahoo.com/group/SobrenomesItalianos (grupo relacionado à genealogia/cidadania/história dos italianos).
http://br.groups.yahoo.com/group/Franceses_no_RS (grupo voltado ao estudo dos imigrantes franceses)
http://br.groups.yahoo.com/group/imigracaoalema (imigração alemã)

CEMITÉRIOS E SITES PESSOAIS


http://cemiterios.genealogias.org (com apresentação dos sepultados nos cemitérios São José e São Miguel e Almas de Porto Alegre)

FRANÇA

http://bdebreil.free.fr/ (fórum de discussão, dentre outros).
http://www.apellidosfranceses.com.ar/ (além de contato com outros pesquisadores, este site proporciona a pesquisa de documentos originais de algumas cidades da França, dentre outros).


REGIONAIS

http://www.geocities.com/nestorsamelo/gp/genpaulistana.htm (site que disponibiliza a Genealogia Paulistana, de Silva Leme, em sua integralidade).
http://br.geocities.com/projetocompartilhar2/ (listagem e teor de alguns inventários e testamentos existentes no Arquivo Público de SP).
http://us.geocities.com/lscamargo/index.html (Paraná, SC, e RS)
http://valdenei.silveira.googlepages.com/genealogiatropeira (além de outras indicadas outras páginas de genealogia, pode-se baixar A Genealogia Tropeira, que estuda notadamente famílias da região das Missões – RS).


POLÔNIA


http://www.braspol.com.br/ (Comunidade voltada à representação polonesa no Brasil).
http://www.cekaw.org/ (Centro de Estudos Karol Wojtyla – relacionado à cultura, história e genealogia dos poloneses).
http://www.eko-moc.webpark.pl/angielsko_polski_iwa/a_b_c/ (dicionário polonês x inglês)
http://gen.genealogiapolska.pl/ (busca de sobrenomes poloneses)
http://www.polonesesnobrasil.com.br/ (site muito diversificado, com fins à genealogia e cultura em geral dos poloneses).
http://www.rootsweb.ancestry.com/~ukrgs/volhynia/ (há os registros de batizados, casamentos e óbitos da região da Volínia, antes Rússia, hoje Ucrânia, com muitos nomes alemães e poloneses).
http://www.ditel.pl/ (lista telefônica da Polônia)

ALEMANHA


http://www.rootsweb.com/~brawgw/alemanha/Links_alemanha_brasil.htm (além de diversos endereços de outros sites relacionados com a imigração alemã, há arquivos e outras informações)
http://www.coloniasantoangelo.com.br/ (referidos os primeiros colonos da Colônia de Santo Ângelo, em sua grande maioria prussianos e pomeranos).
http://www.angelfire.com/nf/tu/primeirasfamilias.html (primeiras famílias evangélicas estabelecidas em Estância Velha).
http://www.ortsfamilienbuecher.de/ (Livros de Famílias on line)
http://www.saxonyroots.com/saro.php?lan=en&cat=5&body=ships/ships.php (lista de passageiros alemães)
http://www.wappenbuch.de/ (páginas de brasões alemães)


ITÁLIA


http://www.apellidositalianos.com.ar/ (site com lista de discussão, índice de sobrenomes, dicas de pesquisa, dentre outros).
http://www.comuni.it/ (possibilita contato direto com as prefeituras – registro civil - de algumas cidades da Itália).

http://www.massolindefiori.com.br/


PORTUGAL

http://www.arquivodosacores.com/
http://www.arquivo-madeira.org/index.php (há os índices dos registros eclesiásticos de todas as freguesias da ilha da Madeira)
http://www.neps.ics.uminho.pt/ (site com genealogias de algumas freguesias das ilhas dos Açores e do Continente)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Família Leão e a Revolução Farroupilha

A Família Leão e a Revolução Farroupilhaautoria de Diego de Leão Pufal


O dia 18 de setembro de 2008 marca os 169 anos do falecimento dos irmãos Francisco José de Leão (Chico Leão) e José Manuel de Leão (Juca Leão), assassinados pelo Barão do Jacuí, Francisco Pedro de Abreu, na madrugada do dia 18-09-1839, em plena Revolução Farroupilha.

Chico e Juca Leão nasceram, respectivamente, em 01-02-1787 e 03-07-1788 em Laguna em Santa Catarina e eram filhos do tenente-coronel Manuel José de Leão e de Antônia Maria de Jesus. Pelo ano de 1801 mudaram-se com os pais e irmãos para o Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na região de São Jerônimo, onde o patriarca, Manuel José, era proprietário de uma charqueada no Arroio dos Ratos e uma ilha defronte a ela, denominada ilha da Paciência. Os filhos seguiram a profissão do pai, além de criadores, foram prósperos comerciantes e charqueadores da região, tanto que, segundo alguns, o nome do atual município de Charqueadas originou-se da charqueada ali mantida por José Manuel de Leão, cuja sesmaria teria sido concedida no ano de 1816.

Com o início da Revolução Farroupilha, Juca Leão foi designado Coronel da Legião de Triunfo (em 1831), conforme referiu Aurélio Porto (in Processo dos Farrapos. Arquivo Nacional, vol. I, pág. 402), cuja atuação foi descrita pelo Dr. Sebastião Leão (Coruja Filho) (neto de Juca Leão) (in Datas Rio-Grandenses, publicada pela Secretaria de Educação e Cultura, Porto Alegre: Livraria do Globo, 1962, p. 293):
Em um diário de 1839, publicado no Anuário do Dr. Graciano de 1885, lê-se: `A expedição de cavalaria atacou a charqueada de Juca Leão e, depois de matar a este e seu irmão Chico e outros, surpreendeu uma guarda daquele, dos quais matou cinco e aprisionou oito, e apreendeu 100 cavalos e algum gado`.Em uma nota, diz o cronista do Diário:`Juca Leão era pai do conhecido negociante de Porto Alegre José Manoel de Leão`.`Comandavam a expedição legalista o Barão do Jacuí.O velho Coronel José Manoel de Leão, amigo dedicado de Bento Gonçalves e David Canabarro, como tantos outros chefes republicanos, sacrificou toda a sua fortuna e a sua vida pela causa nobre da liberdade.Declarada a revolução, Juca Leão, então abastado charqueador em São Jerônimo, deu liberdade a mais de 100 escravos e com eles organizou uma força vestida e armada à sua custa, que prestou valiosos serviços na defesa da instituição republicana`.O Coronel Juca Leão era avô do médico Sebastião Leão.O escritor destas linhas foi criado ouvindo narrar os feitos de Juca Leão, que, sacrificando-se pela defesa de seu ideal político, apenas legou aos seus descendentes um nome honrado.O seu único filho varão, o finado negociante tenente-coronel José Manoel de Leão, possuía alguns documentos importantes sobre a Revolução, encontrados nos papéis de seu progenitor.Em uma época em que se manifestou no Rio Grande do Sul uma epidemia de escritores sobre a Revolução de 35, esses documentos foram emprestados e até hoje ignora-se o seu destino.Razões de ordem particular impossibilitam-me de narrar com detalhes o episódio da morte do Coronel Juca Leão e de seu valente irmão Chico.Outros cronistas poderão aproveitar o fato, que constitui uma das mais extraordinárias páginas dessa epopéia glorioso que se chama a Revolução do Rio Grande.”
Segundo contam os descendentes de Juca Leão, o Barão do Jacuí teria assassinado a sangue frio os irmãos Leão em uma emboscada na madrugada do dia 18-09-1839. Após praticar o ato, fez questão de levar à viúva e à filha pequena de José Manuel o seu poncho todo ensangüentado, inquirindo-as se sabiam a quem pertencia, tendo depois exposto o seu cadáver. Deste ataque ainda decorreram outras mortes, além de “confiscados” animais e pertences outros da charqueada de Juca.

A participação na Revolução Farroupilha da família Leão, embora não revelada nos livros que tratam da matéria, foi um tanto quanto significativa, não só em razão do acima narrado, mas também em virtude das cartas existentes no Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul (em grande parte publicadas nos seus Anais), das quais se extrai o contato direto de José Manuel de Leão com os principais líderes revolucionários, David Canabarro, Bento Gonçalves da Silva, Domingos José de Almeida, Antônio Vicente da Fontoura e outros, bem assim o impacto e a revolta de sua morte dentre os seus pares.

José Manuel de Leão foi casado com Ana Ferreira da Silva, nascida em 23-11-1794 em Porto Alegre e falecida a 19-01-1866 em São Jerônimo, filha de João Ferreira da Silva e Maria Isabel de Azevedo, com quem teve uma única filha chamada Maria Antônia Socorro de Leão, nascida em 13-07-1814 em Porto Alegre e casada em 1846 com Antônio Joaquim Dorneles e Souza, dos quais descendem as famílias Dornelles, Dornelles de Abreu, Prates Dornelles e Dornelles Rebello da região de São Jerônimo, Triunfo, Arroio dos Ratos e região. Juca Leão teve ainda com Mafalda Rita de Jesus mais dois filhos naturais: Maria José de Leão (c/c Francisco Caetano Soares) e José Manuel de Leão, nascido em 12-05-1832 em Triunfo e casado com Maria Emília Carvalho e Souza (nascida a 17-09-1842, Porto Alegre, filha natural de Manuel Joaquim de Carvalho e Souza e Joaquina Flora da Costa), com quem teve dez filhos, com descendência em Porto Alegre; são eles: o Dr. Sebastião Afonso de Leão, acima citado e reconhecido médico, Maria de Leão, Antônio Afonso de Leão, Pedro Afonso de Leão, Tancredo Afonso de Leão, Lucilia de Leão, Ramiro Afonso de Leão, Fernando Afonso de Leão, Branca e Antonieta de Leão.

Francisco José de Leão também foi casado, tendo gerado dezesseis filhos. Foram irmãos também de Juca e Chico Leão: Manuel José de Leão, casado com Clara Fausta de Carvalho e pai de quatorze filhos, e Salvador José de Leão, casado com Antônia Luiza de Lima e pai de seis filhos, dentre eles: João Antônio de Leão (meu tetravô).

Hoje os descendentes dos quatro irmãos Leão encontram-se espalhados por todo o Rio Grande do Sul, notadamente em Porto Alegre, São Jerônimo, Triunfo, Arroio dos Ratos, bem assim em Cachoeira do Sul, Pelotas e São Gabriel.

domingo, 14 de setembro de 2008

Meu penta-avô matou um cara

Meu penta-avô matou um cara
autoria de Diego de Leão Pufal

A pesquisa genealógica nem sempre nos reserva apenas fatos gloriosos e boas histórias dos antepassados. Aquele que se propõe a estudar as suas origens deve estar preparado para todos os tipos de surpresas, desentendimento entre irmãos por razão de herança, traições de todo o gênero, rumorosos casos de amor, enfim histórias e estórias sem fim. Foi assim que na semana passada descobri que um dos meus penta-avôs, por dois costados, assassinou um desafeto.
João Alves de Oliveira, meu quinto avô, foi batizado em 30 de abril de 1820 em Santa Maria, sendo filho de Mariano Alves de Oliveira e de Maria Joaquina do Nascimento e neto de paulistanos, estabelecidos no Rio Grande do Sul ainda no século XVIII. Ali, João casou-se com Ignácia Barbosa, natural de Triunfo e neta de Ignácia Barbosa de Menezes que, por sua vez, era neta de Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos.
Do casamento de João e Ignácia nasceram cinco filhos entre os anos de 1838 e 1849, todos batizados em Santa Maria: Graciano, Benedicto, Olivério, Fidirico e Francisca Alves de Oliveira. O casal e filhos residiam no primeiro distrito deste município, na localidade denominada Passo do Raimundo, na Boca do Monte.
Foi nesse cenário que no domingo de páscoa do ano de 1859, João Alves de Oliveira, saindo de trás de uma coxilha, no Passo do Raimundo, montado em um cavalo e portando uma pistola, desferiu um tiro contra Justo Gonçalves Pereira. Ferido, Justo caiu ao chão, oportunidade em que João sacou uma faca, dando-lhe duas estocadas, levando-o a óbito. Segundo a companheira da vítima, João teria feito uma emboscada e atirado pelas costas de Justo, narrando com trauma o episódio, enquanto as outras testemunhas declararam que o crime foi motivado por vingança, já que Justo teria literalmente espancado - quase até a morte - um filho de João, que não poderia ter mais de vinte anos.
Inquiridas as testemunhas, João foi pronunciado, quando determinada sua prisão. Expedido mandado de prisão, o oficial de justiça foi à residência do réu, em Bom Retiro, 6º quarteirão do 1º distrito de Santa Maria, mas não o encontrou, o que o fez retornar dias após com nove praças, quando também não obteve sucesso. Somente depois de dez anos do acontecido, em 17-11-1869, João Alves de Oliveira foi "encontrado" e preso, quando, pelo seu advogado, alegou que durante esses dez anos sempre residiu em Santa Maria e que, portanto, a prescrição se consumou.
Ouvidas mais quatro testemunhas, dentre elas: Salvador de Souza Leal, Jacob Krebs e Joaquim da Costa Pavão, declararam que João efetivamente residia no Passo do Raimundo há cerca de doze anos, sendo que antes disso residia na Boca do Monte. Já Joaquim da Costa Pavão, então com 66 anos e fazendeiro, declarou que João morava próximo ao Passo do Raimundo, no local denominado Rincão do Sarandi e que durante esse tempo todo poucas foram suas ausências, salvo uma visita à casa do filho Graciano no Cacequi, em São Gabriel, para conhecer sua nora, além de três viagens a Porto Alegre. Depois do depoimento das testemunhas, o Promotor Público concordou com a alegação da prescrição, tendo o Juiz acolhido-a e julgado extinto o processo (processo n. 926, maço 25, Primeira Vara do Cível e Crime de Santa Maria - Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul - APRS).
Da leitura dos autos e considerando a população de Santa Maria em 1859, vê-se obviamente que a não localização de João foi de propósito, talvez justificada pela motivação do crime.
Depois disso, João continuou residindo no Passo do Raimundo, até falecer em 17 de março de 1876, deixando a viúva e três filhos: Graciano, Benedicto e Francisca.
Seu inventário foi autuado em 06 de junho de 1877 em Santa Maria, sob o n. 27 (maço 01, estante 149, cartório cível - APERS), tendo sido inventariante a viúva Ignácia Barbosa e quando arrolados os seguintes bens:
- uma escrava de nome Rita, crioula, com 46 anos, avaliada em 400$000 réis;
- um escravo de nome Miguel, pardo, com 17 anos, avaliado em 900$000 réis;
- 145 rezes mansas de criar, avaliadas no total de 1:740$000 réis;
- 75 rezes xucras de criar, no total de 770$000;
- dois cavalos, "hum lazão e outro Gatiado", os dois avaliados em 56$000 réis;
- cinco cavalos, avaliados em 100$000 réis;
- dois cavalos "mais inferiores", avaliados ambos em 32$000;
- dois potros xucros superiores, ambos avaliados em 32$000;
- 25 éguas xucras, avaliadas em 100$000 réis;
- uma morada de casa com cercados, mangueira, arvoredo e mais galpões, alguns cobertos de capim e todos em mau estado, avaliada em 600$000 réis;
- uma parte de campo e matos que regula ter 500 braças de frente e 1.500 braças de fundo, no primeiro distrito, no lugar denominado Passo do Raimundo, avaliado em 3:000$000 réis.
- uma chácara com um rancho e um pequeno arvoredo tudo em mau estado na Boca do Monte, avaliada em 200$000 réis.
- uma data de matos e capoeiras com laranjeiras, sita na Boca do Monte, avaliada em 1:000$000 réis.
***
Dos filhos de João e Ignácia, apenas três chegaram à idade adulta, que seguem:
F1- Graciano Alves de Oliveira, nascido cerca de 1837 em Santa Maria e falecido em 18-11-1913 em São Bento em Carazinho. Casou-se com sua prima terceira Amélia Lauriano da Silva, nascida em São Gabriel e filha de José Lauriano da Silva e Maria Francisca Alves. Deste casamento houve quatro filhos, nascidos em Santa Maria: Maria Inácia, João, Amália e Claudino Alves de Oliveira.
F2- Benedicto Alves de Oliveira, nascido a 13-01-1838, Santa Maria e falecido a 02-03-1917 na Boca do Monte em Santa Maria, onde também casou-se com Maria Francisca dos Reis, ali nascida em 1839 e filha de Bernardo José dos Reis e Maurícia Clara de Oliveira (segundo o neto Mário da Silva Brasil, Maria Francisca dos Reis seria sobrinha do "Bravo Almirante Barroso", cujo parentesco, todavia, não se conseguiu descobrir). Benedicto foi criador e comerciante no Passo do Raimundo, tendo gerado dez filhos: João Mariano, José Benedicto, Antônio, Maria José, Pedro, Domingos, Valentim, João Inácio, Frederico e Pandonor Alves de Oliveira. A filha Maria José Alves de Oliveira casou-se em Santa Maria em 1888 com José da Silva Brasil e foram pais de Mário da Silva Brasil, meu bisavô (já tratado neste blog).
F3- Francisca Alves de Oliveira, nascida em 1849 em Santa Maria e falecida a 08-10-1936 na Porteirinha, em Dilermando de Aguiar. Ali casou-se a 25-01-1864 com seu primo terceiro, João Lauriano da Silva (irmão de Amélia Lauriano da Silva c/c Graciano Alves de Oliveira, acima citados), nascido em 1840 em São Gabriel, onde também faleceu a 11-10-1871, sendo filho de José Lauriano da Silva e Maria Francisca Alves. Após o falecimento de João, Francisca casou-se com o italiano Próspero Antônio Caetano, deixando no total 14 filhos. Do primeiro casamento de Francisca houve: Maria Laureano da Silva (c/c Pedro Dias de Menezes) e João Laureano da Silva (c/c Placidina Martins Alves e pais de Celina Laureano da Silva, minha bisavó, que se casou com o primo terceiro Mário da Silva Brasil, acima citado). Do segundo casamento houve: Silvino, Plácido, Severo, Secundino, Maria Isabela, João, Jorge, Francisco, Idalina, Maria da Glória, Maria Constância e Galdino Caetano, todos com geração em Dilermando de Aguiar, Santa Maria, São Gabriel e Porto Alegre.
Em 08 de março de 1887 foi autuado o inventário da viúva Ignácia Barbosa (n. 56, maço 02, cartório cível e crime - APRS), constando os seguintes bens:
- uma casa de moradia com galpões, mangueiras, cozinha, cercados de valor e madeiras e arvoredos, avaliada em 800$000 réis.
- um pedaço de campo anexo ao estabelecimento descrito, avaliado em 1.500$000 réis;
- 86 rezes mansas, avaliadas em 946$000 réis;
- 12 éguas - por 36$000 réis;
- 2 potros - 30$000 réis;
- 2 cavalos mansos - 40$000 réis;
- dinheiro existente em caixa: 450$500 réis;
Atualmente, muitos descendentes de João Alves de Oliveira e Ignácia Barbosa ainda carregam o sobrenome "Alves de Oliveira", sendo que outros apenas o "Alves", sem prejuízo daqueles que não mais levam nenhum nem outro, apesar de serem seus descendentes. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O processo de habilitação de casamento como fonte de pesquisas genealógicas

O processo de habilitação de casamento
como fonte de pesquisas genealógicas
(imigração polonesa no Estado do Rio Grande do Sul)

Nas três últimas revistas eletrônicas do Centro de Estudos Karol Wojtyla - CEKAW - tive a oportunidade de escrever sobre a importância da habilitação de casamento como fonte de pesquisas genealógicas. Na edição de fevereiro de 2008 (n. 02) - http://www.cekaw.org/revista/revista_02.php - abordei o conceito e os objetivos deste processo, trazendo uma lista dos feitos realizados em Mariana Pimentel dizente aos imigrantes poloneses, o que se seguiu nas publicações posteriores, porém, referente à colônia de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis. Assim, nas últimas edições, de maio e agosto de 2008, após analisar todos os feitos existentes no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, fiz um pequeno resumo deles, incluindo os imigrantes alemães, russos, austríacos e poloneses que lá casaram, com as informações mais importantes neles contidos.
Nas próximas revistas pretendo dar continuidade a este trabalho, trazendo as últimas habilitações de Veranópolis, do seu distrito de Capoeiras e São João Batista do Herval, atual município de Nova Prata, Mariana Pimentel, Dores de Camaquã, Antônio Prado e São Francisco de Paula.
As revistas podem ser consultas no site: http://www.cekaw.org/revista.php, assim como vários outros assuntos ligados à cultura polonesa (biografias, literatura, estudos e pesquisas, cultura e curiosidades).
***
Índice das últimas revistas do CEKAW:
- Revista I:
Capa
Editorial: Uma homenagem ao papa polonês
Biografia: Feliks Bernard Zdanowski
Genealogia: Alguns aspectos genealógicos da imigração polonesa em Porto Alegre: primeiras famílias
Estudos e pesquisas: Retificação jurídica de sobrenomes
Poloneses em Porto Alegre
Polônia: o nascimento de uma grande nação
Heráldica: O que é heráldica?
Localidades: Lá ainda se fala em polonês
Notícias
Literatura
Curiosidades: Como eram os antigos banquetes poloneses?
***
- Revista II:
Capa
Editorial: Preservação da memória de nossos antepassados
Biografia: Zenon Vicente Galecki
Genealogia: Fontes para a genealogia: o processo de habilitação de casamento
Estudos e pesquisas: Da "Rús Kieviana" até a "Rússia"
Literatura
Cultura: Grupos Infantil e Juvenil da Sociedade Polônia de Porto Alegre: um pouco de retrospectiva 200 7...
Notícias
Curiosidade: Quem descobriu a América?
***
- Revista III:
Capa
Editorial: Uma história que não pode cair no esquecimento
Biografia: Mário Karpinski
Genealogia: Fontes para a genealogia: O processo de habilitação de casamento (II) - Veranópolis
Heráldica: O Brasão do Clã Ciolek
Estudos e pesquisas: O Biuro Szyfrów e a Máquina Enigma
A presença polonesa na colônia de São Marcos
Cultura: Cozinha polonesa
O Dragão de Cracóvia
Banda Coração nativo Polscy Muzykanci
Curiosidades: Cristóvão: o primeiro polonês no Brasil?
***
-Revista IV:
Capa
Editorial: A Polônia de nossos antepassados e dos nossos filhos
Biografia: Michal Chmielewski
Genealogia: Fontes para a genealogia: O processo de habilitação de casamento (III) - Veranópolis
Estudos e pesquisas: O Biuro Szyfrów e a Máquina Enigma (2)
Jan Lukasiewicz e sua lógica de múltiplos valores
Cultura: Wódka
À Deriva
Curiosidade: Os nomes próprios poloneses e a pesquisa da história familiar

Poesias de Mário Brasil


Teu Amor


Nas fimbrias do horizonte rubro, ensangüentado,
Do sol fenece a luz;
Crepuscular clarão mui vago há perpassado...
E a treva se produz.

Reina por toda parte um silêncio profundo
E escuridão sem fim,
Mas um vago lampejo aclára após o mundo
E a treva morre enfim.

E a lua que surgindo bella e illuminada
Se mostra tão faceira
Por sequitos de estrellas lindas cortejada
Na celestial esteira.

E’ella que derrama agora do infinito
Sua luz argentea e pura,
Sua luz, olhar de Deus, sua luz, osc’lo bendito
Tão cheia de candura.

Mas essa luz serena, limpida e prateada
Em breve morrerá
Com o fulvido raiar da fresca madrugada
Que a sobrepujará.

Assim como essa luz também, anjo querido,
Foi teu ardente amor,
Mas como ella perdeu assim elle há perdido
Seu mágico fulgor.

Findou portanto, agora, o fogo da amizade
Que me tiveste, oh flôr,
E a chamma se apagou da minha felicidade
Morrendo o teu amor.

Brotou, mulher querida, a triste desventura
No pobre peito meu,
Porque me arrebataste a unica ventura
Nascida do amor teu.

Oh não me firas mais da ingratidão có a lança
Mulher que sei amar,
Mas dá-me, por perdão, te rogo, uma esperança
Na luz do teu olhar!

Oh, dá-me, não me negues, virgem seductora
O que te peço então,
Porque minh’alma é tua, oh flor encantadora,
E é teu meu coração!

Santa Maria, 27-10-1909.

Colégio Voluntários da Pátria (atual Camila Furtado Alves)

O Colégio Voluntários da Pátria
(atual Escola Estadual Camila Furtado Alves - Porto Alegre/RS)
***
O Colégio Voluntários da Pátria foi fundado no ano de 1915 e localizava-se no Quarto Distrito de Porto Alegre, na esquina da Avenida Voluntários da Pátria com a Rua Almirante Barroso. É de se supor que a Instituição tenha começado com uma pequena turma mista de alunos de várias idades, atendendo a comunidade local e, por conseqüência, alguns filhos de imigrantes poloneses, alemães e italianos, visto que ali residiam. Tal fato vem confirmado pela fotografia que se segue, datada de 1918 ou 1919, na qual retratados 16 alunos, seis homens e dez mulheres, além da professora.


Apenas se conseguiu identificar duas alunas: Josephina Scorcioni (na fila do meio, sendo a quarta da esquerda para a direita) e sua irmã Luiza Pierina Scorcioni (na primeira fila, sendo a sétima da esquerda para a direita), já citadas neste blog em julho de 2008 ("A Família Canova").
A fotografia seguinte foi publicada no livro Rio Grande do Sul, imagem da terra gaúcha, organizado pelo Major Morency do Couto e Silva, Dr. Arthur Porto Pires e Léo Jerônimo Schidrowitz (Porto Alegre: Cosmos Limitada, 1942) e traz o corpo docente do então "Grupo Escolar" Voluntários da Pátria no ano de 1942.





Após, o Colégio, depois Grupo Escolar Voluntários da Pátria, passou a se chamar Escola Estadual Camila Furtado Alves, em homenagem à teatróloga, conferencista, professora e membro da Academia de Literatura Feminina do RS de mesmo nome, funcionando ainda no local originário, porém com a entrada na Rua Almirante Barroso, n. 79, em Porto Alegre/RS.
***
Obs: qualquer informação adicional será muito bem-vinda.


























segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Poesias de Mário Brasil

O Bem e o Mal

Em dois pólos oppostos collocados
Eil-os que surgem. Olham-se calados
Marcham para o combate.
Inimigos terríveis, destemidos,
Nada os impede. Julgam-se offendidos,
É a hora do debate.

Rivaes inconciliáveis, dois gigantes
Intrepidos, ousados e possantes,
De audacia sem igual;
Os seus passos fataes ninguém atalha.
Medem suas forças, fitam-se e à batalha
Decidem-se afinal.

Trava-se então a luta sanguinária,
Indecisa a princípio, é depois vária,
Mas tétrica também,
Porque estes dois leões e contendores
São terríveis rivaes, ameaçadores,
E iguaes no seu desdem.

Horrendo, mais horrendo inda é o combate,
Mas um golpe certeiro ao Mal abate
E rola estatelado!
Triunpho, o prelio é findo! A eterna glória
E a palma soberana da victória
O Bem há conquistado!

Eis agora por terra, ali vencido,
O mal, serpe, hydra, monstro enfurecido
Consigo e sua sorte,
Bradando contra o inimigo, mas em vão,
Porque golpeado foi no coração
E em breve terá a morte.

No momento supremo, o moribundo
Inda envia colírico, iracundo,
Ameaças sem fim
Ao vencedor. Mas tudo é irremediavel,
Pois, fatigado, cála o miseravel
Para morrer enfim!

Santa Maria, 16-10-1909.



***



Na Jaula

Abre-se a jaula. O domador penetra
Fechando a porta calmamente, após,
Embora visse à sua frente um monstro
De hiulcas faces: um leão feróz.

Louco, insensato, dir-lhe-iam todos,
Quando na jaula o desgraçado entrou;
Mas elle achára um coração de pedra
No peito ingrato da mulher que amou!

Eis o motivo que o arrojára a tanto
Sem mesmo apego dar à vida sua;
Luctára embalde e tudo embalde fôra,
Porque sua sorte lhe era triste e crua!

Que lhe importava pois a morte ingrata
Si o que tentára tinha sido em vão?
Morrer, morrer, só lhe restava agora,
Na bocca hiante do feroz leão.

Eil-o pois diante desse monstro horrivel
Ao qual domina com seu nobre olhar,
Fal-o de escravo, mas liberta-o após,
Para a existencia tão cruel findar.

Um salto apenas e o ínfeliz tombava
Dilacerado, sem dizer siquer:
Pude domar um coração de féra
Mas abrandar não pude um de mulher!

Santa Maria, 25-10-1909.

sábado, 23 de agosto de 2008

Poesias de Mário Brasil


15 de Novembro

Foi nesta excelsa data que desfeito
O jogo foi da monarchia: inglória
P’ra um povo forte, valoroso e affeito
A’ lida, às grandes luctas e à victória!

Os nomes dos heróes do magno feito
Refulgirão no mármore da história,
Com luz divina, com soberbo aspeito,
P’ra nossa verdadeira e eterna glória.

Salve! oh bendita terra brasileira,
Oh mãe dilecta de preclaros filhos
É entre todas da América a primeira!

Terra onde medram atos de heroismo,
Berço querido que embalou Castilhos
O pontífice pátrio do civismo!

Santa Maria, 15-11-1909.
***

Luz!

Quanta luz há que brilha pelo espaço,
Derramada dos séos que se balançam
Nas alturas que os homens não alcançam,
Mas que a vista domina a cada passo!

Quanto brilho e fulgor que deixam traço
Dos sentimentos multiplos que dançam
Em nossos corações que não descançam,
Presos da vida ao delicado laço!

Toda essa luz é bella e encantadora
Porque foi feita pela redemptora
Mão desse Deus eterno e poderoso

Que o homem, reverente, adora e crê.
Porém, mais luz dimana do radioso
Invento humano: o fulgido A, B, C!
Santa Maria, 9-12-1909.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ernesto de Souza Leal, meu quarto-avô

Ernesto de Souza Leal, meu quarto-avô

autoria de Diego de Leão Pufal

[acréscimos, dúvidas e correções escreva para diegopufal@gmail.com]
[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: PUFAL, Diego de Leão. Ernesto de Souza Leal, meu quarto-avô)in blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/] 
[atualizado em 30/01/2014]


    Ernesto de Souza Leal nasceu a 10 de julho de 1834 em Triunfo/RS, onde foi batizado a 11 de setembro do mesmo ano, tendo como padrinhos o vigário Francisco de Paula Baptista e D. Ana Gomes de Almeida. Ernesto era filho de Francisco de Souza Leal (*19-11-1794 na freguesia de Nossa Senhora da Victória, Porto, Portugal e +22-03-1856 em Porto Alegre/RS) e de Robéria Maria Rafaela (*27-05-1794 em Rio Grande e +08-12-1840, Porto Alegre).
    O pai de Ernesto, Francisco de Souza Leal, emigrou para o Brasil por volta do ano de 1810-1813 estabelecendo-se no Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos, vindo depois para o Rio Grande do Sul, onde se radicou. Aqui desempenhou vários cargos públicos, como partidor de órfãos em Porto Alegre, Juiz de Paz e Juiz de Órfãos em Triunfo. Nesta cidade conheceu sua primeira esposa, Robéria Maria Rafaela, com quem casou em 1817, a qual era filha de Rafael Alves de Oliveira e Reginalda Maria de Jesus, ambos paranaenses e descendentes das primeiras famílias fundadoras de Curitiba. Após a morte de Robéria, em 1840, Franciscou casou-se em segundas núpcias com Angélica Josefa (ou Francisca) da Silva. De seus dois casamentos houve doze filhos, dos quais descendem as famílias "Souza Leal", "Barbosa Leal", "Silveira de Campos", "Coelho Netto", de Leão e outras.
Evidentemente que Francisco de Souza Leal era bem letrado, conforme se deprende dos próprios cargos públicos exercidos, assim como dos vários documentos que escreveu existentes nos Arquivos Público e Histórico do RS. Talvez tenha sido o próprio Francisco quem ensinou as primeiras letras ao filho Ernesto, que seguiu a profissão de professor público em várias cidades do Rio Grande do Sul. Sabe-se que começou a lecionar pelo ano de 1860/1861 em Osório, mudando-se depois - em 1873 - para Ivoti (na época Bom Jardim) e, após (1886), para Santa Maria do Butía e São Leopoldo.
fotografia do Prof. Ernesto de Souza Leal, 
de 1895-1903, cedida pela 
Sra. Maria Jecy Allgayer da Silva, 
neta de Ernesto, e restaurada 
por Milena Gomes de Campos.