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domingo, 15 de janeiro de 2012

Franceses no RS: os Lacroix (2)

Franceses no RS: os Lacroix (2)
Autoria de Diego de Leão Pufal
[dúvidas, acréscimos e correções, escreva para diegopufal@gmail.com]


[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: PUFAL, Diego de Leão. Franceses no RS: os Lacroix (2)in blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/] 
[publicado em 15/01/2012]
[atualizado em 09/03/2023]

Em outubro de 2010 veiculei a genealogia de outro ramo Lacroix, vindo dos Baixos-Pirineus, estabelecido em Rio Grande e, depois, em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul (v. http://pufal.blogspot.com/2010/10/franceses-no-rs-vii-os-lacroix-1.html).
Hoje, cuidarei da descendência de Marcelino Domingos Lacroix (no Brasil) ou Marcel Dominique Lacroix Cartau (França), radicado na fronteira da Argentina com o Rio Grande do Sul, na cidade de Itaqui, o que sugere tenha emigrado da França para a Argentina ou o Uruguai e de lá para o Brasil.
Segundo informações repassadas pelo pesquisador Gerson de Oliveira, em junho de 2020, com base no passaporte datado de 3.2.1838 de CARTAU Marcel Dominique Lacroix em Montevidéu, teria ele nascido na cidade de Bagnères-de-Bigorre, Hautes-Pyrénées.
Ao que parece, este Lacroix emigrou sozinho para o Brasil talvez na década de 1840, exercendo a função de caixeiro viajante e, mais tarde, comerciante estabelecido em Itaqui/RS.
Marcelino Domingos Lacroix,
fotografia do acervo de Cynthia Filártiga Lacroix
Tal conclusão se extrai de um salvo-conduto encontrado no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS), concedido a Marcelino Domingos Lacroix em 02/10/1845, pelo qual foi autorizado, na qualidade de estrangeiro, a se deslocar de Porto Alegre a Pelotas. Por ocasião, Marcelino foi assim qualificado: natural da França, negociante, com destino a Pelotas, 24 anos, estatura alta, rosto comprido, cabelos castanhos, olhos pardos, nariz e boca regulares, cor clara e barba rasa (AHRS: Fundo da Polícia, Códice 140, passaportes 1845/1846, Porto Alegre).
Já em setembro de 1877 Lacroix foi testemunha de uma justificação de ausência realizada no inventário de Antônio Fernandes Lima, quando declarou contar com 55 anos de idade, natural da França e de profissão comerciante (APRS: inventários).
A descendência de Marcelino Domingos Lacroix é bem expressiva se comparada àquele outro ramo, sendo que muitos ainda hoje levam o sobrenome, como se pode ver da genealogia que segue:

1. MARCELINO DOMINGOS LACROIX (na França: Marcelline Dominique Lacroix Cartau), nasceu a 22/12/1821 na cidade de Bagnères-de-Bigorre, Hautes-Pyrénées, França e faleceu a 30-06-1898, Itaqui (inventário n. 79/1898, Itaqui, APERS, autuado em 01/08/1898, tendo sido inventariante a viúva Cândida Barbosa Lacroix, cuja assinatura consta, indicando ter sido bem letrada).
assinatura de Marcelino Domingos Lacroix

O total da herança deixada por Marcelino foi de 71:910$464 réis, composta pelos seguintes bens: um galpão de material em mau estado no Beco São Patrício n.º 02, em Itaqui; uma casa de material no mesmo Beco, n.º 4; um terreno cercado de pedras no mesmo local, n.º 8; uma casa de material à Rua 15 de Novembro, n.º 3; outra na mesma rua, n.º 5; uma meia água de material na rua do Ipiranga, n.º 6; outra na Rua Aristides Lobo, n.º 5; outra na mesma rua, n.º 10; um terreno com esquina na mesma rua; um galpão; metade de um terreno cercado de pedra na Rua Aristides Lobo; metade da chácara que foi de João Baptista Marenco, nos arrabaldes da cidade, à Rua Senador Pinheiro Machado, n.º 7; metade de um terreno na mesma rua, cercado de pedra; uma parte de campo no Município de Santo Ângelo, em seu 3 distrito, no local denominado Umhú-caru (sic) com oito quadras de sesmaria; uma pequena parte no estabelecimento no Município de São Borja, no lugar do Carnny (sic), pelo falecimento do sogro Manuel Francisco Barbosa; em mercadoria na casa comercial em Itaqui (13:334$497 réis); ações do Theatro Prezewodowski, em Itaqui; em dinheiro líquido a quantia de 11:353$552 réis.
Marcelino foi filho de Cartou Lacroix e Marie Therése Bauix (para alguns: Boniz), os quais, em princípio, não emigraram para a América. Ao que parece, Cartou e Maria Thérese tiveram a filha Francine Cartou Lacroix, falecida na França solteira, conforme se verifica de um requerimento feito pela sobrinha Maria Cândida de outorga de assentimento do ano de 1899. 
Marcelino casou-se a 20/06/1856 em Itaqui (registrado em São Borja/RS) com Maria Cândida Barbosa (às vezes Francisca Cândida Marques Barbosa), nascida em 1840 e falecida em Itaqui depois do marido.
Maria Cândida Barbosa, fotografia
enviada por Cynthia Filártiga Lacroix.
Maria Cândida Barbosa foi filha de Manuel Francisco Barbosa Júnior (n. Florianópolis, SC; casado a 28/04/1832 em Porto Alegre/RS e falecido a 14/07/1892, Santiago do Boqueirão/RS) e de Cândida de Souza Marques (nasceu a 07/03/1817, bat. a 11/04, Porto Alegre/RS e fal. 1896, Carovi, distrito de Santiago do Boqueirão), neta paterna de Manuel Francisco Barbosa (n. São Gonçalo de Sapucaí, MG, casado a 13/8/1809 em Florianólis/SC) e de Eufrásia Joaquina Rosa (n. Santo Antônio de Lisboa em Florianópolis, SC), neta materna de Joaquim de Souza Marques (n. 08/05/1784, bat. 16/05, Porto Alegre) e de Carolina Joaquina de Jesus (n. 08/06/1792, bat. 15/06, Viamão/RS). Por Manuel Francisco Barbosa, bisneta de Francisco Barbosa Sandoval e de Maria Antônia da Conceição, cuja ascendência pode ser vista no blog do genealogista Roberto Sandoval: http://rlavodnas.blogspot.com.br/. Por Eufrásia Joaquina da Rosa, bisneta de Joaquim de Espíndola e Joaquina Rosa de Jesus. Por Joaquim de Souza Marques, bisneta de João de Souza de Ávila (n. Laguna/SC, filho de Antônio de Ávila Machado e Maria do Rosário, açorianos da ilha de São Jorge) e de Teresa Maria de Jesus (n. Rio Grande/RS, filha de Manuel Ferreira da Costa, da ilha Terceira, e de Águeda de Nazaré). Por Carolina Joaquina de Jesus, bisneta de Manuel de Souza Feijó (n. 19/05/1753, São Roque, ilha de São Miguel, Açores e fal. 03/09/1835, Viamão/RS, filho de João Feijó e Francisca do Nascimento) e de Inácia Felicidade de Santa Clara (bat. 24/08/1764, Viamão, onde fal. a 14/07/1822, filha de Luís Ferreira Velho e de Francisca Mariana, naturais da Freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, ilha Terceira, Açores).


domingo, 17 de outubro de 2010

Franceses no RS: os Lacroix (1)

   Franceses no RS: os Lacroix (1)


Hoje veiculo parte de um ramo da família Lacroix emigrado para o Brasil, proveniente do Baixos-Pirineus, [atual Pyrénées-Atlantiques], no “País Basco”, no sudoeste da França.
Dois irmãos vieram para o Brasil, Pierre Jean Lacroix e Cattarina Lacroix, possivelmente via Uruguai ou Argentina, considerando-se os inúmeros com o mesmo sobrenome que lá desembarcaram.
Pedro João Lacroix (no Brasil) se estabeleceu na cidade de Rio Grande, onde foi casado duas vezes, não deixando, contudo, descendente. Graças ao inventário dos bens por ele deixados é que se pode saber os nomes de seus pais e irmãos, bem assim o local em que nasceram, pois nele constam as certidões vindas da França.
Afora esse ramo, ao menos outro emigrou também para o Brasil, mas se radicou na fronteira gaúcha, na cidade de Itaqui. Trata-se de Marcellino Domingos Lacroix, cuja descendência será tratada oportunamente.
Passo, assim, à genealogia:

1. JEAN LACROIX, n. 1800, França, e fal. 02/04/1862, em Espès, Undurein, Baixos-Pirineus, França. Casou a 04/06/1822, Abense-de-Bas, Baixos Pirineus, França, com Maria Sallaberry, n. França, e fal. 16/11/1876, ambos em Espès, Undurein, Baixos-Pirineus, França. Em 1828 Jean contava 28 anos, exercendo emprego em D´Abeuse de Bas, residente em sua casa de Lacroix dita Chunchur (sic). Pais de:
2.1. JEAN PIERRE LACROIX, n. 12/01/1828 na casa de Lacroix, dita Chunchur. Em 1895 cultivador, domiciliado em Berrogain-Laruns, Mauleón.
2.2. PIERRE JEAN LACROIX (= Pedro João Lacroix), n. 22/04/1835, Espès, Undurein, França, e fal. 18/05/1895, Rio Grande (inventário, proc. 373, maço 12, 1896, cartório do cível de Rio Grande, APRS), sendo seus herdeiros, seus irmãos. Consta que emigrou para a América aos 18 anos, portanto, em 1853.
Pedro João casou a primeira vez com Maria José da Cunha Amaro, n. Rio Grande, onde faleceu a 12/05/1886 (inventário, proc. 217, maço 06, ano 1887, 2º cartório cível de Rio Grande, APRS), filha de José da Costa Amaro e Ana Zeferina. Casou em segundas núpcias a 25/10/1887 com sua cunhada Ana Zeferina da Cunha Amaro, n. Rio Grande, filha de José da Costa Amaro e Ana Zeferina.
As filhas de Pedro José e esposa faleceram ainda criança, ficando sem descendentes. Assim, por ocasião do falecimento de Maria José, foram herdeiros seus irmãos:
  •    Manuel da Cunha Amaro, 37 anos, residente na Argentina, capitão, c/c Victória;
  •     Ana Zeferina da Cunha Amaro, 38 anos, c/c Pedro João Lacroix em 25/10/1887;
  •     Teresa da Cunha Amaro, 35 anos;
  •      Marçal da Cunha Amaro, 26 anos, solteiro, tenente.
Pedro João gerou a:
3.1 Ana Lacroix, n. 22/04/1871, bat. 27/08, Rio Grande, onde faleceu antes de 1886.
3.2 Julieta Lacroix, n. 10/05/1875, bat. 25/12, Rio Grande, onde em 1886 já era falecida.
2.3. CATARINA LACROIX, n. 24/07/1838, Espès, Undurein, França, e já fal. em 1895. Casou com João Egídio das Neves, em 1895 residente no Rio de Janeiro. Pais de:
                  3.1. Egídio das Neves, em 1895 residente na Argentina.       
2.4 BELTRÃO JUSTINO LACROIX, n. 28/08/1842, Espès, Undurein, França, onde faleceu a 25/05/1867.  Residia em Berrogain-Laruns. Ali casou com Maria Anna Peyrot, n. 1839, costureira, gerando a:
3.1. Claire Lacroix, n. 19/04/1867, Caro, França. Em 1895 era costureira. Casou a 28/12/1887 em Caro, Baixos Pirineus, com Pierre Pose, professor público em Laa-Mondraus, França.