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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Alemães no RS: os Riegel

Alemães no RS: os Riegel
Autoria de Diego de Leão Pufal
[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: PUFAL, Diego de Leão. Alemães no RS: os Riegelin blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/]

[acréscimos, dúvidas e correções escreva para diegopufal@gmail.com]

[atualizado em 25/03/2015]

A família Riegel é católica e proveniente da cidade de Kirrlach, Karlsruhe, Alemanha, próximo ao Rio Reno e da França, onde estabelecida ao menos desde o século XVII.
A Igreja Católica de St. Kornelius,
em Kirrlach, onde realizados os
batismos e casamentos da família Riegel.
[Fotografia disponível em:
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kirrlach_St._Kornelius_und_Cyprian_20110228.jpg]
No Brasil, encontrou-se um ramo dos Riegel estabelecido em Pedras Brancas, atual município de Guaíba, à época distrito de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Ao que parece, emigraram quatro irmãos na década de 1870: Maria Eva, Johann Martin Riegel, Konrad Riegel e David Riegel, todos nascidos em Kirrlach e filhos de Gregor Riegel e Rosina Lehn. Um outro filho de Gregor Riegel e Rosina, Heinrich Riegel, emigrou com a esposa e filhos para Blumenau, em Santa Catarina.
Descobriu-se que parte da família residia em Pedras Brancas, enquanto outra no atual município de Mariana Pimentel. Além disso, a maior parte dos Riegel, das gerações antigas, exerceu a profissão de curtidor ou de negociante. 
Dos registros da Igreja Católica de Guaíba, Santa Maria e outras fontes, como jornais (A Federação) e livros de história, conseguiu-se descobrir partes de suas descendências, que seguem:

Legenda:
"n." para nasceu
"bat." para batizado(a)
"fal." para faleceu

1. Gregor Riegel (Gregório Riegel), nasceu a 12/05/1812 na cidade de Kirrlach, onde se casou a 12/05/1842 com Rosina Lehn, ali nascida a 06/04/1813, filha de Johann Adam Lehn e de Katharina Kneller (nascidos e casados em Kirrlach, a 09/01/1804), neta paterna de Johann Adam Lehn e Eva Barbara Holz e, materna, de Michael Kneller e Maria Eva Schaf.
A ascendência de Gregor Riegel foi encontrada nos registros da Igreja dos Mórmons (https://familysearch.org/), bem assim no site gedbas.genealogy.net, no banco de dados de Thomas Breu (http://gedbas.genealogy.net/person/show/1099600288):
I – Philipp Riegel, n. 1658, Kirrlach, onde faleceu a 13/06/1743. Ali casou no ano de 1678 com Gertrud Rosenbach, gerando a:
II – Jacob Riegel, n. 1698, Kirrlach, onde faleceu a 07/04/1748. Ali casou a 12/11/1720 com Eva Katharina Absterber, ali nascida a 10/04/1697 e fal. 19/09/1766, filha de Rupert Absterber e Katharina Schleger. Jacob e Eva foram pais de:
III – Heinrich Riegel, n. 30/10/1730, Kirrlach, onde fal. 15/03/1787. Ali casou a 19/2/1753 com Kunigunda Ebersold, ali n. 25/6/1731 e fal. 10/1/1794, filha de Johann Philipp Ebersold e Maria Kuningunda Huber. Heinrich e esposa geraram a:
IV – Joseph Riegel, n. 26/10/1768, Kirrlach, onde fal. 9/12/1841. Ali casou a 11/06/1804 com Maria Magdalena Zieser ou Zinger, ali n. 27/10/1781 e fal. 29/1/1847, filha de Konrad Zieser/Zinger e Eva Magdalene Werrmuth. Joseph e esposa foram pais de: Gregor Riegel, acima citado.
Gregor Riegel, dado em alguns registros no Brasil como “Jorge Riegel”, talvez pela pronúncia e o desconhecimento do padre de origem lusa, talvez não tenha emigrado para o Brasil, mas apenas três de seus nove filhos. Sabe-se que em abril de 1869 Gregor e Rosina já eram falecidos. Foram pais de:
2-1 Maria Eva Riegel, n. 1º/5/1842, Kirrlach. Casou-se na Alemanha com Louis/Ludwig Hoffmann, n. Alemanha, emigrados para o Brasil e estabelecidos em Guaíba/RS. Pais de:
3-1 Catharina Hoffmann, n. Alemanha. Casou a 11/7/1885, Guaíba/RS com Hugo Winckler, filho de Frederico Augusto Leonardo Winckler e Guilhermina Laura Sebastian. Pais de:
4-1 Luiza Thereza Winckler, n. 22/10/1885, bat. 23/07/1886, Guaíba/RS.
2-2 Valentin Riegel, n. 19/2/1843, bat. 20/2/1843, Kirrlach.
2-3 Johann Martin Riegel (no Brasil: Martinho Riegel), n. 7/9/1844, bat. 8/9/1844, Kirrlach. Emigrou para o Brasil, estabelecendo-se no município de Guaíba/RS, onde foi negociante e curtidor. Em Guaíba casou a 14/04/1869 com Elisabeth Cornart (ou Lisete Cornarte), n. Alemanha, filha de Jacob Cornart e Philippina Gog ou Corg. Encontraram-se 7 filhos do casal:
3-1 Carlos Riegel, n. 27/05/1869, bat. 22/11/1870, Guaíba/RS, onde foi artista e onde se casou a 20/11/1888 com Bárbara Vogel, n. Rio Grande do Sul, filha de Philipp Vogel e Maria Hoffmann, neta paterna de Peter Vogel e Maria Hogschtein (sic) e, materna, de Jacob Hoffmann e Ana Fries. Pais de:
4-1 Amália Riegel, n. 21/2/1889, bat. 20/7/1889, Guaíba/RS.
4-2 Maria Rosina Riegel, n. 26/10/1891, bat. 02/06/1892, Guaíba/RS.
4-3 Carlos Alberto Riegel, n. 22/06/1894, bat. 08/06/1895, Guaíba. Em 1918, segundo o jornal A Federação, Carlos Alberto contratou casamento com Cecy Balbé, filha de Damásio Balbé.
4-4 Artur Oscar Riegel, n. 12/06/1896, bat. 16/05/1897, Guaíba/RS.
3-2 João Riegel, n. 25/11/1873, bat. 26/04/1874, Guaíba/RS. Foi curtidor e artista. Casou-se em Guaíba com Francisca Alves, n. Guaíba, filha de José Inácio Alves Constante e Maria Francisca dos Santos, abaixo citados. João e Francisca foram pais, ao menos, de:
          4-1 Valdemar Riegel, n. 21/04/1893, Guaíba.
3-3 Rosina Riegel, n. 19/07/1874, bat. 09/10/1875, Guaíba/RS, onde casou a 30/12/1889 com José Emílio Alves, filho de José Inácio Alves Constante e Maria Francisca Alves. Pais de: Carolina, bat. 27/09/1881 em Guaíba/RS. 
3-4 Catharina Riegel, n. 21/12/1876, bat. 03/03/1877, Guaíba/RS.
3-5 Luísa Riegel, n. 05/01/1879, bat. 03/05/1879, Guaíba/RS.
3-6 Albertina Riegel, n. 1º/10/1882, bat. 03/02/1883, Guaíba/RS.
3-7 Alice Riegel, n. 15/06/1885, bat. 07/09/1886, Guaíba/RS.
2-4 Heinrich Riegel, n. 17/12/1845, bat. 18/12/1845, Kirrlach. Casou-se na Alemanha com Genoveva Hoffmann, n. Alemanha, filha de Georg Heinrich Hoffmann e Elisabeth Müller, que também foram pais de Francisca Hoffmann casada com David Riegel, abaixo citados. Emigrou para o Brasil, radicando-se em Blumenau, Santa Catarina, onde foi lavrador e inspector do quarteirão Badenfurt. Henrique Riegel teve com Genoveva, ao menos, os filhos abaixo citados, deixando descendência em Blumenau, Jaraguá do Sul, Massaranduba e arredores. Pais de:
3-1 Erwin Riegel, n. 8/1/1872, Blumenau/SC (talvez tenha nascido na Alemanha e registrado como nascido em Blumenau, tardiamente).
3-2 Carolina Riegel, n. 11/4/1874, Blumenau/SC (talvez tenha nascido na Alemanha e registrado como nascido em Blumenau, tardiamente).
3-3 Conrad Riegel, n. 1877, Alemanha, talvez em Kirrlach (talvez seja o mesmo Conrad Riegel registrado tardiamente e dado como nascido a 24/10/1886 em Blumenau, mas pode ser que tenha nascido em 1876 ao invés de 1886). Emigrou junto com os pais para Blumenau/SC, onde a 13/06/1900 casou-se com Jenny Henschel, n. 1880, Blumenau/SC, filha de Gustavo Henschel e Frederica.
3-4 (uma menina) Riegel, n. 11/7/1878, Blumenau/SC.
3-5 (uma menina) Riegel, n. 17/3/1879, Blumenau/SC.
3-6 (uma menina) Riegel, n. 22/6/1881, Blumenau/SC.
3-7 Rosina Riegel, n. 28/05/1885, Blumenau/SC.
3-8 (uma menina) Riegel, n. 13/4/1887, Blumenau/SC.
3-9 Henrique Riegel, n. 28/9/1889, Blumenau/SC.
3-10 Henrique Riegel, n. 26/6/1891, Blumenau/SC. Casou-se em Jaraguá do Sul.
2-5 Konrad Riegel (no Brasil: Conrado Riegel), n. 21/04/1848, bat. 22/04/1848, Kirrlach e falecido em Santa Maria da Boca do Monte/RS após 1906. Talvez seja o mesmo Conrado “Rieger” que foi farmacêutico na cidade de Santa Maria, com botica na Rua Itararé, conforme o Guia Bemporat do Estado do Rio Grande do Sul do Comércio, Indústria etc, de 1906. Casou-se a 05/09/1874 em Guaíba/RS com Honorina Cassiana, nascida cerca de 1850, exposta na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, na conhecida “Roda dos Expostos” e, assim, de filiação ignorada. Honorina Cassiana faleceu a 04/11/1897 em Santa Maria da Boca do Monte/RS (Santa Maria), onde teve seu inventário autuado em 1898, deixando terrenos em Pedras Brancas, o marido e duas filhas:
3-1 Carolina Riegel, n. 13/12/1875, bat. 05/02/1876, Guaíba/RS. Em 1897 já estava casada, em Santa Maria/RS, com Pedro Ferrari. Pais de:
4-1 Conrado Riegel Ferrari, alto funcionário da Prefeitura de Porto Alegre, conforme os jornais de época. Casou-se em 1921 com Ida Ferrari, filha de Amilcar Ferrari. Em 1937 Conrado era Diretor Geral da Fazenda Municipal.
3-2 Ottília Hermínia Riegel, n. 10/06/1881, bat. 17/09/1881, Guaíba/RS e fal. 1º/05/1908 em Santa Maria/RS. Em Santa Maria casou-se a 26/01/1901 com José Garibaldi Filizzola, n. 14/03/1876, Lavras do Sul/RS, e fal. 10/12/1950, Santa Maria, filho de Giuseppe Filizzola e Maria Isabel Novembrina. A descendência de Ottília e José Garibaldi foi descrita neste blog (vide: http://pufal.blogspot.com.br/2010/03/italianos-no-rs-ix-os-filizzola.html). 
Registro de batismo de Ottília Hermínia Riegel, de 1881
[livro 5 de batismos de Guaíba/RS, página 64v, AHCMPA]

2-6 Maria Catharina Riegel, n. 28/05/1850, Kirrlach.
2-7 David Riegel, n. 28/12/1851, bat. 29/12/1851, Kirrlach e já falecido em 10/01/1916 quando autuado seu inventário em Porto Alegre. Foi curtidor e agências como profissão. Emigrado para o Brasil com os irmãos Johann Martin e Konrad. David casou-se, possivelmente em Guaíba/RS, com Francisca Hoffmann, n. RS ou Alemanha, filha de Georg Heinrich Hoffmann e Elisabeth Müller, naturais da Alemanha. David e Francisca residiam no interior da colônia de Mariana Pimentel, então distrito de Porto Alegre e foram pais de:
3-1 Rosina Riegel, n. 13/9/1882, possivelmente em Mariana Pimentel e bat. 3/2/1883, Guaíba/RS, onde deve ter falecido ainda criança. 
3-2 Adolfo Riegel, n. 06/06/1886, possivelmente em Mariana Pimentel e bat. 07/09/1886, Guaíba/RS, onde já falecido em 1914, por não constar no inventário paterno.
3-3 Rodolfo Riegel, n. 12/7/1888, possivelmente em Mariana Pimentel e bat. 12/10/1889, Guaíba/RS. Casou com Maria CominEm 1916 residia em Mariana Pimentel.
3-4 Maria Otília Riegel, n. 18/05/1891, possivelmente em Mariana Pimentel e bat. 05/04/1892, Guaíba/RS. Casou com José Pazutti.
3-5 Amália Riegel, n. Mariana Pimentel, onde casou com Amadorino Machado de Lima.
3-6 Arthur Oscar Riegel, n. 13/10/1892, bat. 20/02/1893, Mariana Pimentel, onde casou com Paulina Frederes.
3-7 Rosina Riegel, n. 11/11/1893, bat. 28/04/1894, Guaíba, onde casou com Anselmo Frederes.
2-8 Magdalene Riegel, n. 18/05/1854, Kirrlach.
2-9 Karolina Riegel, n. 22/07/1857, Kirrlach.
  
FONTES:
- Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA): livros de registros de batismos e casamentos de Guaíba;
- Arquivo pessoal de Diego de Leão Pufal.
- Arquivo pessoal de Thomas Breu, disponível em gedbas.genealogy.net (http://gedbas.genealogy.net/person/show/1099600288).
- Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS): inventários de Porto Alegre. 
- Biblioteca Nacional. Hemeroteca Digital Brasileira. Disponível em: http://memoria.bn.br/hdb/uf.aspx
- Brasil, Registros Paroquiais e Diocesanos. Images. FamilySearch. https://familysearch.org.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Italianos no RS: os Filizzola


Italianos no RS: os Filizzola
à prima e amiga Perla Delambert Filizzola (RJ)

Autoria de Diego de Leão Pufal
[publicado em 24/03/2010]
[atualizado em 05/10/2023]

Dando continuidade às pesquisas de famílias italianas radicadas no Estado do Rio Grande do Sul (Brasil), relacionadas com os meus ancestrais, veiculo hoje informações sobre os Filizzola, às vezes Felizzola.

Giuseppe Antonio Filizzola (no Brasil: José Filizzola) nasceu a 24/04/1838 em San Constantino de Rivello, em Potenza, Itália, de onde emigrou, estabalecendo-se no estado sulista (Rio Grande do Sul) na cidade de Santa Maria. Era filho de Agostino Filizzola (nascido em 1799 em Rivello, Potenza e falecido a 04/08/1894 em San Constantino, onde casou a 16/10/1825) e de Catarina Florenzano (nascida em 1801 em Rivello), neto paterno de Sabat´antonio Filizzola e Maria Vallinoto, e neto materno de Domenico Florenzano e Josefa Calderaro, conforme pesquisa de Diego Vignoli (2022).

Ainda na Itália, José casou-se a 03/01/1860 em San Constantino com Maria Emmanuelle Vallinoto, filha de Salvatore Vallinoto e Luigia Filizzola, com quem teve um filho, cujo nome se desconhece. Em meados de 1875 José emigrou para o Brasil, deixando a esposa e filho na Itália.


Giuseppe Filizzola, sua segunda companheira, Clementina Martini com alguns dos filhos desta segunda união. Fotografia de meados de 1897/1898 em Santa Maria, enviada por Maria de Lourdes Pereira Timm.

Aqui, uniu-se com Maria Isabel Novembrina, natural da cidade de Lavras do Sul/RS, nascendo um único filho, de nome José Garibaldi Filizzola. Provavelmente após o nascimento deste filho, José estabeleceu-se de vez em Santa Maria/RS, onde conheceu a também italiana Clementina Martini, com quem teve, no mínimo, 12 filhos.

Conforme escreveu o historiador Romeu Beltrão in Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho (1979, 2. ed., p. 398), no dia 1º.4.1896 foi fundada a Societá Italiana di Mutuo Socorso e Ricreativa, por iniciativa de Oreste Tófoli Culau, Jorge Sfoggia, Leopoldo de Grandi e Eugênio Sacol, compondo a primeira diretoria provisória: JOSÉ FELIZZOLA, presidente; Francisco Carreta, secretário; Serafim Bolli, tesoureiro; Leopoldo de Grandi e Luís Dânia, membros auxiliares.

Refere o mesmo autor, à fl. 417, que em fevereiro de 1900 foi fundada a Sociedade Beneficiente Cristóvão Colombo por elementos da colônia italiana, tendo como presidente César Dacorso e fundadores, além deste, Maximiliano Danesi, Francisco Germani, José Valandro, JOSÉ FELIZZOLA, Agostinho Rosa, Pedro Dânia, Francisco Carretta; Luis Germani, Tomé Urbano, Antônio Fantini, Caetano Venturella; João Moroni, Francisco Graziotti, Bortolo Bolli e Luis Callage.

A prof.ª pública Romilda
Filizzola, f.ª de Giuseppe Filizzola.
José faleceu aos 26.9.1903, com 66 anos, em Santa Maria ou no Cacequi, quando arrecadados os bens por ele deixados (processo n.º 401, maço 16, estante 149, cartório de órfãos e ausentes de Santa Maria, Arquivo Público do RS). Neste processo, segundo os relatos das testemunhas, José era italiano e faleceu aos 26.9.1903, com 66 anos, sendo que vivia com Clementina Martin (sic) há 24 anos.

Sua convivente, D.ª Clementina, declarou que José deixou a esposa Emmanuelle Vallinoti e um filho na Itália, naturalizando-se no Brasil há mais de 18 anos. Disse, ainda, que José deixou uma funilaria na casa onde residia, na Rua do Acampamento, n.º 11, em Santa Maria, onde também moravam João Sertori e a declarante.

José Filizzola deixou larga descendência, como passo a expor:

1. Giuseppe Filizzola (= José Filizzola ou Felizzola), nasceu no ano de 1836 em San Constantino de Rivello, Potenza, Itália, e faleceu a 26/09/1903 no Cacequi ou em Santa Maria. Era filho de Agostino Filizzola e de Catterina Florisana (Florenzano?). Na Itália, Giuseppe casou (I) com Emmanuelle Vallinoti, com quem teve um filho homem, cujo nome não se conseguiu descobrir. No Brasil, Giuseppe uniu-se (II) com Maria Isabel Novembrina, com quem teve o filho José Garibaldi Filizzola. Após, uniu-se (III) com Clementina Martininascida em 1864 em Vallarsa, Trento, Itália e falecida a 12/02/1939 em Santa Maria, com quem teve, no mínimo, doze filhos. Clementina era filha de Anselmo Martini e de Maria Barroca.
  • Em 1906/1913 Clementina residia na Rua do Acampamento (n.º 11) em Santa Maria, quando a filha Romilda casou. Em 1924, por ocasião da habilitação de casamento de seu filho Humberto, Clementina contava 60 anos de idade e residente em Santa Maria.
  • RIGHI, José Vicente, BISOGNIN, Edir Lúcia e TORRI, Valmor (Povoadores da Quarta Colônia, Porto Alegre: EST ed., 2001, p. 142), referem que: Anselmo Martini, 51 anos, sua esposa Maria, 42 anos, e os filhos Clementina, 18 anos e Gedeone, 16 anos, eram naturais de Vallarsa, Trento; tendo a família chegado no Vapor Henri IV, em 30.03.1878, com destino a Linha 1, na Quarta Colônia, onde receberam o lote nº 272, na Quarta Colônia, com 300.000 de área; com título provisório de 20.06.1882.
Filhos de José Filizzola:
F.1. José Garibaldi Filizzola (dado como filho natural de José, havido de sua segunda união com Maria Isabel Novembrina) - nasceu a 14/03/1877 (em alguns registros: 14/03/1876 e 1878) e foi batizado a 24/06/1877, em Lavras do Sul/RS e faleceu a 10/12/1950 em Santa Maria/RS.
  • José Garibaldi Filizzola foi homem de destaque na sociedade de Santa Maria em sua época. Foi jornalista, advogado e tradutor (de alemão, ao menos), conforme verifiquei de alguns documentos de Santa Maria.
  • Tanto é assim que o historiador Edmundo Cardoso (História da Comarca de Santa Maria (1878-1978), p. 132) escreveu: "J. GARIBALDI FILIZZOLA, advogado do Quadro B (licenciado) e jornalista profissional. Exerceu grande influência em Santa Maria em ambas as profissões, tendo sido presidente durante mais de dez anos do Comité pró-construção da Estrada de Ferro Santa Maria-Pelotas. Como jornalista, também esteve à frente de muitos movimentos de filantropia, política, arte e cultura. Teve considerável banca de advocacia e no Tribunal do Júri chegou a ganhar, duma feita, o apelido de 'rei da prova', pelo esmiuçamento empregado na coleta de dados e elementos comprobatórios."
  • Já Romeu Beltrão (Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, p. 388), informa que em 28.03.1894 apareceu o órgão social do Clube Caixeiral, o segundo que tem, dirigido por Aniceto da Silva Rosa e GARIBALDI FELIZZOLA, social e literário, 25x36, 4 páginas, que teve vida relativamente longa. À fl. 541 da mesma obra, refere o autor que, em 17.05.1928, foi fundado o Grêmio Dramático Andrade Neves Neto, tendo dentre seus integrantes, GARIBALDI FELIZZOLA, para a comissão de estatuto.
  • José Garibaldi, em 1936, era residente na Rua Visconde Ferreira Pinto, n.º 1902, em Santa Maria.
  • José Garibaldi ainda fez parte da Maçonaria em Santa Maria, tendo sido, entre 1906 a 1908, secretário da Loja Luz e Trabalho.
José Garibaldi Fillizola casou-se duas vezes, a primeira a 26/01/1901 em Santa Maria com Otília Hermínia Riegel, nascida a 10/06/1881, bat. 17/09/1881, Guaíba/RS e falecida a 01/05/1908 em Santa Maria. Era filha de Conrado Riegel e de Honorina Cassiana (vide família Riegel em: http://pufal.blogspot.com.br/2012/09/alemaes-no-rs-os-riegel.html). Deste casamento houve quatro filhos. José Garibaldi casou-se em segundas núpcias, a 30/07/1913, em Santa Maria, com Concórdia Christina Fischer, ali nascida a 02/09/1874, e falecida a 07/08/1958 em Curitiba/PR, filha de Wilhelm Fischer e Christina Holzbach, já tratados neste blog (http://pufal.blogspot.com/search/label/Fischer). Deste casamento houve um único filho.
Filhos de José Garibaldi: 
N.1. Annita Garibaldi Filizzola (fª do 1º casamento de José Garibaldi), nascida a 16/10/1901 em Santa Maria/RS, onde foi professora. Em 24/04/1936 ali casou com Ermansor Sayago Ustra, bancário, ali nascido a 21/04/1897, filho de Serafim Ustra (nascido a 04/07/1864, Uruguai) e de Celanira Sayago (nascida a 03/09/1879, Uruguaiana/RS), n. p. João Martins Ustra e de Maria Câncio Ribeiro, n.m. Saturnino Sayago e de Josefina. Não se encontrou descendência deste casamento.
N.2. Clélia Garibaldi Filizzola, nascida a 18/12/1902 em Santa Maria/RS. Foi cantora lírica.
N.3. Rosita Garibaldi Filizzola, nascida a 21/08/1906 em Santa Maria/RS, onde foi professora. Ali se casou em 1924 com Feliciano de Lima Corrêa, criador, nascido a 25/01/1901 em São Sepé/RS, filho de Feliciano de Faria Corrêa (talvez da tradicional família "Faria Corrêa") e de Liberalina (?). Deste casamento nasceu Alfeu Cauby Filizzola Corrêa.
N.4. Menotti Garibaldi Filizzola, nascido em Santa Maria. Sem mais notícias.
N.5. Mânlio Garibaldi Fischer Filizzola (f.º do 2º casamento de José Garibaldi) - nascido a 09/08/1916 em Santa Maria/RS e falecido a 02/12/1979 na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Foi aviador, casando-se a 25/12/1944 em Florianópolis/SC, com Jandira Delambert, ali nascida e falecida a 18/11/2006, no Rio de Janeiro. Deste casamento houve seis filhos, nascidos na cidade do Rio de Janeiro, dentre eles: Perla Delambert Filizzola, pesquisadora deste ramo.
F.2. Ubaldina Filizzola (f.ª da 3ª união de Giuseppe Filizzola), nascida no ano de 1882 em Santa Maria/RS, onde casou a 25/04/1906, com Luiz Ludovico Medina, nascido em 1870 na França e falecido a 03/04/1934 em Santa Maria. Ao casar, Luiz era viúvo e empregado da Viação Férrea, depois, comerciante. Era filho de Mario Medina e de Marie Julie Lagin, franceses. Houve deste casamento, ao menos, a filha Maria Júlia Medina, nascida em Santa Maria em 13/04/1913, onde se casou em 1931 com Edmundo Orlandini.
F.3. José Filizzola Filho, nascido em 1884 em Santa Maria, onde faleceu em 1912, solteiro, sem filhos.
Affonso Pereira
F.4. Nathalia Filizzola, nascida em 1886 em Santa Maria, onde casou a 28/01/1905 com Thomaz Borges Fortes Filho, nascido em 1856, comerciante, filho de Thomaz Borges Fortes e Manuela Peña. Deste casamento houve, ao menos, os filhos: Adélia Borges Fortes e Dante Borges Fortes, nascidos em 1910 e 1912 respectivamente em Santa Maria.
F.5. Romilda Filizzola, nascida em 1888 em Santa Maria, onde faleceu a 03/01/1979. Foi Diretora-Gerente do jornal "A Violeta", em Santa Maria (Beltrão, p. 431). Após, em 1907, professora pública. Em seu obituário (jornal Correio do Povo) consta que Romilda era a professora mais antiga do Estado, deixando nove filhos, 19 netos, 29 bisnetos e 2 tataranetos. 
Amélia Felizzola Pereira
Rainha do Tênis de 1935, em Santa Maria
Casou a 05/12/1907 com Affonso Pereira, nascido em 1881, escriturário da Viação Férrea em Santa Maria. Em 1906 Afonso residia no terceiro distrito de Júlio de Castilhos, onde deve ter nascido, sendo filho de Virgílio Antônio Pereira e de Amélia Nabinger. Dos nove filhos do casal, conseguiu-se descobrir 8 delas: Helena Pereira (c/c Luiz Carlos Simione, advogado), Nair Pereira (c/c Felipe Fortunato, italiano), Dalila Pereira (falecida na infância), Marina Pereira (c/c Ary Gonçalves), Amélia Felizzola Pereira (c/c Odacyr Luiz Lemes Timm, pais de Maria de Lourdes Pereira Timm, pesquisadora da família, e Paulo Cezar Timm), Dileta Pereira (c/c o Eduardo Bicca), Leda Pereira (c/c Dary Grassi) e Sônia Pereira, nascidas em Santa Maria.
As sete filhas do casal Romilda Felizzola e Affonso Pereira
do acervo de Maria de Lourdes Pereira Timm

F.6. Francisco Filizola, nascido a 08/06/1889 em Santa Maria. Casou-se a 22/12/1917 no então distrito de Boca do Monte em Santa Maria com Edelia Gomes da Rocha, n. 1895 em Santa Maria, filha de Alexandre Gomes da Rocha e Secundina.
F.7. Ambrosino Filizzola, nascido a 12/12/1890 em Santa Maria. Sem mais notícias.
F.8. Emília Filizzola, nascida a 09/05/1892 em Santa Maria, onde se casou a 09/12/1912 com Lúcio de Mendonça Filho, nascido em 1886 na cidade do Rio de Janeiro, filho de Lúcio de Mendonça e de Maria Marieta de Noronha. O casal fixou-se posteriormente na cidade do Rio de Janeiro.
Casa do Jary, município de Tupanciretã, construída por Affonso Pereira.
A sala de aula ficava junto onde Romilda Felizzola lecionava.
Fotografia do acervo de Maria de Lourdes Pereira Timm
F.9. Lino Orlando Filizzola, nascido a 23/09/1893 em Santa Maria, onde foi alfaiate, mudando-se depois para Porto Alegre. Casou a 04/03/1916 em Santa Maria com Joanita Loss, ali nascida em 1897, filha de João Loss Sobrinho e Isabel Kock. Pais, ao menos, de: Léa Filizzola.
F.10. Elvira Filizzola, nascida a 13/04/1895 ou 1897, Santa Maria, onde casou a 09/02/1929 com Gregório Macedo Coelho, nascido a 01/01/1902 em Livramento/RS. Gregório era funcionário postal, filho de Fidélis Samborjano Coelho (sic) e de Carolina Macedo.
As três irmãs: Natália, Helena e Romilda Felizzola
do acervo de Maria de Lourdes Pereira Timm


F.11. Helena Filizzola, nascida a 01/04/1897, Santa Maria, onde casou a 12/07/1913 com Annibal Barbosa, nascido em 1890 em Lorena/SP, filho de Joaquim Barbosa de Lima e de Emygia Vieira.
Helena Felizzola
do acervo de Maria de
Lourdes Pereira Timm
F.12. Humberto Filizzola, nascido a 25/01/1900, Santa Maria, onde casou a 17/09/1924, com Ida Souza, nascida a 05/03/1902 em Rosário do Sul/RS, filha de Francisco Jacinto de Souza e de Virgilina. Pais, ao menos, de: Maria Moema de Souza Filizzola e de Fernando de Souza Filizzola.
F.13. Amadeu Filizzola, nascido a 25/10/1901, Santa Maria. Teria se radicado no Rio de Janeiro. Sem mais notícias.
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Fontes:
Processo de Arrecadação dos bens deixados por José Filizzola - n.º 401, ano 1903, maço 16, cartório de órfãos de Santa Maria/RS (APRS).
BELTRÃO, Romeu. Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho, 2. ed., 1979.
- Arquivo pessoal de Ana Celina Felizzola, Diego Vignoli, José Antônio Brenner, Perla Delambert Filizzola, Maria de Lourdes Pereira Timm Pereira.
- RIGHI, José Vicente, BISOGNIN, Edir Lúcia e TORRI, Valmor. Povoadores da Quarta Colônia. Porto Alegre: EST ed., 2001.
- CARDOSO, Edmundo. História da Comarca de Santa Maria (1878-1978), ed. Imprensa Universitária.
- Registro Civil de Santa Maria/RS: registros de nascimentos, casamentos, óbitos e habilitações de casamento (APRS e Igreja dos Mórmons, pesquisas em microfilmes).
- Bispado de Bagé/RS: livro de batismo de Lavras do Sul.