domingo, 20 de julho de 2008

História da família Brasil (I) - José da Silva Brasil

José da Silva Brasil
autoria de Diego de Leão Pufal
[atualizado em 25/11/2013]

José da Silva Brasil, meu trisa-avô, nasceu a 08 de novembro de 1856 (para outros, em 1858) em Santa Maria/RS, tendo sido batizado a 20 de março de 1857 na mesma cidade, tendo como padrinhos Inácio de Souza Jaques e Ana Thomazia da Silva, sua tia paterna. Era filho de João Thomaz da Silva Brasil, natural de Santo Antônio da Patrulha e de Francisca Gomes de Oliveira, de Santa Maria.
As primeiras letras foram-lhe ensinadas em algum dos colégios particulares de Santa Maria, onde também aprendeu o alemão, língua que falava fluentemente. Nos mesmos bancos escolares foi colega de Júlio de Castilhos - que em 1891 tornou-se Presidente do Estado (Governador do Estado) -, de quem se tornou amigo e que o nomeou posteriormente como professor público. As primeiras aulas que ministrou foi em Silveira Martins, próximo a Santa Maria, até que o então Governador do Estado o nomeou como escrivão de órfãos e ausentes de Santa Maria, cargo em que trabalhou durante quarenta e cinco anos, até se aposentar. Antes disso, contudo, em 1877, José da Silva Brasil, como coronel, desbravou Silveira Martins, abrindo as primeiras picadas para abrigar os colonos italianos recém desembarcados.
Por ocasião do centenário de José da Silva Brasil, o filho, o Dr. Mário da Silva Brasil, escreveu para o jornal local uma homenagem ao pai, com o título de "Centenário de um Santamariense" (cópia do manuscrito que me foi passada por Carmem Brasil, filha de Mário):
Decorre, este ano, o centenário de nascimento de um ilustre Santamariense. Trata-se do cidadão José da Silva Brasil, nascido a 8 de novembro de 1858 e falecido nesta cidade no dia 20 de outubro de 1933. Foi o notável patrício colega de colégio de Júlio de Castilhos onde aprendeu as primeiras letras e o alemão, idioma que manejava fluentemente. Castilhos, seu íntimo amigo, nomeou-o professor público em Val da Serra, onde lecionou por cinco anos e onde aprendeu a língua italiana muito bem. Em seguida seu amigo promoveu-o para a escrivaninha de orfãos e auzentes para Santa Maria, onde exerceu nobremente aquela profissão durante 45 anos. Por ocasião de seu falecimento, em 20 de outubro de 1933, entre outras cousas, disse o Diário do Interior desta Cidade: ‘O venerado ancião deixa um nome honrado a zelar. Foi durante longos anos, escrivão de Orfãos e Auzentes desta cidade, cargo que sempre exerceu com grande capacidade e trabalho, zelo inconfundível e retidão impecável. Alma boa e coração generoso, o morto de ontem viveu uma vida sem manchas nem deslizes, legando aos seus filhos um patrimônio de honradez e virtudes, tão raro nestes dias sombrios de crise generalizada de caracteres em que o materialismo, não raro, cede lugar ao abastardamento das conciências. Se, como funcionário, era impecável porque sabia cumprir, religiosamente os seus deveres, como cidadão e como chefe de família, era inexcedível, porque prestigioso e exemplar, verdadeiro paradigma, fazendo-se respeitar e estimar a todos.’É justo que a cidade reverencie a memória de seu ilustre filho dando o seu nome a um logradouro público ou erguendo-lhe uma herma na cidade.
Aos vinte dois anos, em 13 de maio de 1888, casou-se com Maria José Alves de Oliveira, nascida também em Santa Maria a 13 de agosto de 1865. Vó Sinhá, como era conhecida, era filha do criador Benedicto Alves de Oliveira e de Maria Francisca dos Reis, e tinha, como dizem, muita personalidade (para não se dizer que era geniosa, sem travas na língua), mas mesmo assim o casal dava-se muito bem. Vó Sinhá faleceu aos 15 de outubro de 1933 e José, cinco dias depois, no dia 20 portanto.
Maria José e José da Silva Brasil
Do casamento houve doze filhos: Mário da Silva Brasil; Francisca Alves Brasil (Chiquita); Ademar Alves Brasil; Jacy Alves Brasil; Waldemar Alves Brasil; Maria José Alves Brasil (Zezé); Nero Alves Brasil (Homero); Saul Alves Brasil (Sadi); Cacilda Alves Brasil; Cícero Alves Brasil; Athos Alves Brasil e Ernani da Silva Brasil.

Um comentário:

Elisabeth Brasil de Brasil disse...

Encanta-me conhecer minhas origens familiares.A história como campo do conhecimento cientifico através do estudo de memórias nos conduz a um universo fantástico .Chama a- tenção nos relatos o nivel intelectual de nossa familia.O tom da escrita se mantem até hoje em varios de nós.Minha tia Mariazinha é um exemplo.Como professora do curso de História adoro escrever e aleitura faz parte do meu cotidiano.Parabens Diego pelo belo trabalho que estas fazendo.Beth Brasil