sexta-feira, 12 de junho de 2009

Poesias de Mário Brasil

Poesias de Mário da Silva Brasil 

Bem na Lata


Quem as vir imponentes, donairosas,
Cheias de garbo e plenas de arrogancia,
Verdadeiras sultanas de elegancia
Dirá que são como tambem formosas.

Confessando a verdade, são mimosas,
E nos cofres têm ouro em abundancia,
Mas lastimo, sem duvida, a ignorancia
Que têm da educação tão lindas rosas.

Eis um facto que muito as desacata:
Comprimenta-as alguem que vae passando
E as janellas recebe pela “lata”.

A resposta porem têm as sultanas,
Pois o nosso Bocage, gracejando,
Por lá passa é um cacho de bananas.


Porto Alegre, 14-6-1910.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Inventários Lagunenses - Quitéria Maria da Trindade (1812)

Inventários Lagunenses
Arquivo Histórico Municipal de Laguna/SC
(Casa Candemil)
Quitéria Maria da Trindade (1812)

Quitéria Maria da Trindade
Proc. 203/1812 (cx. 01) - testamento
Obs: na capa consta como testamento de Agostinho Silveira de Medeiros;
O texto em azul não consta do original.

Testamento de Quitéria Maria da Trindade feito em 10-09-1812, enferma, em Laguna. Declarou ser natural da freguesia de N. Sra. da Ajuda (sic), ilha Graciosa, Açores, filha de Sebastião de Ávila e Maria Medina, casada com Antônio Francisco Teixeira [nascido na ilha de São Jorge, Açores e falecido a 27-09-1820, Laguna], de cujo casamento houve vários filhos, sendo que apenas quatro chegaram à idade adulta, foram eles:

F1- Ana [Maria Joaquina], nascida em Laguna, onde casou a 30-01-1790, com Félix Antônio da Silva.
F2- Teresa [Joaquina], nascida em Laguna, onde casou a 14-05-1809, com José de Medeiros.
F3- Joaquim [talvez tenha falecido entre 1812-1820, visto não ter se achado mais informações]
F4- Manuel Francisco Teixeira [nascido em Laguna, onde casou a 08-01-1802, com Mariana Rosa de Jesus].

Como testamenteiros: o filho Manuel Francisco Teixeira e o cunhado Manuel Teixeira Machado [seria o mesmo Manuel Teixeira Machado, alferes e juiz ordinário de Laguna, casado com Paula Gonçalves Ribeiro?]
*Fonte: Famílias Lagunenses, de Moacyr Domingues.

Inventários Lagunenses - Agostinho Pereira

Inventários Lagunenses 
Arquivo Histórico Municipal de Laguna/SC
(Casa Candemil)

Agostinho Pereira (1777)

Processo n. 24A



Inventário de Agostinho Pereira, autuado em 19 de maio de 1777 em Laguna/SC.

Inventariante: Marta Dias, viúva.

Herdeiros - Filhos:


F1- Matias Pereira, 22 anos (em 1777), casado;

F2- Manuel Pereira Dias, 18 anos (em 1777), solteiro, residente em Viamão/RS.

F3- Antônio Pereira, 16 anos (em 1777);

F4- Tomás Pereira, 11 anos (em 1877).


Essa família possivelmente tenha saído de Laguna e, seguindo o irmão Manuel Pereira Dias, se radicado no Rio Grande do Sul.





segunda-feira, 20 de abril de 2009

Inventários Lagunenses - Josefa Rodrigues de Jesus (viúva do Cap. Anselmo Gonçalves Ribeiro)

Inventários Lagunenses 
Arquivo Histórico Municipal de Laguna/SC
(Casa Candemil)
Josefa Rodrigues de Jesus (1816)
viúva do Cap. Anselmo Gonçalves Ribeiro
Grande parte da documentação produzida pelo Poder Judiciário da Comarca de Laguna encontra-se no Arquivo Histórico Municipal de Laguna/SC, também chamado de Casa Candemil. Ali, é possível pesquisar os primeiros inventários, desde o século XVIII ao XX, sendo o mais antigo o de Severino Correia, autuado em 1738. Lamentavelmente, muitos dos feitos se acham em péssimo estado de conservação, não só corroídos por cupins e brocas, mas também desgastados pelo tempo, como o da minha antepassada D. Joana Francisca do Nascimento, esposa do capitão-mor Jerônimo Francisco Coelho, de 1809. Outros, contudo, em que pese o referido, podem ser lidos "tranquilamente", revelando informações até então inexistentes ou, quiçá, duvidosas. Em razão disso, pretendo, na medida do possível, trazer as principais informações de cunho genealógico, constantes nos inventários mais antigos, como por exemplo o de D. Josefa Rodrigues de Jesus, viúva do Capitão Anselmo Gonçalves Ribeiro, ambos descendentes de conhecidas famílias catarinenses e gaúchas:

Inventário de Josefa Rodrigues de Jesus, viúva
Processo n. 258/1816 – Casa Candemil- Laguna/SC
Inventariante: Luís Gonçalves Ribeiro

A inventariada faleceu aos 29/05/1816, Laguna/SC, com testamento feito em 17-04-1816, no qual declarou ser natural e batizada em Laguna, filha legítima de Gabriel Rodrigues de Jesus e Vitória de Jesus, já falecidos. Declarou que foi casada com o capitão Anselmo Gonçalves Ribeiro, falecido, com quem teve doze filhos “entre maxos e fêmeas”, dos quais três faleceram em menor idade, sendo os outros, os seguintes:
F1- Cap. Joaquim Gonçalves Ribeiro, casado, morador na Vila de Porto Alegre/RS.
F2- Cap. Francisco Anselmo Ribeiro, residente em Santa Catarina, falecido, foi casado; O inventariante ignorava os herdeiros de Francisco, mas a inventariada disse em seu testamento que houve.
F3- Rosa Gonçalves Ribeira, viúva de Manuel Gomes da Cruz, moradora em Laguna.
F4- Maria Teresa, falecida na cidade do Rio de Janeiro, onde c/c Henrique de Almeida Costa, representada por seu filho:
N1- Joaquim, ignorado o lugar de sua existência.
F5- Ana Ribeira, já falecida quando do testamento de sua mãe, c/c Domingos da Fonseca, representada pelos filhos:
N1- Josefa, c/c Tomás Fernandes de Oliveira, moradores de Laguna.
F6- Luís Gonçalves Ribeiro, casado e morador nesta Vila
F7- Paulo Gonçalves Ribeiro, casado, e morador nesta vila
F8- Januária Francisca, já falecida quando do testamento materno, na vila da Laguna, c/c Domingos Fernandes de Oliveira, representada pelos filhos:
N1- Domingos Fernandes, solteiro, 29 anos, res. Laguna.
N2- Henrique Fernandes de Oliveira, casado, morador na vila de Porto Alegre/RS.
N3- Antônio Fernandes, casado na mesma vila de Porto Alegre.
N4- Manuel, solteiro, 24 anos, res. Laguna
N5- Luís? Fernandes, solteiro, 21 anos, res. Laguna
F9- Escolástica, falecida, c/c que foi com José Francisco do Canto (e por sua morte não deixou filho).

domingo, 29 de março de 2009

Poesias de Mário Brasil

Distante


Dois mezes, só dois mezes e, no entanto,
Um século parece-me passado
Que do lar me auzentei, do lar amado,
Onde tudo sorria! Mas o pranto

Hoje me innunda a face, chóro e quanto
Soffro! Saudades tenho do sagrado
Ninho, onde eu era simples bafejado
Pelo affecto paterno e sacrosanto.

Saudades tambem tenho dos leaes
Amigos que venero, mas jamais
Esquecerei a quem, do inno do peito,

Consagro puro e verdadeiro amor,
A quem me tem o coração sujeito,
Virgem das virgens, tentadora flôr!


Porto Alegre, 27-4-1910.

***

Revendo o Passado

Si ainda agora revejo do passado
As brumas, mil figuras me apparecem
Que se agglomeram, multiplicam, crescem ...
Quanta gente, meu Deus, ali pasmado

Eu noto! E desse grupo, destacado,
Vejo um ser. É uma mulher. Não me esquecem
Suas labias. Quão ingrata foi! Perecem
Minhas chimeras e illusões. Culpado

Não sou. Amo-a ainda e o dever me obriga
A esquecel-a Contraste! Sei que imiga
Não é do meu amor, quer-me ainda agora,

E devo abandonal-a, pois sincera
Não foi, e assim de mim mais nada espera
Porque amor não se pede e nem se implóra.

Porto Alegre, 12-6-1910.

Alemães no RS: Os Fischer (4ª parte)

Alemães no RS: os Fischer (4ª parte)
autoria de Diego de Leão Pufal

Minha trisavó, Leopoldine Wilhelmine Fischer (Leopoldina Fischer), nasceu a 24 de setembro de 1877, no morro da Fortaleza, município de Taquara/RS, e foi batizada a 24 de janeiro de 1878 na igreja evangélica de Igrejinha/RS, tendo como padrinhos Jacob Spindler, a esposa Elise Deuner (prima de Helmuth Schmitt, abaixo), Philipp Fauth (tio materno) e Wilhelmine Ludwig. Leopoldine foi a terceira filha (de 14) do casal Philipp Nicolaus Fischer e Paulina Fauth, ambos nascidos em Taquara/RS e filhos de alemães.
Leopoldina Fischer, fotografia de 1900 (+/-).

Aos dezenove anos, Leopoldina foi trabalhar como doméstica na casa de Johann Nicolaus Schmitt (tio de sua madrinha Elise Deuner) em Taquara. Lá conheceu e se envolveu com o filho de Johann Nicolaus, de nome Helmuth Schmitt, que estava ali para trabalhar na construção da estrada de ferro, durante os anos de 1894 a 1899, contratado por João Corrêa Ferreira da Silva e João Legendre. Em 1898, Leopoldina já grávida do relacionamento que manteve com Helmuth Schmitt, foi residir na localidade de Aurora, distrito de Taquara, na casa do cunhado Guilherme Puls (casado com Amalie Fischer), possivelmente para não revelar a gravidez, ali nascendo, no dia dois de março de 1898, Helmuth Schmidt Filho, meu bisavô - referido neste blog.
Passados alguns anos, Leopoldina casou-se com Pedro Bloss e foi residir em Riozinho, hoje município, à época pertencente a Rolante/RS, com quem gerou mais: Frida, Arlindo, Alice, Irene e Hilda Bloss.
O casal e filhos residiam em uma casa de pedra, num morro, em Riozinho, onde Leopoldina faleceu aos 05 de fevereiro de 1959. Ali também criou os filhos de seu segundo casamento, pois o primeiro (Helmuth Schmidt Filho), ainda adolescente, veio para Porto Alegre trabalhar com os tios Artur Felipe Fischer, Fredolino Fischer e Antônio Genta, sendo, posteriormente, sócio da Casa Genta & Schmidt Ltda.

terça-feira, 10 de março de 2009

Poesias de Mário Brasil

Um Enforcado
(Soneto sem verbos)

Noite serena, tentadora e bella,
Mudo silencio na deserta rua,
Raios de prata da fagueira lua
Sobre um espectro livido à janella.

Sombras, entanto, no interior na cellam
Livros esparsos sobre a mesa sima,
Um pobre catre, realidade crua,
E ainda um coto misero de vela.

E nada mais naquelle quarto umbroso ...
Um momento depois ... quadro horroroso,
Scena terrivel, tragica guarida!

Pois o corpo daquelle desgraçado
Rigido, inerte, hirto, enregelado,
Do tecto eil-o suspenso e já sem vida ...!
Porto Alegre, 3-4-1910.