quarta-feira, 23 de julho de 2008

Italianos no RS: os Canova (Porto Alegre)

FAMÍLIA CANOVA

autoria de Diego de Leão Pufal
[acréscimos, dúvidas e correções escreva para diegopufal@gmail.com]
[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: PUFAL, Diego de Leão. Família Canova, in blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/] 
[publicado em 23/07/2008]
[atualizado em 29/03/2020]



Ciro Mioranza, em seu dicionário dos sobrenomes italianos, aponta a origem do patronímico Canova: é uma variação de Caneva, que varia de Canepa, podendo se referir a caneva (do latim cannaba, cantina, celeiro, despensa). Canepa, variação de Canapa. Canapa, do latim cannabis, cânhamo, recorda o cultivo e a comercialização das fibras deste vegetal para a confecção de tecidos. O sobrenome Canova pronuncia-se “Cánova”.

[Na foto: Domenico Canova e 
Pierina Trenti Canova (sentados); 
Giuseppe, Carolina e
 Ginevra Canova (em pé), 
Porto Alegre, 1893].

Várias foram as famílias Canova e Caneva que emigraram para o Brasil, na sua grande maioria oriundas da Província de Vicenza, e com provável parentesco, porém distante. Em razão disso, até por desconhecer a relação do imigrante Domenico Canova com os demais, limitei-me a pesquisar e relacionar a história e a descendência deste ramo Canova, estabelecido em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, o qual conta atualmente com apenas 27 (vinte e sete) descendentes, apesar de já se encontrar na sétima geração – três na Itália e quatro no Brasil –, sendo que o sobrenome foi "extinto", já que seu descendente homem (por varonia) não deixou filhos.
A família Canova, composta por Domenico Canova, sua esposa Pierina Giovanna Trenti, e os filhos: Giuseppe, Ginevra e Carolina Canova (foto ao lado), saiu de sua terra natal, Schio (em Vicenza), embarcando para o Brasil no porto de Gênova, no ano de 1893. No mesmo ano chegou ao Brasil, estabelecendo-se em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no Quarto Distrito, à Rua do Parque.
Eis o que já se conseguiu apurar sobre as raízes da família na Itália e no Brasil:
1. GIUSEPPE CANOVA, nasceu a 18/08/1817 em Carmini, Vicenza, Vicenza, Vêneto, Itália, onde faleceu. Tinha a profissão de cocchiere (cocheiro) e era filho de Domenico Canova (nascido por volta de 1797, Vicenza) e Andrea Casotto (nascida em 1796 em Tremignano, TV, Itália), neto paterno de Francesco Canova e Domenica Meneghini, nascidos pelos idos de 1760/1760. Giuseppe Canova casou a 04/02/1844, Carmini, Vicenza, Vicenza, Itália, com Maria Magdalena Magnabosco, nascida a 1º/08/1823, Canove, Roana, Vicenza, filha de Bortolo Magnabosco e Anna Spiller. O casal não emigrou para o Brasil, apenas o filho, que segue:
2.1. DOMENICO ANTONIO LUIGI CANOVA (no Brasil: Domingos Canova), nasceu a 23/10/1852 na cidade de Carmini, Vicenza, Vicenza, Vêneto, Itália e faleceu aos 45 anos, a 07/02/1897 em Porto Alegre/RS, às 18 horas na Rua do Parque, n.º 41, de febre tifóide complicada (sic), sepultado no cemitério da Santa Casa de Porto Alegre, e, após, seus restos trasladados para o cemitério São João. Casou a 09/06/1878 na cidade de Schio, Província de Vicenza, Vêneto, Itália, com Pietra Giovanna Trenti (nome de batismo, pois era chamada de Pierina). Vó Pierina como era conhecida, nasceu a 27/03/1858 na cidade de Verona ou na de Soave, Verona, Vêneto, Itália, e faleceu aos 87 anos, a 06/06/1945 em Porto Alegre, tendo sido sepultada no cemitério São João. Era filha de Marco Trenti e Caterina Sabaini, os quais também não vieram para o Brasil (vide maiores informações em: http://pufal.blogspot.com/2011/04/italianos-no-rs-ix-os-trenti.html). Vó Pierina era parteira (reparatrice) de profissão e, Domenico, tecelão (tessitore).
·                    Ainda não foi possível descobrir o ano e o nome do navio exato em que a família Canova veio para o Brasil, mas apenas que deve ter emigrado em 1893, estabelecendo-se em Porto Alegre no quarto distrito, entre os Bairros São Geraldo e Navegantes. Domingos, como referido, era tecelão e, conforme sua neta Josephina Scorcioni, se empregou em uma fábrica de tecidos – Fiatece – localizada no Caminho Novo (atualmente Rua Voluntários da Pátria), esquina Avenida São Pedro.
·                     Os primeiros anos na nova terra foram duros, tanto em razão da língua e costumes, como em virtude do falecimento da filha menor do casal – Carolina –, seguida pela irmã Maria, quando a família decidiu voltar à Itália. Contudo, nesse ínterim, Domingos veio a falecer de febre tifóide, deixando a viúva e dois filhos, obrigando Pierina a trabalhar em diversos locais em Porto Alegre, dentre eles, os “Correios e Telegraphos”.
·                     A família, a exemplo dos demais italianos radicados em Porto Alegre, era freguesa da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Avenida Independência, passando ao longo dos anos para a igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.
·                     Domingos e Pierina provavelmente tiveram vários filhos entre Giuseppe e Genebra, dada a grande diferença de idade entre eles, de dez anos, os quais faleceram, creio eu, em tenra idade ainda na Itália. Dos que consegui apurar foram quatro filhos: Giuseppe, Genebra, Carolina e Maria Canova, tendo criado ainda a menina Felícia casada depois com Francisco Macokis (sic).
Pais de:
3.1. GIUSEPPE CANOVA, tio Peppe como era conhecido, levou o nome do avô paterno (no Brasil: José Canova). Nasceu a 07/11/1878, na cidade de Schio, Vicenza, Vêneto, Itália e faleceu em setembro de 1924 em Porto Alegre. Casou a 08/06/1907 na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre, com Vittória Piva, que nasceu em 1884 na Itália e faleceu em Porto Alegre, pouco depois do marido, de tuberculose. Era filha de Ermenegildo Piva[1] (*1849, Itália) e Ângela Felipetto ou Braganhola ou Bragagnola (*1852, Itália); n.p. Luigi Piva (*Itália onde fal.) e de Antonia Bordina (*1826, Itália e fal. em Porto Alegre); n.m. Matteo Braganhola e Ângela, naturais da Itália. O casal residia próximo à Rua do Parque em Porto Alegre e teve apenas dois filhos, sendo que a segunda faleceu em tenra idade. “Tio Peppe” trabalhava numa fábrica de cerveja em Porto Alegre e teria falecido de tifo. Pais de:
4.1. DOMINGOS HERMENEGILDO CANOVA (Nelo), levou os nomes de seus dois avós, Domenico Canova e Hermenegildo Piva. Nasceu a 09/09/1908 em Porto Alegre, tendo sido batizado a 01/11/1908 na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, e faleceu a 25/10/1975 em Porto Alegre, sendo sepultado no cemitério São João. Casou no ano de 1943 com Aida Ribeiro que nasceu a 19/01/1921 em General Câmara, sendo filha de Fioravante Tomás Ribeiro e Margarida de Paula. Nelo foi criado pela avó Pierina, e Aida Ribeiro reside em Porto Alegre, sem descendência.
4.2. ANGELINA PIERINA CANOVA que levou os nomes de suas avós, Ângela Felipetto e Pierina Trenti. Nasceu a 12/05/1910 em Porto Alegre e foi batizada a 01/10/1911 na Igreja de N. Sra. dos Navegantes, tendo falecido dois meses após a 16/12/1911.
3.2. GENEBRA CANOVA, registrada com o nome de Ginevra e conhecida como vó Boeta, chegou ao Brasil com cerca de cinco anos. Nasceu a 26/02/1888 na cidade de Schio, Vicenza, Itália, e faleceu aos 74 anos, a 06/12/1962 em casa, na Rua Beiruth n.º 63, em Porto Alegre, de enfarte de miocárdio, sendo sepultada no cemitério São João. Uniu-se por volta de 1907 com João Scorcioni, pois só vieram a casar pelo civil em 13/11/1926, em Porto Alegre, quando reconheceram as filhas Luiza e Josephina. João Romano Constantino Colatti Scorcioni – nome de batismo – nasceu a 24/06/1879[2] na fazenda dos Prazeres em São Leopoldo, onde foi batizado a 03/07/1880, e faleceu aos 63 anos de câncer de laringe, a 22/06/1942 em Porto Alegre (sepultado no cemitério São João). João Scorcioni era filho dos italianos Alessandro Scorcioni e Luigia Colatti ou Colatto.
João Scorcioni era comerciante e vidraceiro, estabelecido com Armazém de Secos e Molhados. O casal residiu primeiramente na Rua do Parque, depois na Conselheiro Travassos e, por fim, na Rua Beiruth n. 83, no Bairro Navegantes, onde João faleceu. O casal deixou duas filhas, que seguem:
4.1. LUIZA PIERINA SCORCIONI (Tati), levou os nomes de suas avós Luigia Colatto e Pierina Trenti. Nasceu a 13/09/1908 em Porto Alegre, e foi batizada a 15/12/1909 na igreja de N. Sra. da Conceição, e faleceu aos 76 anos, a 02/10/1984, em Porto Alegre, em seu apartamento na Avenida Amazonas, n. 1068/202, de embolia pulmonar, arterite de células gigantes e vasculite necrosante, sepultada no cemitério São João. Luiza casou a 04/12/1926 em Porto Alegre (no civil), e vinte e cinco anos após na Igreja São Pedro, com Helmuth Schmidt Filho (vô Schmidt), nascido a 02/03/1898 em Aurora, no município de Taquara, onde batizado (igreja evangélica) a 15/06/1898 em Igrejinha e falecido a 27/09/1958 em Porto Alegre, aos 60 anos de idade de síncope cardíaca, cardiopatia artéria esclerótica e enfisema pulmonar, em sua residência localizada na Rua Almirante Tamandaré, n. 464 (cuja casa ainda existe). Helmuth era filho de Helmuth Schmitt, natural de Campo Bom (um dos primeiros moradores de Canela), e de Leopoldina Guilhermina Fischer, natural do Morro da Fortaleza, município de Taquara.
·            Luiza estudou no Grupo Escolar Voluntários da Pátria, com a irmã Josephina, formando-se, depois, em Prático-Licenciado de Odontologia, juntamente com Otávio Rocha, conforme conta a família, tendo sido uma das pioneiras nesta atividade, mas pouco exerceu a profissão.
·                    Helmuth era comerciante e vidraceiro, cujo ofício aprendeu com seus tios Fredolino Fischer, Artur Fischer e Antônio Genta. Com o último se associou na Casa Genta & Schmidt Ltda, empresa de grande porte para a época e muito conhecida no Rio Grande do Sul pelos seus belos trabalhos em vitrais, arte em vidros e trabalhos em espelho.
·                    O casal teve duas filhas: Odette Luiza Schmidt (c/c Pedro Corrêa Pufal, meus avôs paternos), e Ivonny Leopoldina Schmidt (c/c Ery Fischer).
4.2. JOSEPHINA SCORCIONI (Tia Fifi), levou o nome de sua tia-avó Josephina Colatto, irmã de Luigia Colatto. Nasceu a 21/12/1909 em Porto Alegre e foi batizada em 24/03/1911 na Igreja de N. Sra. da Conceição e faleceu a 4/11/2008, Porto Alegre. Casou a 14/09/1932 na igreja de N. Sra. dos Navegantes, em Porto Alegre, com Francisco Adolfo Luckei (tio Chico), nascido a 21/05/1906 em Erechim e falecido a 12/02/1983 em Porto Alegre. Francisco Adolfo era filho de Theodor Luckei (nascido a 19/09/1886 na Alemanha e falecido a 19/12/1963 em Porto Alegre) e de Bertha Maria Barbara Minnach (nascida em 1886 na Alemanha e falecida a 01/05/1971 em Porto Alegre), neto materno de August Minnach e Anna, naturais da Alemanha. Foram pais de dois filhos: João Theodoro Luckei e Evaldo Francisco Luckei, ambos falecidos em Porto Alegre.
·                    Tia Fifi residia em Porto Alegre. Ela e o marido foram proprietários de um armazém de secos e molhados, ramo de seu pai e sogro, no Bairro Navegantes.
3.3. CAROLINA CANOVA, filha de Domenico Canova e Pierina Trenti, nasceu a 20/01/1891 na cidade de Schio, Vicenza, Itália, tendo chegado ao Brasil com cerca de dois anos de idade. Faleceu aos cinco anos, de meningite, a 19/03/1896.
3.4. MARIA CANOVA, nasceu a 02/08/1895 em Porto Alegre e foi batizada a 17/08/1895 na igreja de N. Sra. do Rosário, data em que também faleceu.
***
[1]Vide família PIVA neste blog: http://pufal.blogspot.com/search?q=piva.
[2] Conforme o registro de batismo, João teria nascido a 03/06/1879. 

terça-feira, 22 de julho de 2008

História da família Brasil (II) - A origem do sobrenome


A origem do sobrenome Brasil
- João Thomaz da Silva Brasil -
autoria de Diego de Leão Pufal

Embora o sobrenome Brasil já existisse na ilha de São Jorge, nos Açores, Portugal, desde o século XV, não é o caso da nossa família, que acabou por adotar o patronímico por volta de 1850, no Rio Grande do Sul.
A família inicia-se com a vinda de Anacleto José Gonçalves, nascido por volta de 1780 em Lisboa (para outros, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, Torre de Moncorvo, Porto) para o Brasil. Anacleto radicou-se em Santo Antônio da Patrulha/RS, onde aos 26 de abril de 1803 casou-se com Thomásia Rodrigues da Silva, nascida em Viamão pelos idos de 1780, filha de Antônio Rodrigues da Silva e de Maria Ângela da Silva, esta neta de índios. Deste casamento houve, no mínimo, nove filhos, sendo que alguns seguiram com o sobrenome Gonçalves e outros, com o da Silva.
Foi o caso de João Thomaz da Silva, nascido pelo ano de 1824 em Santo Antônio da Patrulha, que aos onze anos de idade se estabeleceu em Santa Maria da Boca do Monte.
Nesta cidade incluiu no seu nome o "Brasil", em razão de um homônimo comerciante, como dizem. Anos depois, em 12 de abril de 1855 casou-se com Francisca Gomes de Oliveira, que foi exposta (enjeitada) em casa de Antônio da Costa Pavão e batizada a 30 de abril de 1840 em Santa Maria, tendo sido criada por Mathilde da Costa Pavão, filha de Antônio.
Três anos após, João Thomaz da Silva Brasil foi eleito vereador, compondo a primeira Câmara de Vereadores de Santa Maria, deixando o comércio de lado. Nesse mesmo período, juntamente com outro vereador, elaborou o Código de Posturas do Município, enquanto que nos anos seguintes exerceu os cargos de Juiz de Paz, Promotor Público dativo, até voltar à vereança, sem prejuízo de outros que desempenhou.
A vida de João Thomaz foi assim retratada pelo neto, Dr. Mário da Silva Brasil, que em sua biografia (de 06-09-1950) escreveu:
"Meu avô, João Thomaz da Silva Brasil, era filho de Santo Antônio da Patrulha, onde nasceu em 1824, sendo seus pais Anacleto José Gonçalves, português de nascimento e falecido em Cruz Alta em 1835 e Tomazia Rodrigues da Silva. O meu avô, que viera ainda criança, com 11 anos, para Santa Maria, aí se fez homem, casando-se em 1857. Dedicou-se ao comércio, tendo adotado por essa ocasião o sobrenome Brasil por haver um outro comerciante seu homônimo. Em 19 de maio de 1858 foi eleito vereador da 1ª Câmara Municipal, como refere Hemetério José Veloso da Silveira, em sua obra sobre as Missões Orentais, às pags. 596 e João da Silva Belém, em sua História do Município de Santa Maria, às pags. de número 108, 110, 113, 114, 119 e 122, sendo designado com outro vereador para organizar o Código de Posturas do Município. Terminado o mandato em 1860, foi eleito juiz de paz do 1º distrito para os períodos de 1861-64, 1873-76 e 1877-80, sendo novamente eleito vereador da 3ª câmara para o quadriênio de 1865-68. Desempenhou ainda o cargo de promotor ad-hoc, além de outras representações públicas. Alguns anos depois mudou-se para o Passo do Raimundo, onde se fez agricultor. Homem inteligente e imaginoso, montou um engenho de cana para a fabricação de álcool, assucar e seus derivados, além de uma cantina cujas máquinas ele mesmo inventou e fabricou. Durante muitos anos trabalhou nestas indústrias com bons resultados, abandonando-as depois, devido à idade. Faleceu em 15 de junho de 1904, com 80 anos de idade, deixando 11 filhos, sendo o mais velho o meu pai, José da Silva Brasil, nascido em 8 de novembro de 1858."
No mesmo sentido, mencionou o historiador Romeu Beltrão (Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto muncípio de São Martinho. 2ª ed. 1979, p. 170):
São indicados como eleitores especiais do 4º distrito para o triênio 1856-1858, para elegerem em Cachoeira os deputados gerais e provinciais: (...) João Tomás da Silva Brasil (...)". Ainda, é citado às págs. 174/176; 193; 199; 297 e 355. Nesta última, diz que: "1889, Janeiro, 26 - Em reunião convocada por João Daudt Filho é constituída a sociedade anônima por ações denominada Sociedade Treze de Maio, a fim de promover a construção de um teatro, que também se chamará Treze de Maio, na esquina da praça Saldanha Marinho com a rua Venâncio Aires. Na reunião foram subscritos 20 contos de réis em ações. A primeira providência é tratar de adquirir o terreno, de propriedade da sociedade dramática Fênix Familiar, já inativa na época, à qual pertecenram, entre outros, João Tomás da Silva Brasil (...).
Com o avançar dos anos, João Thomaz deixou a vida pública, mudando-se para o Passo do Raymundo (terras pertencentes então à família Pavão), local que atualmente leva o nome de Rincão dos Brasil, quando passou a se dedicar à agricultura. Mesmo com a morte da esposa Francisca, em 14 de fevereiro de 1890, João Thomaz ficou ali residindo com os filhos e netos, até o seu falecimento em 15 de junho de 1904, aos oitenta anos de idade.
Do seu casamento deixou doze filhos, todos com larga geração, sendo que alguns descendentes até hoje vivem no Rincão dos Brasil, onde são agricultores.
Em homenagem a João Thomaz - o "fundador" da família Brasil em Santa Maria -, o município batizou uma escola com o seu nome.

Poesias de Mário da Silva Brasil

Mais algumas poesias de Mário da Silva Brasil:


24 de Outubro


E nesta data que enlotou à historia
Que eu prestar venho um reverente culto
A um braço forte, portentoso vulto
Da nossa Patria verdadeira gloria!

Foram seus feitos colossal vitoria,
Que só não vê o pretencioso estulto
Que lhe dirige vergonhoso insulto,
Mas não lhe mancha a cultual memória.

Por isso venho derrramar meu pranto
Junto da campa deste heróe perfeito
Que a sua Patria idolatrava tanto.

E a sua memoria, enreverente preito,
Levantem todos do Rio-grande filhos
Um viva unisono ao imortal Castilhos.

Fonte: recorte de jornal
***

De Manhã


Quantos encantos, na manhã gentil
De primavera, nós gozamos, vendo
Os malmequeres que, em centenas mil,
Orlam os campos, um lençol tecendo!

Quanto é soberbo ver-se o céu de anil,
O sol doirado quando vem nascendo,
A passarada alacre, a flôr gracil
E as campinas de luz resplandecendo!

E quando é bello, quão sublime mesmo
Ver os prodigios que a natura opéra
Até nas cousas que ahi estão a esno!

E não me engano, pois perfeita é em tudo
A natureza que, na primavera,
Deixou-me sempre deslumbrado e mudo!

Santa Maria, 9-7-1908.
***

Segredo e Confissão


Serena e branda vóz me fala ao peito,
Seduzindo-me sempre, oh tentação,
Pra arrancar-me um segredo ao coração
Que a aclaral-o está quasi e satisfeito!

Revelal-o, porém .... Que extranho effeito
Traz-me em vista tão fácil confissão?!
Não fazel-a é peccado, e vejo então
Que a contar o segredo estou sujeito.

Vou dizel-o portanto. Mas, .... meu Deus,
Que embaraços são tantos estes meus,
E que medo tão grande me domina?!

Porem, negar não posso, oh meiga flôr,
Que minh’ alma por ti morre de amor,
Mas perdão, si pequei foi minha sina.

Santa Maria, 29-1-1909.
***


Perdão

A inspiradora luz desses teus olhos
Que minh’alma ferir veio, donzella,
Me fascina, me attrahe e me enfeitiça
Porque és tu dentre as bellas a mais bella!

Foi a mão divina Providencia
Que premiou-te com dote tão sublime,
E, impellido por ella, em doce instante,
Captivo logo de teus olhos vi-me.

Mas que cruel e triste desventura
Não terei neste mundo enganador,
Si no teu peito não houver abrigo
Para meu canto que te pede amor.

E agora peço, pois és tão bondosa,
Ao meu arrojo conceder perdão,
E si não queres teu amor render-me,
Acceita, ao menos, o meu coração!

Santa Maria, 25-5-1909.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A família Pufal (I): biografia de João Luiz Pufal

A FAMÍLIA PUFAL (I): 
biografia de João Luiz Pufal


Autoria de Diego de Leão Pufal

[atualizado em 04/11/2013]

JOÃO LUIZ PUFAL
João Luiz Pufal, meu bisavô, nasceu no dia 08 de dezembro de 1892, às 22 horas, na então vila de Alfredo Chaves, atual cidade de Veranópolis, na serra gaúcha, tendo sido registrado[1] com o nome de “Johann Buffal”. Era filho dos imigrantes poloneses[2], Jacob Pufal e Emilie Doppler, ambos emigrados no ano de 1890 para o Brasil, estabelecidos em Nova Prata, então distrito de Veranópolis e, assim como os demais, gente de poucos recursos.
O pai, Jacob, dada sua profissão de construtor, não permaneceu muito em Veranópolis, vindo com a família para Porto Alegre nos idos de 1894/1895 em busca de novas oportunidades e também por não ser um “tradicional colono” ligado ao cultivo da terra. Além disso, os outros imigrantes que lá moravam, à semelhança de Jacob, não tinham posses, viviam da agricultura e do parco comércio de animais, o que não poderia imprimir um futuro digno à família, visto a profissão de Jacob no início de uma colônia frente ao progresso de Porto Alegre para a época.
Na capital gaúcha estabeleceram-se, como a maior parte dos imigrantes alemães, italianos e poloneses, no que é hoje o Quarto Distrito de Porto Alegre, nas cercanias das Avenidas Minas Gerais (hoje Av. Farrapos), São Pedro, da Fábrica (hodierna Guido Mondim), enquanto os “assuntos da alma” eram tratados pelo vigário da igreja de N.ª Sr.ª da Conceição, visto que a capela de N.ª Sr.ª dos Navegantes passou a existir a partir de 28-4-1897, sendo elevada à paróquia somente em 28-6-1919, das quais os Pufal eram fregueses.
Nessa época, João Luiz, com três anos de idade, deve ter iniciado as primeiras letras no Colégio São José em Porto Alegre. Contudo, embora a condição financeira dos pais, sabe-se que aprendeu o alemão e o francês, além do português, sem prejuízo do polonês que deve ter aprendido em casa, a indicar que teve uma boa base educacional.
Nesse tempo, em 27-02-1895, já em Porto Alegre, nasceu a primeira irmã de João Luiz que levou o nome de Rosália, tomado de sua tia Rosalie Pufal Gliese – (e batizada na igreja de N. Sra. da Conceição em 14-04). Dois anos depois, isto é, a 07-02-1897, nasceu o irmão Adolpho (batizado na mesma igreja em 18-04) que levou o nome do avô paterno Karl Adolph Pufahl –, seguido pelo irmão Eduardo, nascido a 24-07-1899 (batizado a 05-11-1899 na capela de N. Sra. dos Navegantes) que, por sua vez, teve o mesmo nome do tio Edward Pufahl. Por fim, teve mais uma irmã, Ida Emma Pufal, nascida em 12-10-1902 e falecida aos dois anos de idade, no dia 1°-02-1905.
Com o considerável crescimento e estouro populacional de Porto Alegre no final do século XIX, dado o grande número de emigrantes italianos e poloneses principalmente que aqui chegaram a partir de 1875, Jacob conseguiu amealhar alguns recursos com o seu mister de construtor, tanto que entre 1900 e 1904, já era proprietário de um terreno na Avenida Minas Gerais (n.° 12), pois em 04-05-1904 adquiriu do cunhado Julius Nitzke outro na mesma rua, onde se fixou como construtor e fez a própria casa: um sobrado de madeira verde, com avarandado, conforme informação de Adolpho Gliese.
João Luiz vendo a prosperidade do pai – recorda-se que Jacob chegou ao Brasil com muito poucos recursos –, decidiu seguir sua profissão, tendo sido, aos 17 ou 18 anos de idade, responsável técnico de sua provável primeira construção na Avenida Cristóvão Colombo, contratada por D. Quintina Carolina Bastos, seguida por obras na Capela de N. Sra. dos Anjos (gótica), na Avenida do Rosário, n.° 133, ambas nos anos de 1909 e 1910, sem prejuízo daquelas em que auxiliava seu genitor.
Entre 1910 e 1914, não se encontrou qualquer registro das atividades de J. L. Pufal. Porém, de um postal que remeteu aos irmãos em 1912, com os dizeres seguintes: “Buenos Aires, 1 Julio de 1912. Queridos Irmãos. Hoje com muito custo terei o dinheiro do Banco e chegarei com o Vapor Áustria, já comprei a pasaje muito cara, talvez lá por 12-13 julio estou outra vez em casa. Salud e Felicidade do vosso irmão João L. Pufal”, é de se supor tenha ido a Buenos Aires – onde a área da construção civil era deveras avançada –, fazer algum curso objetivando aprimorar sua técnica. Prova é que, a partir de 1915 o volume de suas construções cresceu consideravelmente, bem assim o fato de ter se associado ao pai e aos irmãos, Adolpho e Eduardo, para novas empreitadas.
Casa projetada e construída por João 
Luiz Pufal na Avenida São Pedro, 
em Porto Alegre, quase esquina com 
a Avenida Bahia, 
em meados de 1924/1926. 
Salienta-se, neste ponto, que o estilo utilizado por João Luiz em seus projetos não era de um simples construtor, pois sua técnica indica que teve muita instrução nas áreas da engenharia e arquitetura. Realizada as plantas respectivas em escala apropriada e com a previsão do material (quantidade e qualidade) a ser utilizado, sem falar nos detalhes dos prédios, geralmente artísticos e usados à época. Além disso, conservam-se até hoje materiais próprios de desenho a ele pertencentes: réguas, calculadoras, livros de cálculos e um bom acervo de livros e revistas próprios de arquitetura editados na Alemanha em 1898 em diante.
Em meados de 1920 encontrou-se João Luiz com um “Escriptorio Technico Commercial” na Avenida Minas Gerais, n. 12, em casa de seus pais.
Julieta e João Luiz Pufal (1928/1930)
Nesse ínterim, J. L. Pufal conheceu sua futura esposa Florentina Therese Jacks que, segundo dizem, era muito bonita. Flora, como era conhecida, nasceu em Porto Alegre em 04-04-1893, onde foi batizada a 1°-05-1898 na comunidade evangélica, sendo filha de Franz Gabriel Heinrich Jacks (Gabriel Jacks), natural de São Leopoldo, proprietário de um armazém de secos e molhados, açougueiro e fabricante de linguiça, com estabelecimento comercial no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria), e de Anna Theresa Louise Weisshand, natural de Berlin Stadt, Brandenburg, Alemanha. O casamento de João Luiz e Flora ocorreu em 16-07-1914, na Capela São José dos Alemães, na Avenida Alberto Bins em Porto Alegre, quando contavam 22 e 21 anos respectivamente. Deste casamento houve os filhos Jorge Marcelino Pufal, nascido a 31 de março de 1916 em Porto Alegre; Júlio Clóvis Pufal, nascido a 1° de julho de 1919 em Porto Alegre e foi batizado juntamente com o irmão Jorge, em 07-12-1919, o qual veio a falecer em tenra idade, aos cinco meses no dia 18-12-1919 na Santa Casa de Porto Alegre, de gastroenterite; Edith Pufal, nasceu a 17 de julho de 1920 também em Porto Alegre, onde foi batizada com um ano na igreja N. Sra. dos Navegantes, mas faleceu em seguida aos 28-12-1921; Dorothy Pufal, nasceu aos 19 de novembro de 1923, onde faleceu com menos de um ano, todos em Porto Alegre. Em decorrência do parto da filha Dorothy, Flora Jacks veio a falecer no dia 27 de novembro de 1923.
Casa projetada e construída por João 
Luiz Pufal na Avenida São Pedro,
 em Porto Alegre, quase esquina com 
a Avenida Bahia, em meados de 1924. 
A perda de três filhos e da esposa em menos de cinco anos não deve ter sido nada fácil para João Luiz Pufal que ainda sozinho teve que criar o filho Jorge, apenas com sete anos. Em meio a isto, deve ter buscado forças com os pais e irmãos, assim como com os colegas maçons, pois ingressou na maçonaria no mesmo ano de 1923 - da Loja São João. Nestes tempos (03-02-1923), J. L. Pufal já era construtor licenciado em alvenaria, concreto armado e estacaria naval, registrado na Prefeitura de Porto Alegre com o irmão Eduardo Pufal, ambos residentes na Avenida São Pedro, n. 79-G, o que se seguiu até o ano de 1924, pois em 13-01-1925 ele aparece estabelecido na Av. Bahia, n. 46A, enquanto que Eduardo, na Av. Ernesto da Fontoura, n. 117. Já em 20-01-1927 consta como residente na Av. São Pedro, n. 792B e, a partir de 27-01-1928, na Av. São Pedro, n. 878, e, no ano de 1932, no mesmo endereço.
Foi exatamente na década de 1920 que J. L. Pufal construiu inúmeros prédios em Porto Alegre, cujos passos foram descritos por Günter Weimer no livro "Arquitetos e Construtores no Rio Grande do Sul"[3]:
"PUFAL, João Luiz: Nasceu em Alfredo Chaves, em 8.12.1892. Intitulava-se arquiteto-construtor, porém sua licença era simplesmente de construtor de prédios de até quatro pisos e vãos de até 10 metros. Antes de se registrar no CREA, porém, havia construído algumas obras significativas como o Cine-Teatro Orfeu; a fábrica de móveis Walter Gerdau (esquina da Voluntários da Pátria com a Brasil), em 1924; a fábrica da Companhia Fiação e Tecidos Porto-Alegrense (FIATECI), na esquina da Voluntários com a São Pedro, no ano seguinte; o edifício da Companhia Predial e Agrícola, na Rua 7 de Setembro (já demolido); os armazéns de Azevedo Bento & Cia., também na Voluntários da Pátria, e dois trapiches. Em 1918, construiu a Sociedade Gondoleiros, na Av. Eduardo (hoje, Presidente Roosevelt). Ao que tudo indica, os projetos dessas obras foram desenvolvidos por seu irmão Eduardo. Assinou 20 projetos (entre 1910 e 1938), constantes nos documentos do arquivo da PMPA, dos quais dois foram de autoria de Franz Filsinger, o que é mais um indicativo de que sua atuação deve ter sido prioritariamente na área da construção. Em 1956, solicitou baixa no CREA por estar afastado havia dez anos da profissão por motivo de doença (CREA n. 699). Suas fábricas, no chamado ‘estilo utilitário’, à sua época representaram um considerável avanço em direção à arquitetura moderna".

Afora tais projetos, outros foram realizados por Pufal ao longo da década de 1920 e 1930, quais sejam: 

· 1918/1919 - obra própria na Av. Eduardo (hoje, Presidente Roosvelt), n. 283;
· 1921/1922 - Football Club Porto Alegre, na rua José de Alencar esquina Gonçalves Dias.
· 1924/1925 - edifício Possidônio da Cunha, na Av. Sete de Setembro, 137.
· 1925/1926 - edifício Tuiuti de David Fischmann, na rua Riachuelo esquina Paissandu. 
· 1926 - uma casa para Carlos Hoffmeister, na Rua Garibaldi.
· 1927 - uma construção para Armando Barcelos da Silva, na Av. Júlio de Castilhos.
· 29/02/1928 - para Ludwig Martinack, na Av. Pernambuco, um prédio de madeira com área de 61,50 m2.
· 01/03/1928 - prédio de João Luiz Pufal, na da Av. Fábrica (hoje Guido Mondin), um prédio de alvenaria, com 89,88 m2.
· 19/03/1928 - prédio de alvenaria para Armando Barcelos da Silva, na Av. Julio de Castilhos, com 14,50 m2.
· 26/03/1928 - prédio misto de João Luiz Pufal, na Av. Fábrica, com 267,75 m2.
· 26/06/1928 - prédio de alvenaria para Walter Gerdau, na Av. Brasil, com 126,00 m2.
· 26/06/1928 - prédio de madeira para Walter Gerdau, na Av. Voluntários da Pátria, n. 3490, com 204,75 m2.
· 17/09/1928 - prédio de alvenaria para Theophilo Müller, na Av. Riachuelo, com 355,20 m2.
· 24/09/1928 - prédio de alvenaria para Armando Barcelos da Silva, na Av. Júlio de Castilhos, junto ao n. 144, com 284,00 m2.
· 13/11/1928 - prédio de madeira para Azevedo Bento e Cia, na Rua Larga, n. 72, com 135 m2.
· 1928/1929 - construção para Eugênio Rubbo e Franz Filsinger, na rua Santo Inácio.
· 1929 - construção para Clóvis Souza Gomes e Franz Filsinger, na rua Mário Totta, 27.
· 16/01/1929 - prédio de alvenaria para José Moretto, na Av. Voluntários da Pátria, 2493, com 21,15 m2
· 21/06/1929 - prédio de alvenaria para a Comunidade Ev. Luterana, na Av. União, 31, com 144 m2.
· 01/02/1929 - prédio de madeira para Agrimério da Câmara Bandeira, na Av. Paraná, com 42,80 m2.
· 04/02/1929 - prédio de alvenaria para Ervedoza, Lino e Cia, na rua Dr. Flores, 53, 59 e 63, com 450,18 m2.
· 18/02/1929 - prédio de alvenaria para Sebastião Adam, na Rua Boa Vista, 2839, com 10 m2.
· 04/02/1929 - prédio de madeira para Adolpho Gliese, na Av. Veneza, com 45,15 m2.
· 01/03/1929 - prédio de alvenaria para José Moretto, na Av. Voluntários da Pátria, 2439, com 36,22 m2.
· 07/03/1929 - prédio de alvenaria para Leopoldo Roberto Müller, na Av. Pará, com 75 m2.
· 13/03/1929 - prédio de alvenaria para Fernando de Andrade Silveira, na Rua Avahy, com 118 m2.
· 05/03/1929 - construção de uma frente de ferro para Francisco Tanhauser, Av. Voluntários da Pátria esq. Rio Branco. 
· 25/03/1929 - prédio de alvenaria para Emílio Möllerke, na rua Moura Azevedo, junto ao n. 365, com 130,35 m2 .
· 05/04/1929 - prédio de alvenaria para Antônio Matusiak, na Estrada do Mato Grosso, com área de 43,20 m2.
· 29/04/1929 - para a viúva de Albino Cunha um prédio de madeira, com 46 m2, na Av. Missões. 
· 15/05/1929 - reconstrução da fachada para Francisco Tanhauser, na Av. Voluntários da Pátria esq. Rio Branco.
· 06/06/1929 - melhoramento da fachada para Dr. Possidônio da Cunha, na Rua Dr. Ribeiro, 116.
· 11/06/1929 - prédio misto para a viúva de Albino da Cunha, na Av. Missões próximo ao n. 88, com 68 m2. 
· 12/06/1929 - prédio de madeira para Germano Born, na Av. Veneza, junto ao n. 15, com 26,40 m2.
· 1929/1930 - Colégio Concórdia, na Av. Eduardo (Presidente Roosvelt).
· 05/02/1930 - prédio de alvenaria para Tannauser e Cia, na rua Marques do Pombal, 79, com 1.473,00 m2.
· 05/04/1930 - prédio de madeira para Jacob Pufal, na Av. União, 643, com 67,00 m2.
· 03/06/1930 - prédio para Tannhauser e Cia Ltda, na rua São Rafael, 79.
· 20/06/1930 - prédio de madeira para Honorina Jardim, no Passo da Areia, com 22,00 m2.
· 30/06/1930 - prédio de madeira para Walter Johann e Alfredo Johansson, rua Dr. João Inácio, com 46, 50 m2.
· 22/07/1930 - prédio de alvenaria para Rubbo e Irmão, na Av. Bonfim,198, com 26 m2.
· 19/08/1930 - prédio para Francisco Tannhauser, na Praça Visconde de Rio Branco, 222.
· 08/09/1930 - prédio de alvenaria para Pauline Trollé Chartier, na Estrada Passo da Areia, junto ao n. 427, com 133,32 m2.
· 08/01/1931 - prédio de madeira para Fernando Wagner, na rua Cel. Feijó, 404, com 35,60 m2.
· 14/01/1931 - prédio para Esperança e Cia., na Av. Eduardo, 1388.
· 1934 - prédio para Arnaldo Bercht, na Av. Cel. Marcos (provavelmente trata-se da sede da Sociedade Veleiros do Sul).
· 1936 - prédio para Adolfo Liedke, na Av. Benjamim Constant.
· 1936/1937 - Edifício Antônio Dias Lopes Guedes, na Rua Barros Cassal, 49.
· 1938 - residência de Willy Nuhr, na rua Félix da Cunha, n. 751.
· 1938 - prédio para Adalberto Câmara, na Rua Riachuelo, 945.


Em 19-08-1924, aos 32 anos, J. L. Pufal ao retirar "Carta de Identificação e Estatística Criminal”, foi descrito como viúvo, branco, olhos castanhos, altura: 1,64 cm de altura, barba feita, cabelos castanhos médios (sic), bigode raspados, “architeto-construtor”, carteira 18L, registro n. 699 do CREA. 

Passados alguns meses do falecimento de Flora, João Luiz conheceu a sua futura esposa, Julieta Corrêa da Silva, que trabalhava no Café Sport localizado na Av. Eduardo, n. 45, hoje Presidente Roosewelt, pertencente a Emílio e sua mulher Maria Suhr. Casaram-se em 02 de setembro de 1924 no oratório particular da noiva [4].

“Vó Julieta” nasceu no dia 1° de outubro de 1900 em São Leopoldo, onde foi batizada a 18 de novembro do mesmo ano, com o nome de Maria Júlia Olívia, sendo filha de Raymundo Corrêa da Silva e de Maria Paulina Mayer, da mesma família de João Corrêa Ferreira da Silva, de quem era prima. 
Raymundo Corrêa da Silva nasceu em 30-08-1845 em São Leopoldo, onde faleceu a 06-02-1915. Desempenhou vários cargos públicos na então vila de São Leopoldo, onde foi delegado de polícia, tenente-coronel, sub-intendente (vice-prefeito) do 1° Distrito de São Leopoldo, presidente do Conselho da Instrução Pública, juiz de paz, dentre outros. Era filho do açoriano e patriarca da conhecida família “Corrêa da Silva” do Vale do Rio dos Sinos, o capitão José Corrêa Ferreira da Silva, que fez a Revolução Farroupilha e parte da vereança de São Leopoldo, em 1857 como presidente da Câmara de Vereadores, depois escrivão, e da alemã Carolina Henriette Marianne Koch, de Hannover. Maria Paulina Mayer era também de São Leopoldo, onde nasceu a 05-02-1869 e faleceu dias depois do marido, em 22-02-1915, sendo filha de Jacob Mayer, chamado de “capitão” e sapateiro de profissão em São Leopoldo, onde nasceu em 1836, e da alemã Katharina Kilpp, de Stipshausen, Rhaunen, imigrada no ano de 1848, com os pais e irmãs.

Em seguida ao casamento, Julieta engravidou, nascendo em 10 de junho de 1925 os gêmeos Pedro (meu avô) e Paulo Corrêa Pufal, batizados em 05-09-1926 na igreja São Geraldo. Ambos estudaram no colégio São Pedro e foram conhecidos comerciantes do Quarto Distrito no ramo de vidros e automóveis.
Com o nascimento dos primeiros gêmeos da Avenida São Pedro, como eram conhecidos, J. L. Pufal teve que projetar uma casa maior para a família. Para tanto comprou em 1926 um terreno na Avenida São Pedro esquina Av. Bahia, onde projetou e construiu três residências, de n.° 878, 888 e 890 que até o ano 2000 existiam, dando depois lugar a um estacionamento, lamentavelmente. Cinco anos depois, em 09-10-1930, nasceu a terceira filha do casal que levou o nome da mãe, Julieta (Julietinha), casada em 1953 com Walmir Francisco Giordani, e em 14-09-1936 a quarta filha, Beatriz Corrêa Pufal, casada em 1958 com Nelson Catharino Machado.
Os gêmeos Pedro (meu avô) e Paulo Pufal, com a mãe, Julieta Corrêa Pufal (1925):




Cinco anos depois, em 09-10-1930, nasceu a terceira filha do casal que levou o nome da mãe, Julieta (Julietinha), casada em 1953 com Walmir Francisco Giordani, sendo pais de: Paulo Roberto, Josiane Rita e Marcelo Pufal Giordani. Walmir e Julietinha foram proprietários durante anos da Livraria Mundial, localizada na esquina da Av. São Pedro e Av. Bahia. Em 14-09-1936 nasceu a quarta filha, Beatriz Corrêa Pufal, casada em 1958 com Nelson Catharino Machado, sendo pais de: Carlos e Álvaro Pufal Machado, residentes em São Gabriel, onde são comerciantes.

Como referido, J. L. Pufal continuou durante esses anos com o seu mister, construindo diversos prédios, cujos frutos permitiram-lhe amealhar considerável fortuna e fama em sua área. Diante de sua boa condição financeira e sua paixão pela tecnologia e novidades, em dezembro de 1927 prestou exame médico para tirar a sua carta de motorista, adquirindo em seguida o seu primeiro automóvel. Comprava, além disso, muitos livros (técnicos e enciclopédias) e revistas de arquitetura, os primeiros vindos da Alemanha e depois de Buenos Aires, além de discos e rádios, até o advento da televisão. Ainda na década de 1930 mandou vir da Inglaterra uma filmadora e o respectivo projetor, fazendo filmes de sua família em ocasiões especiais e de algumas viagens que fazia a São Leopoldo e a Novo Hamburgo para visitar os parentes da esposa, bem assim de acontecimentos que ocorriam em Porto Alegre, como a exposição Farroupilha de 1935. Infelizmente, muitos desses filmes não mais existem, mas muitos narram até hoje a emoção do público – a Av. São Pedro em peso – quando os projetava, relembrando principalmente os que já tinham falecido. Da mesma forma, costumava fotografar muito, inclusive as construções que realizava, mas muitas das fotografias também se perderam.

João Luís Pufal faleceu no dia 10-08-1957, à 1:00 hora – quando o neto Helmuth fazia sete anos – de insuficiência cardíaca, tendo sido sepultado no cemitério São José dos Alemães em Porto Alegre, com sua primeira mulher e filhos, cujo túmulo infelizmente não mais existe.
Em razão da personalidade que foi J. L. Pufal e de sua sensível contribuição para a “construção de Porto Alegre”, no ano de 1974 foi proposto um projeto de lei pelo vereador João Dib, dando o nome de João Luiz Pufal a uma rua no Bairro Sarandi, no Quarto Distrito de Porto Alegre. A exposição de motivos apresentada, tirante alguns equívocos, traduz bem em breves linhas o bisavô e nosso biografado:
“JOÃO LUIZ PUFAL, * em 12[5] de dezembro de 1892 e falecido em 10 de agosto de 1957. Era filho do Sr. Jacob Pufal e da Sra. Emilia Pufal, naturais da Alemanha[6]. Tinha João Luiz Pufal dois anos de idade quando veio para o Brasil[7]. Fez seus primeiros estudos no Colégio São José.
Era construtor licenciado pelo C.R.E.A. em concreto armado em edifícios – estacaria Naval. Construiu as estacas dos armazéns do Cais do Porto em Porto Alegre; foi fundador e construtor do Colégio São José; construiu o Colégio Bom Conselho e o estaqueamento da ponte sobre o Rio Gravataí, que dá trânsito até a data de hoje.
Residiu no 4.° Distrito por 63 anos, e foi o fundador e o construtor da antiga sede da Sociedade Gondoleiros, localizada na Av. Eduardo, hoje Av. Presidente Franklin. D. Roosewelt.
Ao lado de D. Julieta, sua dileta e dedicada companheira, participou de inúmeras campanhas piedosas e de assistência social, particularmente as que se desenvolveram no 4.° Distrito, ao qual o casal oferecia a paga da generosa acolhida e do grande apreço que sempre lhe foi dispensado. Fundador de várias entidades, inclusive de práticas esportivas, pertenceu durante longos anos ao quadro associativo da Sociedade Gondoleiros, tendo ocupado, nesse sodalício, que tão assinalados serviços tem prestado à comunidade dos bairros industriais do município, os mais diferentes cargos, distinguindo-se em todos eles por um acentuado e excepcional dinamismo e por um consciencioso espírito de iniciativa, deixando neles a marca de sua abnegação, do seu amor às causas nobres e meritórias que ali tiveram curso, fazendo jus aos aplausos irrestritos, não só de seus pares, mas de todos os que tiveram a oportunidade de certificar-se do seu alto espírito público e da nobreza das virtudes que lhe inspiravam as ações, o altruísmo, a tendência inata à filantropia, traduzida numa invulgar sensibilidade aos dramas humanos e aos problemas sociais.
Dotado de um profundo senso de religiosidade dando conseqüência aos misteres caritativos que o empolgavam, empenhou-se a fundo para assegurar a sobrevivência da “Casa das Velinhas” a qual, se não se ressente, hoje, da sua falta, é porque vingaram os seus feitos anteriores e o exemplo por ele legado à posteridade.
Por esse acervo de razões é que está sendo apresentada esta indicação, visando à prestação de uma homenagem à memória de um homem que revestiu a sua vocação para o exercício da sociabilidade de um primoroso cunho de solidariedade cristã, transformando-se num paladino das boas causas e numa legítima expressão dos melhores valores éticos e morais da sociedade do nosso tempo.
Convém deixar assinalado que, para ele, o amor aos semelhantes era, realmente, a primeira letra do alfabeto em que ele definia e respaldava a prática do bem. Ao contrário dos que têm muito em bens materiais, mas em que conservam o coração empedernido, João Luiz Pufal, comprazia-se em epidermizar o seu com o veludo da filantropia, dentro de um singular anonimato, e forrá-lo com o arminho das virtudes que caracterizam a dignidade e a superioridade do espírito humano.
O alvo da indicação que se oferece ao apreço dos nobres colegas da Edilidade, desaparecido aos 65 anos de idade, em 10 de agosto de 1957, além de sua esposa, já nomeada no preâmbulo desta justificativa, deixou numerosa prole constituída por 4 filhos,[8] 2 do sexo masculino, dois do sexo feminino: Pedro Pufal, sócio gerente da Casa Genta e Paulo Pufal, proprietário da Indústria Vidro-Car e 10 netos[9], a lamentar-lhe o desaparecimento. Sala das Sessões, 4 de novembro de 1974. João Dib.”
Julieta Corrêa Pufal faleceu trinta e um anos depois do marido, no dia 16 de agosto de 1988, aos 88 anos de idade, e foi sepultada junto com o esposo.
João Luiz Pufal teve no total oito filhos (três falecidos ainda pequenos, sendo que apenas uma ainda vive), treze netos, vinte e seis bisnetos (dois já falecidos) e até o momento nove trinetos (2013). Destes, somente trinta e três seguem com o sobrenome Pufal, sendo que apenas doze (homens) vão, em princípio, passá-lo às seguintes gerações.  
NOTAS:
[1] Foram testemunhas do registro de seu nascimento: Giocondo Corrent e Luigi Conte. O batismo de João Luiz Pufal não foi possível encontrar.
[2] À época em que Jacob Pufal e Emilie Doppler emigraram para o Brasil não existia propriamente dito o estado polonês, eis que a Polônia estava dividida entre a Rússia, Áustria e Prússia.
[5] Nasceu a 08-12-1892
[6] Naturais da Prússia, hoje território polonês.
[7] Nasceu no Brasil, veio com dois anos de sua cidade natal Alfredo Chaves, hoje Veranópolis.
[8] Foram cinco os filhos.
[9] Treze netos.

domingo, 20 de julho de 2008

História da família Brasil (I) - José da Silva Brasil

José da Silva Brasil
autoria de Diego de Leão Pufal
[atualizado em 25/11/2013]

José da Silva Brasil, meu trisa-avô, nasceu a 08 de novembro de 1856 (para outros, em 1858) em Santa Maria/RS, tendo sido batizado a 20 de março de 1857 na mesma cidade, tendo como padrinhos Inácio de Souza Jaques e Ana Thomazia da Silva, sua tia paterna. Era filho de João Thomaz da Silva Brasil, natural de Santo Antônio da Patrulha e de Francisca Gomes de Oliveira, de Santa Maria.
As primeiras letras foram-lhe ensinadas em algum dos colégios particulares de Santa Maria, onde também aprendeu o alemão, língua que falava fluentemente. Nos mesmos bancos escolares foi colega de Júlio de Castilhos - que em 1891 tornou-se Presidente do Estado (Governador do Estado) -, de quem se tornou amigo e que o nomeou posteriormente como professor público. As primeiras aulas que ministrou foi em Silveira Martins, próximo a Santa Maria, até que o então Governador do Estado o nomeou como escrivão de órfãos e ausentes de Santa Maria, cargo em que trabalhou durante quarenta e cinco anos, até se aposentar. Antes disso, contudo, em 1877, José da Silva Brasil, como coronel, desbravou Silveira Martins, abrindo as primeiras picadas para abrigar os colonos italianos recém desembarcados.
Por ocasião do centenário de José da Silva Brasil, o filho, o Dr. Mário da Silva Brasil, escreveu para o jornal local uma homenagem ao pai, com o título de "Centenário de um Santamariense" (cópia do manuscrito que me foi passada por Carmem Brasil, filha de Mário):
Decorre, este ano, o centenário de nascimento de um ilustre Santamariense. Trata-se do cidadão José da Silva Brasil, nascido a 8 de novembro de 1858 e falecido nesta cidade no dia 20 de outubro de 1933. Foi o notável patrício colega de colégio de Júlio de Castilhos onde aprendeu as primeiras letras e o alemão, idioma que manejava fluentemente. Castilhos, seu íntimo amigo, nomeou-o professor público em Val da Serra, onde lecionou por cinco anos e onde aprendeu a língua italiana muito bem. Em seguida seu amigo promoveu-o para a escrivaninha de orfãos e auzentes para Santa Maria, onde exerceu nobremente aquela profissão durante 45 anos. Por ocasião de seu falecimento, em 20 de outubro de 1933, entre outras cousas, disse o Diário do Interior desta Cidade: ‘O venerado ancião deixa um nome honrado a zelar. Foi durante longos anos, escrivão de Orfãos e Auzentes desta cidade, cargo que sempre exerceu com grande capacidade e trabalho, zelo inconfundível e retidão impecável. Alma boa e coração generoso, o morto de ontem viveu uma vida sem manchas nem deslizes, legando aos seus filhos um patrimônio de honradez e virtudes, tão raro nestes dias sombrios de crise generalizada de caracteres em que o materialismo, não raro, cede lugar ao abastardamento das conciências. Se, como funcionário, era impecável porque sabia cumprir, religiosamente os seus deveres, como cidadão e como chefe de família, era inexcedível, porque prestigioso e exemplar, verdadeiro paradigma, fazendo-se respeitar e estimar a todos.’É justo que a cidade reverencie a memória de seu ilustre filho dando o seu nome a um logradouro público ou erguendo-lhe uma herma na cidade.
Aos vinte dois anos, em 13 de maio de 1888, casou-se com Maria José Alves de Oliveira, nascida também em Santa Maria a 13 de agosto de 1865. Vó Sinhá, como era conhecida, era filha do criador Benedicto Alves de Oliveira e de Maria Francisca dos Reis, e tinha, como dizem, muita personalidade (para não se dizer que era geniosa, sem travas na língua), mas mesmo assim o casal dava-se muito bem. Vó Sinhá faleceu aos 15 de outubro de 1933 e José, cinco dias depois, no dia 20 portanto.
Maria José e José da Silva Brasil
Do casamento houve doze filhos: Mário da Silva Brasil; Francisca Alves Brasil (Chiquita); Ademar Alves Brasil; Jacy Alves Brasil; Waldemar Alves Brasil; Maria José Alves Brasil (Zezé); Nero Alves Brasil (Homero); Saul Alves Brasil (Sadi); Cacilda Alves Brasil; Cícero Alves Brasil; Athos Alves Brasil e Ernani da Silva Brasil.