domingo, 3 de novembro de 2019

Famílias Portuguesas nas Missões: genealogia de Antônio Manuel de Oliveira


genealogia de Antônio Manuel de Oliveira,
tropeiro e genearca de uma família radicada nas Missões/RS.
Autoria de Zélce Mousquer
Edição e acréscimos de Diego de Leão Pufal

[Esta publicação pode ser utilizada pelo(a) interessado(a), desde que citada a fonte: MOUSQUER, Zélce e PUFAL, Diego de Leão. Famílias Portuguesas nas Missões: genealogia de Antônio Manuel de Oliveira, tropeiro e genearca de uma família radicada nas Missões/RS, in blog Antigualhas, histórias e genealogia, disponível em http://pufal.blogspot.com.br/]
[acréscimos, dúvidas e correções escreva para diegopufal@gmail.com]

[publicado em 03/11/2019]
[atualizado em 08/12/2019]

Na presente pesquisa foram utilizadas as seguintes abreviaturas/siglas:
“bat.” para “batizado(a)”;
“Bn.” para bisneto(a);
“c/c” para “casado(a) com”;
“F.” para filho(a);
“fal.” para “falecido(a)”.
“n.” para “nascido(a)”;
“N.” para neto(a);
***

Em 23.01.2011 publicamos no blog sob o título FAMÍLIAS PORTUGUESAS NAS MISSÕES: família de Antônio Manuel de Oliveira, a descendência dele, pois não tínhamos conhecimento de seus antepassados. Hoje veiculamos os dados de sua ascendência, recentemente descoberta por Zélce Mousquer, agregando as informações daquela publicação primeira em uma única.
Por meio do personagem Antônio Manuel de Oliveira, prestamos uma homenagem a todos os tropeiros responsáveis pelo repovoamento da região missioneira, episódio ocorrido na metade do século XIX.
Homenageamos igualmente o meu amigo Wilmar Campos Bindé (in memorian), escritor, advogado, professor, pesquisador sobre a história de Santo Ângelo e organizador do livro que trata do tropeiro Antônio Manuel e outras histórias. Contava Bindé que receber a visita de Antônio Gonçalves Mello (filho do 2º matrimônio da esposa de Antônio Manuel) e sua esposa, fora um marco na sua vida.
Na ocasião Antônio apresentou-lhe um caderno com textos manuscritos, dizendo-lhe que (...) ali estavam algumas histórias do tempo antigo, muitas das quais vivenciara como tropeiro que fora, e que desejava saber se valia a pena delas fazer um livro. (...) Examinei o caderno e notei que sua primeira história revelava traços da vida de Antônio Manuel de Oliveira, escreveu Bindé.
Esta genealogia trata da ascendência e descendência do tropeiro e povoador de Santo Ângelo, Antônio Manuel de Oliveira.
Iniciamos com o casal genearca MANUEL DA SILVA e ISABEL DE SIQUEIRA, portugueses, pais de Jerônimo, que segue:

JERÔNIMO DE SIQUEIRA ou JERÔNIMO SIQUEIRA DA SILVA n. 23.3.1744, bat. 29.3.1744, São Bartolomeu, Tadim, Arcebispado de Braga/PT. Casou a 26.2.1772 em Itapetininga/SP com Rosa Nunes de Siqueira (viúva de Manuel Lopes Duarte, com quem casara em 29.11.1754). Rosa foi bat. cerca de 1736 em Apiaí/SP, filha de Manuel Nunes Pereira, n.  Vila Real, Lamego, Viseu/PT e Ana Rodrigues de Siqueira n. Guaratinguetá/SP, fal. 13.12.1780, Itapetininga/SP. Os avós paternos de Ana Maria Rodrigues foram os portugueses José Gonçalves e Francisca Nunes, ambos de Lamego/Viseu/PT. Seus avós maternos foram Antônio e Maria Rodrigues, ambos de Guaratinguetá/SP. Jerônimo e Rosa Nunes foram pais de 6 filhos localizados: Maria, Ana, Manuel, Francisca, Rosa, e João José.
#Nota 1:
Jerônimo de Siqueira da Silva e Rosa Nunes são citados nos maços de população de Itapetininga do ano de 1772 (fogo 72), com seus 5 filhos mais velhos. Declararam os bens: 4 escravos com 2 pequenos, um sítio que rendia 25 alqueires de milho, 3 de feijão, 42 vacas que rendiam 5 crias, 6 éguas que rendiam 2 crias e 4 porcas que rendiam 3 crias.
#Nota 2:
Manuel Nunes Pereira e Ana Rodrigues de Siqueira foram pais de no mínimo:
1. Rosa Nunes de Siqueira c/c Manuel Lopes Duarte e Jerônimo de Siqueira da Silva
2. Maria Nunes de Siqueira, n. Apiaí/SP e fal. Itapetininga/SP. Casou em Sorocaba/SP com o português Domingos José Vieira, n. Guimarães/PT e fal. Itapetininga/SP, filho de Manuel Vieira e Esperança Vieira, ambos nat Arcebispado de Braga/PT.
A descendência de Maria Nunes de Domingos pode ser acessada em Fontes; Ensaios genealógicos Valdenei Silveira (Geneanet).
***
Jerônimo e Rosa foram pais de:
I. MARIA
II. ANA
III. MANUEL
IV. FRANCISCA NUNES DE SIQUEIRA n. cerca de 1768 em Itapetininga/SP, onde fal. a 1º.7.1862 e onde casou a 10.9.1798 com Domingos José Vieira Filho, n. 20.6.1773 em Itapetininga/SP, onde fal. 1.7.1862, filho do português Domingos José Vieira (n. por volta de 1730 no Mosteiro de Vieira, Guimarães, Braga (um dos fundadores de Itapetininga/SP) e Maria Nunes de Siqueira n. Apiaí/SP. Os avós paternos de Domingos foram Manuel e Esperança Vieira. Seus avós maternos foram Manuel Nunes Pereira (n. Vila Real, Bispado de Lamego/PT) e Ana Rodrigues de Siqueira (n. Paranapanema/SP).
Domingos José Vieira e Maria Nunes casaram a 11.8.1750 em Itapetininga/SP e foram pais de: Maria, Manuel José, Domingos, Ana, Rosa, João e Gertrudes. Mais informações sobre Domingos podem ser consultadas no blog Raízes e Folhas e nos Ensaios Genealógicos, de Valdenei Silveira (Geneanet).
Francisca e Domingos foram pais de:
F1. Maria Vieira do Sacramento n. Itapetininga/SP, onde casou a 7.9.1816 com o Cap. Manuel Albuquerque Rolim de Moura, filho do Cap. Duarte José Ferreira de Albuquerque e Ana Maria Dias Ribeiro.
F2. Ajudante Manuel José Vieira n. Itapetininga. Casou em 1827 em Pirapora (hoje Tietê/SP) com Maria Theolinda de Souza.
F3. Domingos Vieira n.15.6.1802, bat. 24.6.1802, Itapetininga.
F4. Ana Vieira n. 29.11.1813, bat. 8.12.1813, Itapetininga/SP, onde casou em 1822 com o sobrinho Tte Cel. Salvador de Oliveira Ayres Filho, filho de do Cap. Mor Salvador de Oliveira Ayres e Isabel Nunes Vieira (Mãe do Céu, sua irmã). Sobre Salvador de Oliveira Ayres ver neste blog a Família Antunes.
F5. Rosa Nunes Vieira n. 25.9.1805, bat. 5.10.1805, Itapetininga, onde faleceu. Casou com o Cap. Francisco Antônio Cavalheiro, n. Cruz Alta/RS e fal. Itapetininga/SP.
F6. João Vieira fal. na infância.
F7. Gertrudes Vieira n. Itapetininga, onde casou a 7.2.18278, com seu sobrinho Cap. José de Oliveira Ayres, filho do Cap. mor Salvador de Oliveira Ayres e Isabel Nunes Vieira (Mãe do Céu, sua irmã).
V. ROSA NUNES DE SIQUEIRA bat. 30.5.1772 em Itapetininga/SP, onde casou a 8.9.1790 com Manuel Francisco da Fonseca, n. Sorocaba/SP, filho de Manuel Leme da Fonseca/Fonseca Pereira e Maria Ribeiro Leme. Os avós paternos de Manuel Francisco foram Manuel da Fonseca Pereira e Gertrudes Maria de Almeida. Seus avós maternos foram Antônio Nunes Bicudo e Vicência Bicudo de Anhaya. Rosa e Manuel Francisco foram pais de no mínimo 5 filhos: Manuel, Joaquim, Antônio Manuel, José e Rosa Nunes.
#Nota:
Manuel Leme e Maria Ribeiro casaram a 4.5.1726 em Itapetininga/SP e foram pais de 14 filhos.
Assento bat. Rosa Nunes de Siqueira e sua irmã Francisca (gêmeas)


Assento de matrimônio de Rosa Nunes de Siqueira e Manuel Francisco
Rosa e Manuel foram pais de:
F1. Manuel bat. 24.7.1791 em Itapetininga/SP.
F2. Joaquim bat. 8.9.1792 em Itapetininga/SP.
F3. Antônio Manuel de Oliveira, n. 10.5.1803, bat. 29.5.1803 em Itapetininga/SP e fal. 22.3.1861 em sua fazenda no Lajeado das Pombas, situada no 1º distrito de Santo Ângelo/RS. “Foi sepultado no recinto da casa que serve, presentemente, de matriz nesta paróquia” e casou em torno de 1842 em Santo Ângelo com a sobrinha Maria Joaquina de Oliveira, filha de sua irmã Rosa Nunes de Oliveira e Joaquim Hipólito dos Santos. Pais de 4 filhos: Joaquim Manuel, Antônio Manuel, Salustiano Hipólito e Francisco, sendo que destes apenas 3 viviam em 1861: Joaquim, com 3 anos, Antônio, com 2 anos e Salustiano, com 7 meses.
Assento de batismo de Antônio Manuel
Antônio e Maria Joaquina viveram em Santo Ângelo/RS, onde nasceram os filhos, cuja descendência vai abaixo descrita.
F4. José n. 5.2.1805, bat. 8.3.1805 em Itapetininga/SP.
F5. Rosa Nunes de Oliveira n. 29.6.1807, bat.19.7.1807, Itapetininga/SP e fal. a 23.7.1863 em Santo Ângelo/RS. Casou a 8.7.1828 em Itapetininga/SP com Guarda-mor Joaquim Hipólito dos Santos (viúvo de Ana Maria Soares, fal. com cerca de 80 anos, a 2.9.1839, Itapetininga/SP. Pais de 2 filhos. Maria Joaquina e Joaquim.


Assento de batismo de Rosa Nunes
Assento de matrimônio de Rosa Nunes e Joaquim Hipólito
Rosa e Joaquim depois se mudaram para Santo Ângelo/RS e tiveram os filhos:
N1. Maria Joaquina de Oliveira n. 8.4.1829, bat. 2.8.1829 em Itapetininga/SP e fal. aos 74 anos, a 5.2.1903 em Santo Ângelo/RS, onde casou em 1º matrimônio com cerca de 14 anos em 1842 com o tio Antônio Manuel de Oliveira, com quem teve 4 filhos: Joaquim Manuel, Antônio Manuel, Salustiano Hipólito e Francisco.
Maria Joaquina casou em 2º matrimônio com cerca de 33 anos, em 1862, em Santo Ângelo/RS, com o primo José Manuel Vieira, fal. aos 59 anos, a 13.3.1882, Santo Ângelo/RS e com quem teve 5 filhos abaixo citados: Maria Assunção, Carlota, Sofia, Ana e Vicente Manuel.
#Nota1:
Até o momento não localizamos a filiação de José Manuel Vieira. Mas, supomos que ele seja filho de IV. Francisca Nunes de Siqueira e Domingos José Vieira, e tenha nascido em torno de 1823.
***
Assento de batismo de Maria Joaquina 
Maria Joaquina teve 9 filhos, quatro com Antônio Manuel e cinco com José Manuel:
Bn1. Joaquim Manuel de Oliveira
Bn2. Antônio Manuel de Oliveira Filho
Bn3. Salustiano Hipólito de Oliveira
Bn4. Francisco de Oliveira
Bn5. Maria Assunção Vieira
Bn6. Carlota de Oliveira Vieira
Bn7. Sofia Vieira
Bn8. Ana Vieira
Bn9: Vicente Manuel Vieira
N2. Joaquim n. 28.3.1830, Itapetininga/SP, onde foi bat. 12.4.1830 e onde fal. aos 3 meses a julho 1830.
VI. JOÃO JOSÉ DA SILVA casou a 12.6.1820 em Itapetininga/SP com Maria Alves, n. São Francisco de Paula/RS, filha de Inácio da Rosa (n. Taubaté/SP) e Maria Alves (n. Itapetininga/SP).
*****
DESCENDÊNCIA DE ANTÔNIO MANUEL DE OLIVEIRA (F.3 acima referido), tropeiro e reconstrutor do povoado de Santo Ângelo/RS.
O tropeiro Antônio Manoel de Oliveira natural de Itapetininga (...) viajava para o Rio Grande do Sul, comprando mulas xucras, e em grandes tropeadas, retornava às suas propriedades, onde negociava estes animais. Nesta atividade, percorreu o sul, acompanhado de seus escravos, isso lá pelos anos de 1820.
Dono de fazenda de café em Sorocaba/SP, veio para as Missões, em meados de 1835, atraído pelo rendoso comércio de mulas e pela disponibilidade de terras, o que o levou a requerer uma concessão de sesmarias, em terras situadas na região de Santa Teresa e Inhacorá, atingindo as proximidades da hoje cidade de Catuípe, instalando ali a sede de sua estância, no conhecido Lajeado das Pombas, interior do Povo de Santo Ângelo, então distrito de Cruz Alta .
Antônio Manoel voltou para Sorocaba/SP, apenas para vender a fazenda de café, retornando para sua estância aqui no sul, em definitivo, trazendo regular número de escravos pra suas novas terras, inclusive construindo moradia no Lajeado das Pombas e depois no Povoado de Santo Ângelo Custódio.
Antônio Manoel dedica-se ao rendoso comércio de mulas, comprando e invernando-as em suas terras, para depois negociá-las em Sorocaba.” BINDÉ, 2006, p.47 - 51.
Antônio Manoel era solteiro quando, em definitivo, tomou o rumo das Missões, entre 1834-1840, acompanhado de sua irmã, a viúva Rosa Nunes de Siqueira e sua filha Maria Joaquina com cerca de 10/11 anos (futura esposa de Antônio) e um outro sobrinho jovem e solteiro, José Manoel de Oliveira (2º esposo de Maria Joaquina).
Após vender sua fazenda de café, “Sinhá Maria” – com área de 750 hectares, em Sorocaba/SP e acompanhado de mais de 20 escravos, entre homens, mulheres e crianças, além de seus familiares, Antônio Manoel chega à região de Santo Ângelo. Montados em lombo de mula, após 65 dias de viagem, percorreram o trajeto: Sorocaba, Tatuí, Itapetininga, Buri, Itapeva, Itaraté e Jaguaraíva. No Estado do Paraná, passaram por Piraí, Castro, Ponta Grossa, Palmeira, Lapa, Rio Negro, Magra. Santa Catarina: Curitibanos e Campos Novos. No Rio Grande do Sul, Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo, Carazinho, Palmeira e Santo Ângelo.
Antônio Manoel de Oliveira e Antônio Gomes Pinheiro Machado tiveram a iniciativa de reconstruir o Povoado Jesuítico de Santo Ângelo Custódio, que se encontrava em ruínas.
Para isto, abriram um caminho até as ruínas do Templo Jesuítico e aproveitando os vestígios da praça do antigo povoado jesuítico, construíram suas habitações, ao redor deste espaço (velha praça), que deu origem à atual Praça Pinheiro Machado.
Quando da instalação definitiva da Freguesia de Santo Ângelo (14.1.1857), a residência de Antônio Manoel (onde hoje se encontra a farmácia Licht) teve um papel de destaque, pois ali foi rezada a primeira missa em 4.3.1860, pelo Padre Manoel da Silva Guimarães Araxá, além de ter sediado a sede da paróquia de Santo Ângelo durante a construção da nova Igreja. Antônio Gomes Pinheiro Machado construiu sua morada em diagonal à do amigo.

Sobreposição da planta da antiga redução (CABRER)
 sobre a da cidade atual, indicando a localização
aproximada das primeiras ocupações no entorno
da antiga praça da redução. Yunes, 1955, pp. 132/135


Sede da Paróquia instalada em 1860, refere-se a


moradia de Antônio Manoel de Oliveira,

que abrigou a sede da paróquia,

durante a construção da nova igreja.

- Foto cedida e digitalizada por Wilmar Campos Bindé


Praça Pinheiro Machado/1900, Santo Ângelo, onde vemos, ao fundo, a igreja da vila (erguida no mesmo local do antigo Templo Missioneiro). No lado esquerdo da Igreja, onde era o antigo cemitério da redução, vemos o prédio da Intendência Municipal (quartel, cadeia e fórum da comarca). Ainda no lado esquerdo, casa de Bernardo José Rodrigues, onde temos hoje, o Museu Municipal (Rua Antunes Ribas).  Lado direito da foto, a Rua Marquês do Herval - Foto do acervo do Arquivo Histórico Municipal Augusto César Pereira dos Santos, Santo Ângelo/RS.
Antônio Manoel de Oliveira casa-se em 1842, Santo Ângelo, com a sua sobrinha Maria Joaquina de Oliveira, então com 15 anos de idade.
Antônio Manoel faleceu em 22.3.1861, aos 60 anos, em sua fazenda no Lajeado das Pombas.
E teria sido por essa época, fins de 1860, que Antônio Manoel, velho e doente, pedia ao sobrinho José Manoel Vieira que, após sua morte, casasse com sua mulher Maria Joaquina porque ficavam muitos bens, muito dinheiro e ela, então viúva, não teria condições de sozinha cuidar tudo. Essa mesma conversa ele teria tido com sua irmã Maria Francisca [Rosa Nunes de Siqueira, correção nossa], mãe de Maria Joaquina.” (Bindé, 2006. p. 47).
A viúva Maria Joaquina casa, então, possivelmente no ano de 1862, com o primo José Manoel Vieira, ela estava com 35 anos e ele 40 anos. José Manoel faleceu aos 59 anos, em 13.3.1882, Santo Ângelo/RS.
O nome de José Manoel Vieira consta no quadro de obreiros da instalação da Loja Maçônica Luz da Serra em Santo Ângelo/RS, no anos de 1877/1878.
Filhos de Antônio Manoel de Oliveira com a sobrinha Maria Joaquina de Oliveira: Joaquim, Antônio, Salustiano e Francisco (?).
F1. JOAQUIM MANOEL DE OLIVEIRA nasceu em torno de 1857.
F2. ANTÔNIO MANOEL DE OLIVEIRA FILHO nasceu em torno de 1858 e faleceu em abril 1894, na Revolução Federalista (degolado)[1] no município de Palmeiras. Morador em Santo Ângelo, onde casou em 1887 com Gertrudes Antunes Ribas, n. 17.10.1860, bat. 27.7.1861, Santo Ângelo/RS, filha de Salvador Antunes da Costa[2] natural de São Paulo, falecido em 12.12 1882, Santo Ângelo/RS e Maria da Gloria Ribas Antunes, natural do Paraná e falecida em 20.4.1905, no 3º distrito de Santo Ângelo/RS.
Os avós maternos de Gertrudes foram Antônio dos Santos Pinheiro e Gertrudes de Oliveira Ribas.
N1. Rosalina Ribas de Oliveira nascida em 24.9.1883, casou aos 24 anos, em 1908, Santo Ângelo/RS, com Domingos Gonçalves Mello nascido 17.8.1878, filho de Balbina Nunes Vieira[3] e Henrique Gonçalves da Costa Mello. Moradores no 1º distrito de Santo Ângelo/RS.
Bn1. Dilecta de Oliveira Gonçalves nascida 10.3.1914 no 1º distrito de Santo Ângelo/RS, casa em 1935 com Frederico Copetti nascido em 19.2.1905 no 2º distrito de Júlio de Castilhos, filho de Jacob Copetti nascido em 29.9.1876 e Antônia Londero Copetti, falecida em 15.7.1916 no 1º distrito de Santo Ângelo/RS. Dilecta e Frederico foram moradores no 1º distrito de Santo Ângelo.
Bn2. Domingos Gonçalves de Mello, n. 25.11.1914, Santo Ângelo e fal. 2002, Catuípe/RS. C/c Iracema Siqueira.
N2. Arminda Ribas de Oliveira nasceu a 8.10.1888, casou a 14.2.1906, Santo Ângelo/RS com seu tio Vicente Manoel Vieira, 30 anosnascido a 26.7.1875, Santo Ângelo/RS filho de José Manoel Vieira e Maria Joaquina de Oliveira (viúva de Antônio Manoel de Oliveira).
N3. Maria Ribas de Oliveira/Antunes Ribas casou-se aos 26 anos, a 27.1.1915, Santo Ângelo/RS com Laurindo Francisco de Aguiar 26 anos, natural deste estado, morador no 1º distrito de Santo Ângelo/RS, filho de Maria Delfina da Silva.
N4. Ana Ribas de Oliveira, fal. a 7.6.1935 em Santo Ângelo/RS. Casou-se com o tio Salustiano de Oliveira, que morreu na Revolução de 1893 (degolado), filho de Antônio Manoel de Oliveira e Maria Joaquina de Oliveira. Ana casou-se em 2ª núpcias com José Emílio, filho de Emílio Alberto e Maria Joaquina da Conceição (natural do Paraná e falecida aos 60 anos, a 11.1.1904 Santo Ângelo/RS).
#Nota: 
 Emílio Alberto e Maria Joaquina foram pais de:
1. Guilhermina Emília Vieira casada com Cândido Salles Vieira
2. Francisco Emílio Alberto 
3. Ana Rosa da Silva casada com Manoel Lutero ou Antero da silva.
4. Maria Emília de Souza casada com Antônio Cezelindo de Souza.
5. Pedro Emílio Alberto  ausente estado Paraná.
6. José Emílio Alberto casado com Ana Ribas de Oliveira/Antunes Ribas.
7. João Emílio Alberto
8. Florinda Maria Alberto
9. Salvador Emílio Alberto 
***
Ana e José Emílio tiveram 3 filhos:
Bn1. Salvador Ribas
Bn2. Valério Emílio Ribas
Bn3. Jovita Ribas casada com Pedro Aguiar. Pais de:
Tn1. Ana Ribas Aguiar
Tn2. Euclides Ribas Aguiar
N5. Antônio Manoel de Oliveira Neto
F3. SALUSTIANO HIPÓLITO DE OLIVEIRA nasceu em torno de 1860 (7 meses no óbito do pai), também morreu na Revolução de 1893 (degolado no episódio conhecido como “degola do Boi Preto”, Palmeiras/RS). Casou a 21.2.1888 em São Miguel das Missões/RS com sua sobrinha Ana Antunes Ribas (Ana Ribas de Oliveira)[5], filha de Antônio Manoel de Oliveira Filho e Gertrudes Antunes Ribas. Pais de José Hipólito de Oliveira, nascido a 13.4.1894 e fal. no mesmo dia.
F4. FRANCISCO DE OLIVEIRA morreu solteiro, na Revolução de 1893 (degolado no mesmo episódio do Boi Preto), Não tenho certeza de que Francisco seja filho do casal Antônio Manoel e Maria Joaquina.
Filhos do 2º casamento da viúva Maria Joaquina de Oliveira e seu primo José Manoel Vieira:
F1. MARIA DE OLIVEIRA/MARIA DE ASSUNÇÃO VIEIRA nasceu em torno de 1868, Santo Ângelo. Casou com Marcolino Antunes Ribas, n. 26.6.1862, bat. 6.8.1863, Santo Ângelo e fal. degolado na revolução de 1893 em Palmeiras/RS, filho de Salvador Antunes Maciel ou Salvador Antunes da Costa e Maria da Glória Ribas (viúva de salvador Antunes Ribas). Maria casa em 2ª núpcias em 1904, aos 39 anos, em Santo Ângelo/RS com Lucídio José da Rosa 27 anos, filho de José de Oliveira Rosa e Maria Anunciação da Costa, moradores no 1º distrito de Santo Ângelo/RS. Pais de:
N1. Emília Antunes Ribas, n. 27.7.1891, Santo Ângelo/RS.
N2. Mercedes Antunes Ribas, n. 17.10.1893, Santo Ângelo.
F2. CARLOTA DE OLIVEIRA VIEIRA, nasceu 1867 (?), Santo Ângelo, onde faleceu em 2.11.1915. Carlota casou-se em 1894 com Manoel Ferreira Prestes, paulista, falecido a 21.5.1917, em Santo Ângelo/RS, com 58 anos, filho de José Ferreira Prestes e Ana Perpétua de Oliveira. Pais de:
N1. Ana Vieira Prestes nasceu 1.1.1897, Santo Ângelo/RS, onde casou em 1919 com João Cargnelutti, nascido em 1.11.1899, Júlio de Castilhos/RS, filho de Leonardo Cargnelutti e Mariana Cargnelutti falecida em 1.11.1918. João era neto paterno de Andréa Cargnelutti e Domingas Copetti. Neto materno de Jacob Cargnelutti e Anna Biasotti.
2. Sofia Vieira Prestes c/c Lucidoro José da Rosa.
N3. Alfredo Prestes
N4. Leopoldina Vieira Prestes
N5. Virgílio Vieira Prestes
F3. SOFIA MARIA DE OLIVEIRA VIEIRA nasceu a 20.7.1873, Santo Ângelo/RS, faleceu aos 70 anos. Foi casada com Hermelino Gonçalves Mello, falecido com a idade de 75 anos (que se casou em segundas núpcias com Maria Silveira de Mello, com quem teve os filhos Universina, Lucinda e Paulo), filho do capitão Henrique Gonçalves da Costa Mello[6], veterano da Guerra do Paraguai, nascido a 29.7.1872, Santo Ângelo, falecido aos 78 anos em 12.4.1909, no 1º distrito de Santo Ângelo e Balbina Nunes Vieira, falecida aos 103 anos mais ou menos em 1931, Santo Ângelo/RS. Todos seus filhos foram tropeiros. Pais de:     
N1. Hortencio Gonçalves de Mello casado com Itelvina Gonçalves dos Santos (Vinuca). 5 filhos.
N2. Aparício Gonçalves Mello casado com Antonieta Ilgenfritz. 5 filhos.
N3. Octacílio Gonçalves Mello casou-se 19.7.1940 com Idalina Fonseca, filha de João Balbino da Fonseca e Itelvina Maria do Amaral. Avós paternos de Idalina foram Antonio Balbino da Fonseca e Maria Francisca de Queiroz. Seus avós maternos foram Claro Mateus do Amaral e Idalina Maria Manoela de Arruda. Pais de 10 filhos. 
#Nota:
Antônio Balbino da Fonseca e Maria Francisca foram pais:
1. Maria Antônia da Fonseca c/c Veríssimo José Batista.
2. Sezinando Domingos da Fonseca c/c Maria Inácia de Oliveira.
3. José Balbino da Fonseca c/c Eugênia Leopoldina da Fonseca.
4. Vitor Ribeiro da Fonseca c/c Francisca Amaral dos Santos.
5. Pedro Balbino da Fonseca c/c Maria Porfíria (Oliveira/Nascimento?).
6. Graciliano Balbino da Fonseca c/c Francisca Almeida de Queiroz.
7. Isidro Queiroz da Fonseca c/c Lindóia Moura da Luz.
8. João Balbino da Fonseca c/c Etelvina Maria do Amaral.
***
Octacílio G. Mello, 1937 (Trindade, 1992, p. 113)

N4. Salustiano Gonçalves Mello casou com Juvelina Solter. 5 filhos.
N5. Eurico Gonçalves Mello casou-se com Júlia Veiga. 2 filhos.
N6. Henrique Gonçalves Mello casado com Celi Farias. 4 filhos.
N7. Antônio Gonçalves Mello, autor do livro “O tropeiro Antônio Manoel e outras histórias”, nasceu em 7.4.1913, Santo Ângelo. Casou aos 37 anos, em 28.9. 1950 com Olga Antunes Fernandes, 19 anos. 2 filhos.
Antônio Gonçalves de Mello, foto de 1990 (TRINDADE, 1992, p. 132)

O tropeiro Antônio Gonçalves Mello - TRINDADE, 1992, p.135

N8. Elvira Gonçalves de Mello nasceu em 19.8.1903 no 1º distrito de Santo Ângelo, onde casou em 1930 com Teodomiro Aristeu de Sousa, n. 3.9.1900, 1º distrito de Santo Ângelo, filho de Bento Valentim de Souza (n. 9.7.1872, Santo Ângelo) e Florisbela Fernandes de Souza (n. 10.3.1874, Santo Ângelo/RS).
N9. Donatila Gonçalves Mello, conhecida como “Vana”, casou com Guilherme Vohl/Vile. 1 filha.
F4. VICENTE MANOEL VIEIRA nascido a 26.07.1875 em Santo Ângelo/RS, casa com a sobrinha Arminda Ribas de Oliveira, n. 8.10.1888, Santo Ângelo, filha de Antônio Manoel de Oliveira Filho e Gertrudes Antunes Ribas, filha de Salvador Antunes da Costa que faleceu a 12.12.1882, Santo Ângelo/RS e Maria da Glória Ribas Antunes, falecida em 20.4.1905, 3º distrito de Santo Ângelo/RS.

NOTAS:
[1]  Os irmãos Antônio Manoel de Oliveira Filho, Salustiano de Oliveira, Francisco de Oliveira e Marcolino Antunes Ribas (casado com sua irmã por parte materna) foram incorporados compulsoriamente, como soldados, à tropa do Cel. Ubaldino Machado (Maragato), após este ter invadido Santo Ângelo, quando se dirigia para Palmeira das Missões, rumo a Passo Fundo. Esta tropa federalista acampou próximo ao Povoado chamado Boi Preto, onde foi atacada pelas forças do governista Cel. Firmino de Paula, Este episódio é conhecido como “A degola do Boi Preto”, ocorrido em 4.4.1894 e, de acordo com os governistas, o número de mortos (degolados) foi em torno de 370.
[2] Salvador e Maria da Gloria tiveram os filhos:
1. Bibiana Antunes Ribas casada com Salvador Antunes Ribas.
2. Serafim Antunes Ribas
3. Ricardo Antunes Ribas casado com Soledade Braga Ribeiro.
4. Thomaz Antunes Ribas
5.Gertrudes Antunes Ribas casada com Antônio Manoel de Oliveira Filho.
6. Marculino Antunes Ribas
7. Rita Antunes Ribas casada com Firmino ou Francisco Antônio de Moraes.
8. Ana Antunes Ribas casada com Salustiano Hypólito de Oliveira e em 2º matrimônio com José Emílio Alberto.
9. Antônio Antunes Ribas casado com Maria Francisca Matheus dos Santos.
10. Joaquim Antunes Ribas casado com Rita Antunes de Freitas.
11. João Antunes Ribas
12. Antônio Antunes da Costa casado com Ana Maria/Joaquina de Oliveira Ribas.
[3] Balbina Nunes Vieira, cujo pai chamava-se Marcelino Nunes Vieira e cuja mãe era índia. Balbina faleceu em torno de 1931, Santo Ângelo, foi casada com Marcolino/Severino Manoel da Motta (sem descendência ?). Após o óbito do esposo, Balbina tem 3 filhos com Henrique Gonçalves da Costa Mello, que faleceu aos 78 anos em Santo Ângelo.
1. Hermelino Gonçalves Mello casado com Sofia Maria de Oliveira Vieira. Após o óbito da esposa, Hermelino casa-se com Maria Silveira de Mello, com quem terá os filhos Universina, Lucinda e Paulo.
2. Domingos Gonçalves Mello que casou com Rosalina Ribas de Oliveira, filha de Antônio Manoel de Oliveira Filho e Gertrudes Antunes Ribas.
3. Hortência Nunes Vieira casada com Lucidio de Oliveira Gonçalves, filho de Delfino Vieira de Oliveira Gonçalves e Balbina Gomes de Mello, moradores no município de Santo Ângelo/RS.
[4] Não é citado no inventário da mãe. Possivelmente faleceu sem descendência e antes da mãe.
[5] Ana Ribas de Oliveira casa-se em 2ª núpcias com José Emílio Alberto, filho de Emílio Alberto e Maria Joaquina da Conceição, com quem teve 3 filhos:
1. Salvador Ribas
2. Valério Emílio Ribas
3. Juvita Ribas casada com Pedro Aguiar. Tiveram 2 filhos:  Ana Ribas Aguiar e Euclides Ribas Aguiar.
[6] Henrique da Costa Mello (filho de Delfino Vieira de Oliveira Gonçalves e Balbina Gomes de Mello - fal. 19.04.1895, com 53 anos, Santo Ângelo, residente em seu 1º Distrito) moradores no 1º distrito de Santo Ângelo). 
     Delfino e Balbina foram pais, ainda, de:
1. Joaquim Gonçalves da costa Mello
2. Eduvirges Gonçalves de Mello casada com Manoel Vieira da Motta.
3. Silvestre José de Abreu
4. Henriqueta Gonçalves da Luz casada com José Pereira da Luz.
5. Manoel de Oliveira Gonçalves
6. Eugênio de Oliveira Gonçalves
7. Primo de Oliveira Gonçalves
8.  Lucidio de Oliveira Gonçalves casado com Hortência Nunes Vieira/Gonçalves de Mello.
9.  Herminio de Oliveira Gonçalves casado com Amélia Vieira da Motta.
10. Rosalina de Oliveira Gonçalves
11. Zelinda de Oliveira Gonçalves
***
 FONTES:
- Arquivo da Cúria de Santo Ângelo/RS: livros de batismos, matrimônios e óbitos.
- Arquivo Histórico Municipal Augusto César Pereira dos Santos, Santo Ângelo/RS.

- Arquivo Particular de Willmar Campos Bindé.

- Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS): talões do registro civil do município de Santo Ângelo, inventários, testamentos.

- Blog Raízes & Folhas. Disponível em http://blograizesefolhas.blogspot.com/

- FamilySearch. https://www.familysearch.org/ , livros de batismos, casamentos e óbitos de Itapetininga/SP e do cartório do registro civil de Santo Ângelo/RS.
- MELLO, Antônio Gonçalves. O tropeiro Antônio Manoel e outras histórias. 2001.

- SILVEIRA, Valdenei. Genealogia da Família Silveira. Disponível em https://gw.geneanet.org/valdenei?lang=en&pz=valdenei+correa&nz=silveira&p=jeronimo+de+siqueira+da&n=silva
- Site Rodovid PT. Disponível em https://pt.rodovid.org/wk/Pessoa:215272
- TRINDADE, Jaelson Bitran. Tropeiros. São Paulo, Editoração Publicações e Comunicações Ltda, 1992.
- YUNES, Gilberto Sarkis. Cidades Reticuladas: a persistência do modelo na formação da rede urbana do Rio Grande do Sul. Tese de doutorado. SP: FAU-USP, 1995.