Sábado, 19 de Julho de 2008

Heinrich Philipp Fauth - um exemplo de vida (VI)

“O plano começou a ser executado, em 1877, e, em 1878, a casa ficou pronta. Agora tudo ia como desejávamos, dinheiro ganhava-se diariamente, os filhos estavam com saúde e felizes, só a saúde de minha mulher deixava a desejar. Já durante a construção da casa ela estivera adoentada, sentia-se, às vezes melhor, às vezes pior. No começo, ela não sentia nenhuma dor, até que, em junho de 1880, começou uma tosse seca, assim que, seguido, ela tinha que passar noites inteiras sentada na cama, tossindo. Três dias antes da sua morte, surgiu, ainda, uma hidropisia, e, em 12 de outubro de 1880, o seu sofrimento teve um fim. Ela permaneceu lúcida até o último momento. Assim, eu perdi minha cara e fiel companheira de vida, que, durante todos os dias de minha vida esteve a meu lado e que repartiu comigo alegrias e tristezas, dias difíceis e bons. Os filhos que nasceram durante nossos 38 anos de casados foram os seguintes: 1 – Heinrich, nascido em 10 de dezembro de 1844 – ficou ferreiro; 2 – Georg, nascido em 18 de dezembro de 1847 – ficou sapateiro; 3 – Katharina, nascida em 26 de novembro de 1849; 4 – Johann, nascido em 30 de junho de 1853 – ficou sapateiro; 5 – Paulina, nascida em 14 de junho de 1855; 6 – Friedrich, nascido em 24 de junho de 1857 – ficou sapateiro; 7 – Johann Ignaz, nascido em 15 de junho de 1859 – ficou fabricante de selas e curtidor de couro; 8 – Phillipp, nascido em 6 de junho de 1861 – ficou sapateiro; 9 – Friedrich Wilhelm, nascido em 12 de maio de 1863 – ficou fabricante de selas e curtidor de couros; 10 – Francisco, nascido em 6 de abril de 1865 – ficou alfaiate; 11 – August, nascido em 16 de agosto de 1867 – ficou marceneiro; 12 – Michael, nascido em 21 de dezembro de 1871 – ficou fabricante de selas e curtidor de couro. Os oito primeiros, por ocasião da morte de minha mulher já estavam casados, com exceção de Friedrich e Phillipp que estavam noivos. Os mais moços ainda freqüentavam a escola. No ano de 1881, comprei mais um quarto de colônia de meu vizinho Ludwig Huf, por 625$000 réis. Quando eu deito um olhar retrospectivo na minha vida eu penso, que cumpri com meu dever para com os meus filhos plenamente. Nunca poupei trabalho e esforço para chegar a ser um verdadeiro pai para meus filhos. Lembrem que, no ano de 1832, só ganhava dois vinténs por dia e, pela morte de minha mulher, eu tinha uma fortuna de cerca de 3 contos de réis, conforme demonstrou o inventário, que eu por certo não poderia ter ganho sem trabalhar. Mas, não obstante, desde a morte de minha mulher não vivo mais satisfeito, eu me sinto abandonado e só, no mato. Dizem que o homem e a mulher são como uma só pessoa. Muitas vezes faço viagem de passeio para me distrair e esquecer estes pensamentos. Assim, eu viajei para Santa Cruz, Porto Alegre, Rio Pardo, Cachoeira, Jacuhy, Cima da Serra até o Campo dos Bugres, na colônia italiana. No dia 9 de novembro de 1884, o conselheiro Gaspar Silveira Martins e o Coronel Joaquim Pedro Salgado, numa viagem de campanha eleitoral, estiveram na minha casa e lancharam comigo. No dia 26 de fevereiro de 1885 eu viajei acompanhado de um brasileiro de nome João Fabrício, a quem eu pagava 1.500 réis por dia, saindo de casa para Tramandahy para ir aos banhos de mar. No primeiro dia de viagem chegamos a Santo Antônio da Patrulha, onde pernoitamos e, no outro dia, chegamos a Tramandahy. Lá, eu tomava diversos banhos de mar por dia, mas não senti nenhuma melhora no meu estado de saúde, motivo pelo qual, passados oito dias, iniciei a viagem de volta para casa onde cheguei feliz. No ano de 1888, vendi todas minhas terras, com exceção de 1/2 colônia e a casa de moradia, porque eu cheguei à conclusão de que vocês, meus filhos, não podem ocupá-la, pois vocês todos têm uma profissão e querem exercê-la e como eu já tinha tido muito prejuízo de todos os jeitos e maneiras, assim, eu queria agora experimentar emprestando o dinheiro ao Banco da Província a 4% ao ano. E, então, eu comecei a fazer de vez em quando tamancos como passatempo. Vez que outra eu fazia uma viagem de recreio, de um de meus filhos para outro. Nesse interim, no ano de 1893, começou a revolução. Como eu já participara da guerra dos Farrapos, assim, de minha parte, já tinha que chega, resolvi então, sair completamente daqui para São Martinho, para a companhia de meu filho Friedrich Wilhelm, para não ser novamente envolvido nesta história. Lá eu permaneci bastante tempo. Soube depois, que os Federalistas (maragatos) tinham estado em minha casa com meu filho Phillipp e lá fizeram o que tiveram vontade. No ano de 1893 fiz uma viagem a São João do Monte Negro e fiz um brinde no casamento de um netinho, uma das crianças de meu filho Georg. Lá, eu mantive boas conversas e encontrei velhos amigos. No mesmo ano eu fiz uma viagem a Santa Maria e a São Martinho, de onde, em primeiro de janeiro de 1899, iniciei minha viagem de volta para casa onde cheguei feliz. Para me aposentar, completamente, eu vendi a última 1/2 colônia e a casa para meu filho Phillipp, mas conservei para mim duas peças até minha morte. Assim, eu não tinha mais bem nenhum a não ser um cavalo e uma égua. No dia 12 de fevereiro de 1899, fiz uma viagem para Cima da Serra de onde, depois de oito dias, iniciei o caminho para casa. Eu pretendia pernoitar na entrada de cima da Serra mas, como estava tempo bom e o céu estrelado, eu resolvi descansar um pouco e seguir viagem a cavalo, de modo que, às dez horas da noite, cheguei feliz em casa. Eu tinha cavalgado 15 léguas.”
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Após o falecimento de Heinrich, algum descendente (provavelmente algum filho) fez as seguintes anotações, às quais faço também alguns acréscimos:
Alguns dias mais tarde, no dia 23 de fevereiro, Heinrich Fauth viajou para a casa de seu filho August, em Pesqueiro, para ajudar na casa, porque seu filho tinha ido a cavalo para os banhos de mar. Lá, na ausência do filho, que não o encontraria mais com vida, faleceu, repentinamente, de um ataque cardíaco. Faleceu em primeiro de março de 1899. Para lhe prestar a última homenagem nós, os seus filhos, o transportamos para sua terra, Fortaleza, onde seu corpo está sepultado ao lado de sua querida esposa, nossa querida mãe. Honraremos para sempre sua memória.
1. Heinrich, o filho mais velho, foi duas vezes casado, a primeira com Elisabeth, nascida Hirt, que logo faleceu deixando dois filhos e uma filha. Ele casou pela segunda vez com Elisabeth Schmitt, que o presenteou com mais nove filhos. Ele fez a guerra do Paraguai e voltou para casa como aleijado, pelo que a pátria lhe pagava uma pensão muito magra. Ele morava na propriedade paterna, em Fortaleza, e, lá morreu, em 1897.
2. Georg, o segundo filho, foi casado com Maria Carolina Schweitzer. Ele morava em Faxinal de São João do Montenegro e morreu lá, em 12 de junho de 1902." Deixou nove filhos. Dentre os seus descendentes destaco Adonis V. Fauth, pesquisador da família Fauth.
3. Katharina Fauth, nasceu a 30-11-1849 no Kaiserwald e faleceu a 13-02-1910 em Fortaleza. Foi casada com Georg Schilling, com quem teve dez filhos.
4. Johannes Fauth, nasceu a 14-03-1852 em Hamburgo Velho, falecendo meses após em 14-09-1852.
5. Johannes Fauth, nasceu a 30-06-1853 em Fortaleza, Taquara, onde faleceu a 06-06-1916. Seguiu a profissão do pai; foi sapateiro. Casou com Maria Catharina Fleck, com quem teve doze filhos.
6. Paulina Fauth, nasceu a 14-06-1855 em Fortaleza, Taquara, onde faleceu a 26-08-1933. Casou com Philipp Nicolau Fischer, com quem teve quatorze filhos.
7. Friedrich Wilhelm Fauth, nasceu a 24-06-1857 em Fortaleza, Taquara e faleceu a 18-04-1906 em Santa Cristina do Pinhal. Seguiu a profissão do pai; foi sapateiro. Casou com Catharina Timm, com quem teve treze filhos.
8. Johann Ignácio Fauth, nasceu a 15-06 (ou 07)-1859, Fortaleza. Foi seleiro. Viveu em Montenegro, onde faleceu. Era fabricante de selas e curtidor de couro. Casou com Albertina Lauer com quem teve dez filhos.
9. Philipp Fauth, nasceu a 06-06-1861 no Morro da Fortaleza, onde faleceu a 04-11-1910. Foi também sapateiro. Casou com Emília Spindler, com quem teve onze filhos.
10. Franz (Francisco) Fauth, nasceu a 06-04-1865, Fortaleza e faleceu a 04-09-1912, Taquara. Foi alfaiate. Casou com Oda Bela Wetter, com quem teve sete filhos.
11. August Fauth, nasceu a 16-08-1867, Fortaleza e faleceu a 06-07-1916, Campo Bom. Era marceneiro e comerciante. Casou com Clementina Schmitt, com quem teve doze filhos. Antepassados de Pedro Almiro Fauth, também pesquisador da família.
12. Michael (Miguel) Fauth, nasceu a 21-12-1871, Fortaleza e faleceu a 09-12-1913, Canoas. Era fabricante de selas e curtidor de couro. Casou duas vezes, a primeira com Paulina Elvira Meyer, com quem teve cinco filhos. Casou a segunda vez com Luiza Jacobus, com quem teve quatro filhos.
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Sou descendente da filha Paulina Fauth, nascida a 14 de junho de 1855 em Fortaleza, Taquara, casada a 02 de novembro de 1873 em Hamburgo Velho com Philipp Nicolaus Fischer, nascido em 15 de dezembro de 1848 também em Taquara, filho dos alemães Friedrich Philipp Fischer e de Julianna Margaretha Seibert, emigrados no ano de 1846 para o Brasil. Paulina Fauth faleceu em 26 de agosto de 1933 em Taquara, enquanto seu marido Philipp Fischer em 07 de novembro de 1911 na Picada São Jacó em Hamburgo Velho. Foram pais de 14 filhos, dentre eles: Leopoldina Guilhermina Fischer, nascida a 24 de setembro de 1877 em Fortaleza e falecida em 05 de fevereiro de 1959 em Riozinho/RS, casada com Helmuth Schmitt, natural de Campo Bom. Deste casamento nasceu meu bisavô Helmuth Schmidt Filho, em 02 de março de 1898, em Aurora, distrito de Taquara/RS, fixado em Porto Alegre.

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